Huawei P10 Plus smartphone obsolescência programada
Sentes que o teu smartphone passa à história cada vez mais depressa?

Quanto tempo de vida útil terá o teu smartphone? Seja ele Android ou iOS é bem provável que já tenhas pensado nisto algumas vezes. Será que ao comprar um topo de gama terei um smartphone que me dure mais alguns anos do que um simples gama média? E as marca brancas ou marcas chinesa? Será que daqui a um ano o meu smartphone ainda funciona?

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Estas são apenas algumas das perguntas que recebemos diariamente. Perguntam-nos se o seu investimento de €500 euros será melhor do que um de €900 euros em loja física. São perguntas revestidas de legitimidade. Motivadas pelo fervor deste mercado de dispositivos móveis que a cada 6 meses parece lançar novos topos de gama (Shame on Sony). Posto isto, será que estamos condenados à obsolescência programada? Poderá a União Europeia por um travão neste hábito de consumo?

   

O que é a obsolescência programada?

Este fenómeno retrata a decisão / vontade do produtor em desenvolver, fabricar e vender um novo produto para que aquele outro em circulação se torne obsoleto, não funcional ou pelo menos aparentemente ultrapassado. Desta forma forçará o consumidor a adquiri o novo produto, mantendo assim um fluxo constante de receitas.

Esta obsolescência programada surgiu pela primeira vez no panorama económico e industrial nos Estados Unidos da América nas décadas de 30 e 40, sendo os automóveis a primeira “vítima” desta política de vendas sem escrúpulos. Visando apenas garantir o fluxo constante de receitas, começaram-se a lançar novos modelos de automóveis com diferenças mínimas no seu interior mas diferenças notórias no exterior. Desta forma, a General Motors incentivava os consumidores a trocarem mais frequentemente de automóveis.

Porque é que o nosso smartphone dura cada vez menos?

Agora, em pleno século XXI, sempre que trocamos de smartphone – cada vez com mais frequência, seja por necessidade ou puro capricho – dificilmente exploramos todos os recursos do antigo smartphone. Outras vezes sentimos que o smartphone está muito desgastado ou irremediavelmente lento, incapaz de cooperar com o ritmo de vida atual. Em suma, quando compramos um novo smartphone já sabemos que ele não durará para sempre mas a verdade é que eles parecem estar a durar cada vez menos.

Mesmo assim, este desgaste que por vezes nos obriga a trocar de smartphone – por exemplo a duração de bateria – nem sempre é tão natural como possa aparentar. Isto deixa-nos a pensar que as construtoras podem estar, intencionalmente, a encurtar estes ciclos de vida útil do smartphone. Eis os porquês.

Note-se que alguns dispositivos possuem uma vida útil mais longa do que outros. A Apple sendo um desses casos, ao atualizar vários dos seus modelos mais antigos – se bem que algumas atualizações para modelos vintage acabam por deixar o smartphone irremediavelmente lento.

O fenómeno de obsolescência programada é particularmente notório no segmento de entrada

Normalmente são os smartphones mais baratos os principais afetados pela obsolescência programada. Se compras um smartphone de gama baixa, por muito bom negócio que te possa ter parecido na altura, daqui a um ano já estarás a pensar em trocar de dispositivo. A menos que gostes de utilizar um smartphone lento.

Além disso, caso algum componente dentro do teu smartphone avarie ou necessite de reparação eis uma nova dor de cabeça. A verdade é que os nossos equipamentos são cada vez mais difíceis de reparar. São cada vez mais selados, mais fechados sobre si mesmos e a simples tarefa de os abrir torna-se dispendiosa. Já alguma vez precisaste de reparar um smartphone de gama baixa? Pois, pelo preço mais vale comprar um novo!

No tempo dos telemóveis de plástico era extremamente fácil trocar uma ou outra peça. Agora, estas belezas de metal, ou princesas de cristal e vidro são belíssimas é certo. Mas caso algo avarie ou esteja fora da garantia ou seguro, prepara-te para desembolsar uma bela quantia.

E quando parte o ecrã / tela do smartphone?

Alguns equipamentos parecem ser demasiado frágeis e nem mesmo o vidro Gorilla Glass ou DragonTrail parece ser capaz de sobreviver a uma ou duas quedas. Basta uma infelicidade e tens o ecrã estilhaçado. Ou pelo menos o vidro, ainda que o LCD funcione, as lojas aproveitam e trocam-te ambas as peças, aliviando-te um pouco desse peso na carteira.

Quando o ecrã parte ou o vidro estilhaça, por vezes chega a ser tão caro reparar o smartphone que o cliente acaba por comprar um gama baixa.

Já tiveste que trocar o vidro ao teu smartphone?

Se quiseres reparar em casa o teu smartphone, boa sorte! Não é fácil encontrar as peças exatas de substituição, nem mesmo com o advento das lojas online. Estas preferem, obviamente, vender smartphones novos do que peças ou ferramentas para reparar os antigos.
E mesmo que tenhas as peças e as ferramentas necessárias para desmontar o smartphone, tens algum manual para te socorrer? Sabes como foi montado o teu dispositivo? Sabes qual a ordem de parafusos a remover ou placas a desconectar? Boa sorte para encontrar o manual de reparação para o teu dispositivo em concreto. Aqui, quando se tratam de modelos bem populares já existe alguma informação graças a sites como o iFixit e a Rethink.

O Parlamento Europeu quer por fim à obsolescência programada

O Parlamento Europeu tem levantar algumas questões à Comissão Europeia para que esta considere a implementação de uma política comum de durabilidade, eco-sustentabilidade e capacidade de reparação e melhoria dos produtos consoante os progressos técnicos e tecnológicos.

Desta lista de recomendações salientam-se as seguintes:

  • Produtos robustos, facilmente reparáveis e de boa qualidade. Para tal deverá ser estabelecido um critério de resistência minima de acordo com cada categoria de produto.
  • Se a reparação demorar mais de que um mês, o período de garantia deve ser ampliado para cobrir o tempo de garantia.
  • Os estados-membros devem dar incentivos à produção de produtos mais duráveis e facilmente reparáveis.
  • Os consumidores deverão ter a opção de recorrer a um reparador independente. Podendo optar por outro reparador que não só o centro de assistência definido pela marca, sem contudo perder a garantia oficial.
  • Componentes essenciais como a Bateria ou os LED’s não devem ser soldados permanentemente para possibilitar a sua troca ou substituição, a não ser que tal se justifique por razões de segurança.
  • Os componentes extra e de reparação deverão ser fornecidos amplamente, a preços adequados.

Qual é a tua opinião / posição sobre esta temática da obsolescência programada?

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