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Bancos sob ameaça de nova inteligência artificial que ‘pensa como hacker’

Uma nova IA criada para defender sistemas informáticos está a provocar o efeito oposto: expor vulnerabilidades críticas à escala global. O modelo Mythos, da Anthropic, já está a alarmar reguladores e pode ter impacto direto no setor bancário português.

Mythos
Imagem: Anthropic

A mais recente geração de inteligência artificial (IA) está a mudar as regras da cibersegurança e não necessariamente para melhor.

O modelo Mythos, desenvolvido pela Anthropic, foi concebido para identificar falhas em sistemas informáticos. No entanto, as suas capacidades estão a gerar preocupação crescente entre reguladores e instituições financeiras, que temem um novo tipo de risco sistémico.

Segundo informações avançadas esta semana, o sistema conseguiu identificar milhares de vulnerabilidades críticas em sistemas operativos e navegadores amplamente utilizados, incluindo falhas desconhecidas até agora.

Este nível de desempenho coloca o Mythos numa categoria inédita: uma ferramenta capaz não só de proteger infraestruturas digitais, mas também de automatizar ataques com uma eficiência superior à humana.

O paradoxo da nova geração de IA

Tecnologias como o Mythos foram desenhadas para reforçar a cibersegurança. No entanto, ao atingirem um certo nível de capacidade, tornam-se potencialmente perigosas caso sejam utilizadas de forma maliciosa.

Reguladores internacionais já reconheceram este risco. O Banco Central Europeu — já ativou supervisão, ao questionar diretamente os bancos sobre o Mythos e preparar reuniões com responsáveis de risco —, e outras entidades estão a analisar o impacto deste tipo de modelos, sobretudo na banca, onde sistemas antigos e interligados aumentam a exposição a falhas.

Além disso, líderes financeiros alertam que esta pode ser apenas a primeira de várias gerações ainda mais avançadas, numa corrida tecnológica difícil de controlar.

Bancos europeus, portugueses incluídos, na linha de risco

O setor financeiro é particularmente vulnerável.

A complexidade dos sistemas bancários, muitos deles com décadas de evolução, cria um ambiente ideal para ferramentas capazes de identificar automaticamente fragilidades.

Fontes indicam que o acesso ao Mythos poderá ser alargado a bancos europeus nas próximas semanas, o que aumenta a urgência de preparação.

Para Portugal, o impacto pode ser significativo:

  • Forte digitalização da banca;
  • Dependência de sistemas legacy (mais vulneráveis);
  • Elevada integração com infraestruturas europeias.

Tudo isto coloca o país dentro do perímetro de risco.

Acesso restrito e concentração de poder

Outro fator crítico é o controlo da tecnologia.

O Mythos não está disponível ao público. O acesso é limitado a um grupo restrito de empresas tecnológicas e organizações estratégicas, ou seja, aos grandes players, numa iniciativa conhecida como ‘Project Glasswing’.

Um modelo levanta questões sobre a desigualdade de acesso, vantagem competitiva e risco de concentração tecnológica.

O que se segue?

O caso Mythos revela uma tendência mais ampla: a convergência entre inteligência artificial e cibersegurança está a criar novos riscos estruturais para a economia global.

O que, a curto prazo, pode levar a maior pressão regulatória na União Europeia, investimento acelerado em cibersegurança e corrida tecnológica entre empresas de IA.

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Nélson Gomes da Costa
Nélson Gomes da Costa
Licenciado em Ciências da Comunicação, é jornalista há mais de 12 anos, com experiência em jornalismo regional e digital marketing, e passagem por cargos de jornalista, editor de desporto, subeditor e diretor. Apaixonado por desporto e cultura, acompanha de perto o universo tecnológico, explorando tendências como inteligência artificial, plataformas digitais e gadgets.