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Há uma fábrica portuguesa a revolucionar o combate aos incêndios

A poucos dias da maior feira internacional de proteção civil do mundo, uma empresa portuguesa prepara-se para apresentar veículos de combate a incêndios capazes de operar remotamente, usar hidrogénio e proteger bombeiros em cenários extremos.

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Eco Camões
'Eco Camões'. Imagem: Jacinto

Uma empresa portuguesa especializada em veículos de combate a incêndios está prestes a apresentar algumas das suas mais avançadas soluções tecnológicas na maior feira internacional de proteção civil e emergência do mundo.

A Jacinto, sediada em Esmoriz, vai marcar presença na Interschutz 2026, que decorre entre 1 e 6 de junho, em Hanôver, Alemanha, levando veículos desenvolvidos para enfrentar incêndios extremos, reduzir riscos para bombeiros e responder aos desafios das alterações climáticas.

A participação portuguesa acontece numa altura em que os incêndios florestais se tornaram mais violentos e imprevisíveis em vários pontos do mundo, aumentando a pressão sobre corporações e fabricantes para criarem meios mais seguros e tecnologicamente avançados.

Veículo elétrico pode ser operado à distância (até 500 metros)

Entre os destaques está o ‘Eco Camões’, apresentado pela empresa como o primeiro veículo de combate a incêndios totalmente elétrico e não tripulado do mundo.

O veículo foi concebido para cenários de elevado risco, como incêndios em aeroportos, ambientes industriais perigosos ou zonas com risco de explosão. Segundo a empresa, o sistema pode ser controlado remotamente até cerca de 500 metros de distância, permitindo reduzir drasticamente a exposição dos bombeiros ao calor extremo, fumos tóxicos e possíveis explosões.

Além das emissões zero, o objetivo passa também por aumentar a segurança operacional em ambientes onde a presença humana direta representa um risco elevado.

‘Sumatra’ é aposta para incêndios florestais extremos

Outro dos modelos que estará em destaque na feira internacional é o ‘Sumatra’, uma nova geração de veículo florestal concebida para operações em incêndios rurais de grande intensidade.

Segundo a empresa, o conceito foi desenvolvido para aumentar a proteção de operacionais, populações e território, através de um chassis modular capaz de adaptar diferentes configurações operacionais.

Uma das principais novidades é a possibilidade de o mesmo veículo utilizar diferentes soluções energéticas. O cliente pode optar entre motorização diesel, combustão híbrida, hidrogénio ou gás, permitindo adaptar a viatura às necessidades operacionais e ambientais de cada país ou corporação.

A arquitetura modular permite ainda converter rapidamente o veículo para outras funções, incluindo transporte de tropas ou operações logísticas em cenários de emergência.

Cabines reforçadas e sistemas digitais substituem comandos analógicos

Os novos veículos desenvolvidos pela empresa portuguesa incluem também importantes evoluções ao nível da segurança estrutural e da digitalização.

As cabines foram reforçadas para aumentar a proteção em caso de capotamento, enquanto os sistemas digitais permitem controlar praticamente todas as funções do veículo através de painéis eletrónicos.

Segundo a reportagem exibida pela SIC Notícias, muitos dos comandos tradicionais desapareceram. A operação pode ser realizada tanto a partir da cabine como diretamente no painel da bomba, permitindo gerir iluminação, funcionamento hidráulico e sistemas de combate em tempo real.

Os veículos conseguem ainda receber atualizações de software e diagnóstico remoto de avarias, aproximando-se cada vez mais da lógica tecnológica utilizada na indústria automóvel moderna.

Sistema cria ‘cortinas de arrefecimento’ para proteger habitações

Outra das tecnologias desenvolvidas pela empresa utiliza água atomizada para gerar grandes nuvens de arrefecimento térmico.

Na prática, o sistema permite criar verdadeiras ‘cortinas’ de proteção junto de habitações ameaçadas por incêndios florestais, reduzindo a temperatura e atrasando a progressão das chamas.

A tecnologia foi concebida para responder ao aumento dos incêndios de interface, situações em que o fogo atinge diretamente zonas habitacionais.

Exportação representa até 90% da produção

A operar a partir de Esmoriz, a empresa portuguesa tem hoje presença internacional consolidada e exporta veículos para cerca de 40 países.

Segundo responsáveis da empresa, entre 60% e 90% do volume de negócio depende dos mercados externos, tornando a exportação essencial para a sustentabilidade da operação industrial.

Uma das encomendas atualmente em produção envolve 70 viaturas destinadas à Grécia, país que também tem enfrentado incêndios florestais severos nos últimos anos.

Maior feira mundial do setor espera mais de 1650 expositores

A Interschutz 2026 é considerada a principal feira mundial dedicada ao combate a incêndios, proteção civil, resgate e emergência.

A edição deste ano deverá reunir mais de 1.650 expositores de 54 países, funcionando como montra internacional para novas tecnologias de emergência, veículos especializados e soluções de proteção civil.

A empresa portuguesa estará presente no Hall 27, Stand K46, onde deverá realizar demonstrações dos seus principais projetos de inovação.

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Nélson Gomes da Costa
Nélson Gomes da Costa
Licenciado em Ciências da Comunicação, é jornalista há mais de 12 anos, com experiência em jornalismo regional e digital marketing, e passagem por cargos de jornalista, editor de desporto, subeditor e diretor. Apaixonado por desporto e cultura, acompanha de perto o universo tecnológico, explorando tendências como inteligência artificial, plataformas digitais e gadgets.