O Apple Watch continua a ser o rei indiscutível dos relógios inteligentes no que toca à integração com o seu ecossistema, design e utilidade para a nossa rotina. Honestamente, durante anos nunca vi uma razão para mudar de relógio, a não ser por causa de algum acidente, avaria ou caso perdesse suporte.
No entanto, para quem quer algo mais do que um pequeno gadget para receber notificações e um contador de passos, o relógio da Maçã começou a estagnar.
Não se trata de não gostar da Apple no seu todo — eu uso um iPhone, um MacBook e um Apple Watch diariamente —, mas sim de exigir o nível de inovação a que a Apple, para bem ou para mal, tanto me habituou.
Pelo preço cobrado por um Apple Watch recente — e sobretudo pela variante Ultra —, há certas funcionalidades ainda em falta, cuja ausência já não faz sentido em 2026. Então, decidi pôr o pé no chão: não quero comprar outro Apple Watch até a Apple mudar estas 3 coisas.
1. Falta de métricas nativas de treino e carga mais avançados
Até dou de barato que a Apple, durante os anos de existência do watchOS, tenha vindo a apostar na inovação com a introdução da aplicação Sinais Vitais (Vitals) e o acompanhamento do esforço. Mas sejamos honestos: continua a ser um sistema regido pela passividade, e se há algo de que os utilizadores da Apple não gostam, é a estagnação — principalmente quando usam o Android para provarem um ponto.
O que achateia mais é que parece que a Apple recolhe os dados, atira-os para a app Saúde e deixa-nos à sorte a tentar adivinhar o que fazer com eles. Enquanto isso, a concorrência oferece toda uma aula de interpretação pela qual nós, utilizadores de WatchOS, estamos famintos:
- A Garmin oferece o Training Readiness e a Body Battery, dizendo exatamente se o corpo está pronto para um treino intenso ou se o melhor é tirar um dia de descanso.
- A WHOOP analisa a recuperação e o esforço acumulado com enorme precisão.
No Apple Watch, para ter uma análise semelhante, a única solução é pagar assinaturas em aplicações de terceiros como a Athlytic ou a Bevel.
É inaceitável ter de pagar mensalidades extra a criadores independentes para ter acesso a dados que o sensor do próprio relógio já lê, mas que a Apple não processa de forma inteligente.
2. Autonomia que às vezes deixa a desejar e limitações em atividades longas
A questão da bateria continua a ser o calcanhar de Aquiles da Apple, pelo menos no que toca ao Apple Watch. Mesmo na sua versão Ultra, concebida em teoria para desportos radicais e aventuras, a autonomia fica-se pelos 2 a 3 dias em uso regular.
Mas nem toda a gente usa o Apple Watch Ultra. Aliás, muitos de nós usam as versões "standard" do relógio que, sendo ele já premium por natureza, deveria pelo menos atender à questão da bateria.
Se tiveres o GPS de alta precisão sempre ativado para corridas de montanha, trail ou provas de longa duração, a bateria esgota-se numa questão de horas. Isto não ajuda a causa. Mas quando olhas para o lado, a realidade é outra:
- A Garmin com as gamas Fenix ou Enduro entrega semanas de autonomia.
- A Coros garante bateria para terminar qualquer ultramaratona sem quaisquer problemas.
- A inclusão de carregamento solar integrado nos concorrentes torna o Apple Watch quase ridículo neste cenário (no entanto, percebo perfeitamente a razão pela qual esta não é uma opção).
Mas mesquinhices à parte, a minha rotina sofre de um problema que não está a ser resolvido: eu uso o meu relógio durante o dia, o que gasta bateria, portanto, à noite seria a altura mais lógica para carregá-lo. Mas, se assim o fizer, isso retira qualquer utilidade à monitorização do sono. Se eu não o posso usar enquanto durmo, como vou usufruir das suas capacidades?
3. Biometria em tempo real e gestão de saúde parada
A verdade é que a Apple habituou-nos a estar na vanguarda da saúde, mas a Samsung pode muito bem já ter passado à frente com os seus vários indicadores biométricos.
A gama Galaxy Watch já integra o seguimento de composição corporal (percentagem de gordura corporal e massa muscular via BIA) através do sensor do relógio, além da deteção aprovada de apneia do sono.
Entretanto, o Apple Watch continua agarrado ao que já existia:
- ECG e frequência cardíaca.
- Temperatura durante o sono.
- Alertas genéricos de ritmo cardíaco.
A tão aguardada medição contínua e não invasiva de glicose no sangue continua a ser uma promessa bem distante, por exemplo. Mas não é às necessidades reais das pessoas que os relógios deveriam primeiro responder?
A Apple precisa de arriscar mais nos sensores de saúde e entregar métricas de composição física e biométrica em tempo real, em vez de lançar atualizações anuais que não passam de apenas pequenas melhorias de software.
Especialmente quando tens um Apple Watch perfeitamente usável e são lançadas novas funcionalidades capazes de funcionar em qualquer relógio recente, mas ficam apenas reservadas aos novos ou mais caros modelos.
Até a Apple resolver a gestão de recuperação de treino, a autonomia de bateria em treinos longos, a biometria de saúde e, sobretudo, os claros problemas que tem em "casa", o meu relógio atual terá de bastar. O hardware é incrível, mas a experiência para o utilizador está cada vez mais fraca.
