Home Móvel

Microsoft põe termo à sua “experiência” Nokia, vamos fingir surpresa?

Microsoft Nokia 4gnews 4

Na semana passada a Microsoft anunciou a venda do seu segmento de telemóveis Nokia à Foxconn, um prelúdio do que viria a acontecer ontem quando ficamos a saber que a gigante de Redmond vai fazer uma pausa por tempo indeterminado no mercado dos smartphones para repensar a sua estratégia no competitivo mundo mobile. Agora que a poeira começa a assentar é a minha vez de me pronunciar sobre este assunto sensível.

Primeiro, os factos. A Microsoft vai acabar com o que resta do seu departamento de smartphones Nokia, cortando 1850 postos de trabalho e sofrendo um revés de 950 milhões de dólares em custos de reestruturação e claro, indemnizações aos trabalhadores que vêm os seus contratos a cessar. Esta é uma informação avançada por Terry Myerson da Microsoft (fonte).

   

Esta é a machadada final naquilo que restava da Nokia, ainda em funcionamento na Finlândia, e representam uma atitude arrojada mas, pelo menos a meu ver, inevitável e que já devia ter sido tomada. Segundo Satya Nadella, CEO da Microsoft, a marca vai focar-se onde pode fazer a diferença, nomeadamente no mercado empresarial onde os seus smartphones, especialmente os que puderem utilizar a “Continuum” possam ser realmente úteis e apreciados pelas funcionalidades oferecem.

Quando a Microsoft anunciou a venda do seu segmento de telemóveis Nokia fez acompanhar o comunicado oficial com uma afirmação esperançosa, de que iria continuar empenhada em garantir suporte para os seus smartphones com Windows Phone. Daqui podia-se pensar que a Microsoft iria continuar a construir smartphones em vez de deixar esta tarefa a cabo de 3ºs como a Acer, a HP e até a VAIO. Infelizmente o sentimento geral que agora se professa é o fim eminente dos Lumias, concentrando-se apenas nos seus dispositivos Surface, muito mais populares.

Por último e de acordo com as fontes oficiais, a Microsoft deverá continuar a produzir novos equipamentos mas, até ao momento, não sabemos se ficará ela mesma encarregue de os construir ou delegará esta tarefa em 3ºs. De qualquer forma, é o fim oficial de todos os laços entre a Microsoft e a Nokia, algo que me levou a reflectir sobre o assunto.

Microsoft Nokia 4gnews 1
Nokia E71 e Lumia 550

Em primeiro lugar e como já havia dito, esta decisão já devia ter sido tomada mas, em vez disso, a Microsoft foi mantendo os seus novos Lumia num estado de coma auto induzido, depois de ter prometido mundos e fundos com a apresentação do Windows 10 Mobile as expectativas do público atingiram um nível muito elevado que, infelizmente, não foi atingido com os Lumia 950 e 950XL. Algo que mesmo os fãs mais dedicados não conseguiram ignorar.

O que resta agora? Para a Microsoft o rumo do seu sector Mobile, ou o que resta dele, passará por uma aposta mais séria no mundo empresarial. Referi, ainda há poucos dias, que o seu Surface Pro é o claro favorito para no que toca a produtividade e sabemos que a produção de dispositivos móveis deverá ficar sob a chefia de Panos Panay, uma das mentes encarregues de desenvolver os Surface e isto levanta a questão, será que é desta que veremos um Surface Phone? Esperemos que sim!

VP of Microsoft Surface Panos Panay speaks on stage at Windows 10 Devices Event, on Tuesday, October 6, 2015 in New York, New York. (Mark Von Holden/AP Images for AP Images for Windows)
Panos Panay

O mercado dos dispositivos móveis e dos smartphone em particular ficaria bem mais pobre se a Microsoft desistisse de vez deste sector. Não pretendo aqui debater a popularidade e características de cada sistema operativo mas creio sinceramente que quantas mais alternativas tivermos, seja em que sector for, maior será a probabilidade de todo e qualquer consumidor encontrar aquilo que procura. O Windows 10 tinha tudo para vingar e se não conseguiu a única culpada é a casa mãe.

De qualquer forma, esta reestruturação ou “pausa” era inevitável, nenhuma empresa se pode dar ao luxo de manter um sector que acumula prejuízos mas acredito que a Microsoft esteja a preparar uma surpresa do mesmo calibre do Surface Book. A Microsoft tem todas as armas necessárias no seu “arsenal” para conseguir fazer concorrência, ou pelo menos afirmar-se no mercado mobile, só lhes faltava uma vontade real de o fazer!

Já por sua vez a Nokia, vendida, retalhada e deixada agora ao abandono mas finalmente livre das grilhetas, poderá voltar a erguer-se num futuro não muito distante. Basta, para isso, que voltem a erguer o seu estandarte azul e que se dediquem à produção de smartphones (desta vez com Android) e rogarem alguns favores à Foxconn para que produza os seus hipotéticos dispositivos. Nunca subestimem o poder da nostalgia nem as memória que um simples nome estrangeiro desperta em boa parte da população.

Talvez queiras ver: