Gypsy - Quando a ética profissional é posta em causa

Rute Ferreira
Gypsy, da Netflix

flix

O enredo intenso que envolve Jean acaba por mostrar que ela é altamente problemática, e que tem vários dramas da sua própria vida por resolver.

A protagonista, não consegue evitar a parcialidade nas situações dos seus pacientes. O que o espectador assiste em cerca de metade das temporada é a uma pessoa com duas vidas.

Com tantas páginas, que nem ele próprio consegue distinguir o que faz parte de Jean como psicóloga ou de outra personagem que "entra" nela. A realidade na própria série é confundida.

Gypsy é uma série dramática, mas com boas bases e um elenco completo. Mais uma, da Netflix...

As várias realidades que Jean "assume" ainda se tornam mais evidentes quando se envolve sexualmente com Sidney (Sophie Cookson), a ex-namorada de um paciente seu, Sam (papel interpretado por Karl Glusman). Sidney é, sem dúvida, um papel de grande densidade dramática e muito bem representado por Sophie Cookson.

Gypsy, torna-se mais densa quando é claro que Jean ultrapassa a ética profissional, quebrando o código deontológico. A falta de discernimento da psicóloga acaba por levá-la a duvidar de si própria e ocorre ao próprio espectador duvidar também, qual personagem é a verdadeira Jean. É constante a dualidade entre o ser e o parecer, entre o viver o agora e o abdicar de certos momentos, entre o fazer o certo ou "saborear" o errado.

Apesar da batalha intensa que Jean vive na série, o que Naomi entrega a Gypsy ainda deixa um pouco a desejar. Sabe-se que Naomi Watts consegue interpretar na perfeição personagens arrojadas e fortes (como o fez em Mulholland Drive).

A actriz nomeada duas vezes aos Óscares pelas suas interpretações nos filmes 21 Gramas e O Impossível, acaba por ser a surpresa menos surpresa da série, apesar do papel dramaticamente poderoso de Jean.

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