
A inteligência artificial já consegue escrever código, analisar grandes quantidades de informação e até apoiar profissionais de saúde. Mas Dario Amodei, CEO da Anthropic, acredita que o verdadeiro teste à tecnologia será muito maior: conseguir produzir avanços científicos capazes de mudar vidas.
Dario Amodei quer resultados e não apenas promessas
Numa publicação feita no X, Dario Amodei abordou a crescente desconfiança em relação às empresas de inteligência artificial e admitiu que a indústria ainda não conseguiu cumprir algumas das grandes promessas feitas nos últimos anos.
O responsável da Anthropic considera que dizer que a IA vai curar o cancro já se tornou praticamente um cliché. Para Amodei, a única forma de mudar realmente essa perceção será apresentar resultados concretos.
Segundo o CEO, aquilo que poderá convencer os mais céticos é “curar efetivamente o cancro”, em vez de continuar apenas a falar sobre aquilo que a tecnologia poderá fazer no futuro.
Isto não significa, naturalmente, que o Claude já consiga curar o cancro. A ideia de Amodei passa antes por utilizar modelos de inteligência artificial como ferramentas capazes de acelerar o trabalho de investigadores, analisar dados e ajudar na descoberta de novos tratamentos.
A Anthropic já está a colocar o Claude nas mãos dos cientistas
A aposta da empresa nesta área não fica apenas pelas palavras. A Anthropic tem vindo a aumentar o investimento na utilização do Claude em investigação científica, sobretudo nas áreas da biologia e das ciências da vida.
Em junho, a empresa apresentou o Claude Science, uma plataforma criada especificamente para investigadores. A ferramenta reúne vários recursos utilizados no trabalho científico e pretende reduzir o tempo gasto em tarefas como análise de dados, programação e consulta de diferentes bases de dados.
A Anthropic afirma mesmo que algumas empresas farmacêuticas, biotecnológicas e instituições de investigação já estão a utilizar o Claude para realizar em horas determinados processos que anteriormente podiam demorar semanas.
Além disso, o programa AI for Science da empresa disponibiliza acesso à tecnologia da Anthropic a investigadores que trabalham em projetos científicos de elevado impacto, com especial atenção para a biologia e ciências da vida. Entre as aplicações apontadas estão a análise de dados genéticos, compreensão de sistemas biológicos complexos e aceleração da descoberta de medicamentos.
A utilização da inteligência artificial na medicina também já vai muito além de experiências teóricas. Existem sistemas a serem estudados para ajudar na deteção de doenças, análise de exames e desenvolvimento de medicamentos.
Ainda assim, a própria Anthropic reconhece que os modelos atuais têm limitações. Podem apresentar informações incorretas, cometer erros em tarefas científicas e continuam a necessitar de supervisão de especialistas.
Por isso, a visão de Dario Amodei continua a ser, para já, uma ambição para o futuro e não uma capacidade atual do Claude. A diferença é que a Anthropic parece querer transformar essa promessa num dos principais testes ao verdadeiro impacto da inteligência artificial.