
Se te interessas mais por smartphones acessíveis, as novidades mais recentes são tudo menos animadoras. Um novo relatório da consultora Omdia aponta que o aumento descontrolado nos preços das memórias RAM (DRAM) e de armazenamento (NAND) está a sufocar as fabricantes e a ditar o fim dos telemóveis bons e baratos como os conhecemos.
Que há uma crise de chips de memória, isso já não é novidade. A questão é que, como prevê a consultora, vai haver uma queda de 12% no mercado global de smartphones já este ano, com os modelos mais económicos a pagarem a fatura mais pesada (via Android Headlines).
A "fatia de leão" que dita as regras do jogo
Para perceberes a dimensão do problema, a estrutura de custos para fabricar um telemóvel mudou radicalmente nos últimos meses. No primeiro trimestre de 2026, a percentagem que as marcas gastam só em memória quase duplicou.
Nos smartphones que custam menos de 400 dólares, as memórias representam agora quase 60% do custo total de fabrico (BOM). Se descermos para os modelos de entrada (abaixo dos 99 dólares), esse valor dispara para uns impressionantes 64%.
Isto deixa as marcas sem margem de manobra. Com tanto orçamento absorvido pela RAM e pelo armazenamento, as fabricantes são obrigadas a seguir dois caminhos:
- Aumentar o preço final do equipamento para o consumidor;
- Cortar na qualidade de outros componentes, como painéis de ecrã inferiores, sensores de câmara mais fracos ou materiais de construção mais baratos.
Segmento premium resiste, mas os telemóveis baratos vão sofrer
O consumidor que procura telemóveis de gama média ou de entrada é, por norma, muito mais sensível ao preço. Por isso, a Omdia prevê uma queda anual superior a 22% no mercado de smartphones abaixo dos 400 dólares: ou seja, cerca de 350 euros. Perante a subida de preços ou a perda de qualidade, muitos utilizadores deverão simplesmente optar por não trocar de aparelho.
Por outro lado, o segmento premium, acima desse valor, deverá manter-se estável. Quem compra um topo de gama tende a tolerar melhor as flutuações de preço, permitindo que marcas como a Apple ou a Samsung absorvam o impacto sem perder o seu público-alvo.
As perspetivas para os próximos trimestres indicam que esta crise de componentes veio para ficar e os analistas apontam que o alívio nos preços só deverá chegar em 2027.
