OnePlus 9 Pro banido da Geekbench por batota nos testes de desempenho em Android

Rui Bacelar
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A OnePlus foi recentemente acusada pela publicação Anandtech de adulterar os resultados obtidos em aplicações e plataformas de testes como a Geekbench. O tom acusatório resultou de um estudo efetuado pela fonte em questão e, desde então, a Geekbench também levou a cabo investigações próprias que culminam agora no banimento do smartphone OnePlus 9 e OnePlus 9 Pro.

Ambos os smartphones topo de gama da fabricante chinesa estariam a manipular o modus operandi destes testes sintéticos de desempenho para obter a melhor pontuação possível. Tudo para que pudessem usar estes valores como ponto de venda e proposta de valor junto dos consumidores. Uma prática infeliz que se encontra enraizada em boa parte da indústria mobile.

A Geekbench repudia a prática e censura os OnePlus 9 e 9 Pro

It's disappointing to see OnePlus handsets making performance decisions based on application identifiers rather than application behavior. We view this as a form of benchmark manipulation. We've delisted the OnePlus 9 and OnePlus 9 Pro from our Android Benchmark chart. https://t.co/G40wmWeg7o

— Geekbench (@geekbench) 6 de julho de 2021

A OnePlus optou sempre pelas melhores especificações técnicas disponíveis para os seus smartphones topo de gama. Com efeito, os seus produtos estão entre os telefones mais ágeis e fluídos do mercado, em parte graças à interface OxygenOS.

De qualquer modo, a procura por velocidade e por uma margem competitiva sobre as concorrentes levou a OnePlus a tomar uma série de passos em falso. Aliás, na sua história foram diversas as instâncias de "batota" em plataformas similares como a AnTuTu.

Em pleno 2021, contudo, a OnePlus continuará a tirar partido destas táticas para poder promover-se com grandes pontuações - neste caso na Geekbench. Importa, contudo, clarificar que a pontuação em testes de benchmark não se traduz necessariamente num melhor desempenho ou velocidade no mundo real.

A lista negra da OnePlus a várias apps da Play Store

OnePlus 9 Pro
Frequência de processamento do CPU na app de benchmark vs Twitter e Chrome. Crédito: Anandtech

O novo engodo consistirá na seleção e listagem pela OnePlus de determinadas aplicações populares na Google Play Store como o Google Chrome, Twitter, Facebook, entre outras. Estas aplicações estariam impedidas de tirar todo o proveito do processador Snapdragon 888 da Qualcomm, limitando-se a frequência máxima de processamento do CPU.

Por outro lado, em cenários de teste - quando o smartphone reconhecia serem executadas aplicações como a Geekbench - tais restrições não eram aplicadas. Desse modo, nas aplicações de benchmark o CPU mostrava todo o seu poderio.

Segundo o relato da Anandtech, tal poderia ser feito para poupar bateria ao smartphone durante a utilização normal no quotidiano. É uma medida in extremis e pouco ortodoxa, mas não terá tido grande impacto positivo na autonomia de bateria jultando pelas análises.

Manipulação em larga escala pela OnePlus

O caso é gravoso. A OnePlus estará a manipular o desempenho do seu OnePlus 9 e OnePlus 9 Pro quando na presença das aplicações mais populares da Google Play Store. Apps que variam de redes sociais até à suite do Microsoft Office, por exemplo.

Aliás, a fonte aponta que a maioria das aplicações para Android disponíveis na Play Store estavam limitadas à partida. Isto é, nunca retirariam todo o potencial do processador utilizado para, supostamente, preservar energia e aumentar a autonomia de bateria.

We will also test the other OnePlus handsets in our performance lab to see if these handsets also manipulate performance in the same way. If they do, we will delist them from the Android Benchmark chart.

— Geekbench (@geekbench) 6 de julho de 2021

Isto seria detetado pela publicação em questão, tendo encontrado rapidamente um padrão no comportamento. Fê-lo ao estudar as frequências de processamento máximo do SoC em cenários de teste e em cenários de utilização comum de outras apps.

Face ao exposto, a Geekbench baniu ambos os smartphones do seu ranking Android. Além disso, tomará providências para investir a extensão desta manipulação não só pela OnePlus, mas também por outras fabricantes.

A prática acaba por apenas prejudicar a reputação das fabricantes, sem trazer benefícios óbvios ou implícitos para o utilizador.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
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