Portugal tem motivos concretos para acompanhar com atenção o que se diz sobre inteligência artificial e emprego. Um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos concluiu que cerca de 29% dos postos de trabalho no país estão expostos à automação e à IA, e que as profissões mais ameaçadas são precisamente as que concentram os trabalhadores com salários mais baixos e menos qualificações, como empregados de mesa, trabalhadores do comércio e funções administrativas repetitivas.
Emprego cresce com a IA
O CEO da Nvidia, a empresa que fabrica os chips que alimentam praticamente todos os sistemas de IA do mundo, foi direto: a inteligência artificial está a criar empregos a um ritmo sem precedentes. "Todas as empresas de IA estão a contratar que nem loucas", afirmou, enumerando engenharia de software, construção de centros de dados e fábricas de semicondutores como as áreas com mais procura.
Referiu ainda que no último ano foram investidos 100 mil milhões de dólares em startups de IA, "o maior investimento da história". O próprio CEO deixou ainda um conselho claro aos trabalhadores para usar a IA como tutor para aprender mais rápido e adaptar-se a esta nova realidade.
O Governo português candidatou-se, em conjunto com Espanha, a acolher uma das cinco giga fábricas de IA da Comissão Europeia, com Sines como localização principal do lado nacional. O projeto prevê mobilizar até oito mil milhões de euros e criar infraestruturas de computação avançada com impacto direto no emprego qualificado.
O aviso que Portugal não pode ignorar
Em Portugal, os especialistas da PwC e da Qibit alinham com esta leitura. Não antecipam despedimentos massivos em 2026, mas sim uma "reengenharia de funções", com as tarefas repetitivas a serem automatizadas e novas posições a surgir sobretudo em segurança, cloud, dados e desenvolvimento de IA. O problema português é estrutural: segundo o mesmo estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, nenhuma das dez maiores profissões em Portugal está classificada como "profissão em ascensão" na era digital. Ou seja, a maioria dos trabalhadores está exatamente onde o risco é maior, e com menos ferramentas para se adaptar.
É precisamente por isso que Huang diz que a sua "maior preocupação é assustar as pessoas ao ponto de a IA ser tão impopular que deixam de a usar". Quem recusar aprender a trabalhar com estas ferramentas é quem sai a perder, e em Portugal esse risco é real.
