Os smartwatches já fazem parte do teu dia a dia. Medem passos, mostram notificações, ajudam no treino e até acompanham o sono. Mas quando se tenta olhar para a próxima década, a evolução não parece passar por mais funcionalidades extraordinárias e futuristas, como hologramas ou ecrãs maiores. Esta modernização a médio prazo vai por outro caminho – pelo menos segundo o OpenAI.
A ideia que a IA deixou não é a de um relógio mais “cheio”. É a de um dispositivo mais discreto, mais inteligente, menos dependente do telemóvel do futuro e, em muitos casos, menos visível na forma como interage contigo. Mas vamos ver em que sentido.
1. Apresentar dados para começar a antecipar o que te acontece
Hoje, o smartwatch funciona como um registo do teu corpo. Podemos usá-lo para quase todas as atividades que praticamos e diz-nos o que já aconteceu: quantas horas dormimos, quantos passos demos e até como esteve o ritmo cardíaco. A evolução mais provável é mudar essa lógica.
Em vez de apenas registar, o dispositivo pode começar a:
- antecipar sinais de fadiga antes de os sentires
- detetar alterações no teu padrão de stress com mais precisão
- identificar mudanças físicas subtis ao longo do tempo
Na prática, deixa de ser um espelho do teu dia e passa a ser uma espécie de sistema de alerta precoce do teu próprio corpo, que funcionam juntos quase em simbiose.
2. A inteligência artificial deixa de mostrar números e passa a interpretar o teu estado
Um dos saltos mais importantes não está no hardware, mas na forma como a informação é tratada. Em vez de veres dados isolados de tudo o resto, a tendência é a IA começar a:
- cruzar padrões de sono, atividade e rotina
- aprender como o teu corpo reage em diferentes contextos
- ajustar recomendações com base na tua realidade e não em médias genéricas
Isto seria o que se chama um "game changer" no que toca à experiência. Em vez de receberes instruções genéricas, passas a receber respostas ajustadas à tua medida.
3. Menos interação, mais decisões automáticas
Outro ponto importante é a redução da necessidade de interação constante. O smartwatch pode evoluir para um modelo onde:
- filtra automaticamente o que realmente merece a tua atenção
- reduz notificações irrelevantes de forma mais inteligente
- toma pequenas decisões sem te interromper
Isto não significa que o hipotético futuro smartwatch ofereça menos informação; muito pelo contrário. Significa apenas menos ruído e uma maior e mais forte automação. A ideia é deixar de te obrigar a gerir tudo manualmente.
4. Mais independência em relação ao smartphone
Hoje, o relógio ainda depende muito do telemóvel (pelo menos, a maioria). Isso também tende a mudar. Segundo a IA, nos próximos anos, é provável que o smartwatch:
- faça chamadas e envie mensagens de forma mais autónoma
- execute tarefas sem necessidade constante do smartphone
- tenha ligação mais direta à rede
Ou seja, deixa de ser apenas um complemento e começa a assumir um papel mais independente dentro do teu ecossistema digital. Quem sabe, até substituir o telemóvel por completo.
5. O relógio como ponto central da tua identidade no digital
Outra mudança importante pode acontecer na forma como te autenticas e interages com serviços. O smartwatch pode tornar-se uma espécie de chave digital permanente e global, usada para:
- pagamentos
- acesso a serviços
- validação de identidade em diferentes plataformas
Isto simplifica a tua vida digital. Menos palavras-passe e menos passos, logo mais simplicidade e rapidez. Uma evolução que soa natural, visto que hoje em dia é possível fazer pagamentos por contactless através do relógio – uma ideia que, até há uns anos, não era comum ou quase uma realidade.
6. A mudança mais relevante não é o que ele faz, mas o que ele prevê
O ponto mais interessante não está nas funções isoladas, mas na mudança de papel. Em vez de reagir ao que acontece, o smartwatch pode passar a:
- prever o que vai acontecer contigo
- sugerir ações antes de pedires
- agir de forma automática com base no contexto em que encontras
Esta transição é mais profunda do que parece porque muda a relação entre tu e o dispositivo. O relógio deixa de ser uma ferramenta que usas e passa a ser um sistema que te acompanha constantemente.
O que podemos concluir?
Neste ensaio que o OpenAI fez do futuro, a evolução dos smartwatches nos próximos 10 anos não parece apontar para dispositivos mais chamativos ou complexos. O que parece acontecer é uma melhoria das bases que constituem a mais pura definição de um relógio inteligente.
Se me perguntarem se estou surpreso, a minha resposta é "sim". Embora, de repente, possa parecer que não exista uma grande mudança prevista para a próxima década (é de notar que este foi um cenário previsto pela Inteligência Artificial), apenas a ideia de que um relógio seja "inteligente" o suficiente para prever situações futuras ou "ler" o contexto atual sem que lhe perguntes, é nada menos que extraordinário.
A ideia de que os smartwatches possam também interagir connosco de uma forma mais natural, em vez de perguntar ao assistente virtual para realizar tarefas, por exemplo, e antecipar as nossas necessidades em segundo plano, é algo que qualquer apaixonado pela tecnologia quereria, no seu sonho mais selvagem: menos "Siri" e mais "J.A.R.V.I.S." (perdoem-me pela referência à Marvel).
Portanto, segundo a própria IA, tudo ponta para algo mais discreto e mais útil:
- menos interface e menos toque direto
- mais inteligência a interpretar o teu corpo e rotina
- mais automação invisível no dia-a-dia
- mais independência em relação ao smartphone
No fundo, o futuro não passa por ter um relógio que faz mais coisas. Passa por ter um relógio que precisa de menos atenção tua, mas que entende melhor o que precisas.
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