EUA deixam cair acusações de fraude bancária à CFO da Huawei

Rui Bacelar
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Meng Wanzhou, diretora financeira (CFO) da Huawei, viu recentemente o arquivamento e desistência das acusações de fraude bancária pelas instâncias judiciárias dos Estados Unidos da América. A herdeira da Huawei, filha do seu fundador, Ren Zhengfei, estava detida no Canadá desde 2018, terminando assim quatro anos de privações para esta alta figura da tecnológica chinesa.

Segundo avança a agência Reuters, Ren Zhengfei e a executiva firmaram um acordo com os Procuradores norte-americanos no sentido de fazer cessar todas as queixas criminais apontadas em 2018. Meng está agora livre após a petição de desistência colocada pelos procuradores da nação norte-americana junto das instâncias judiciais competentes.

Detenção de Meng Wanzhou em 2018 agravou as tenções entre a China e os EUA

Meng Wanzhou CFO Huawei
Meng Wanzhou, diretora financeira (CFO) da Huawei. Crédito: @Reuters

O acordo entre as partes foi firmado a 1 de dezembro, tal como apontou a Reuters. Citando uma comunicação postal enviada por Carolyn Pokorny, Procuradora dos Estados Unidos da América em Brooklyn, datada de 1 de dezembro e endereçada à meritíssima juiz Ann Donnelly com o pedido de desistência das queixas previamente formuladas contra Meng Wanzhou.

Este desfecho já era tido como esperado, vindo porém encerrar uma das fases mais tensas nas relações sino-americanas. Ainda que ambas as superpotências continuam a disputar o lugar cimeiro no mercado tecnológico e económico globalmente, este dissídio chega agora ao fim.

O libelo teve origem nas acusações de fraude bancária, bem como outros crimes, de modo a ludibriar a instituição bancária HSBC Holdings Plc. Tudo isto, alegava a acusação, de modo a mascarar os negócios da Huawei com o Irão, regime alvo de sanções económicas impostas pelos Estados Unidos da América.

CFO da Huawei admite ter prestado falsas declarações relativamente ao Irão

Parte integrante do acordo entre as partes, que levaria à desistência de todas as acusações, foi a admissão de culpa em parte das declarações prévias da executiva.

Mais concretamente, Meng Wanzhou, admitiu ter prestado falsas declarações prestadas a um dos executivos do banco em questão relativamente às negociações entre a Huawei e o Irão em 2013.

Estas declarações foram prestadas numa declaração de factos em que a CFO da Huawei acordou em, voluntariamente, constatar a verdade, sem contradições no seu testemunho.

Filha do fundador da Huawei esteve cerca de 3 anos em prisão domiciliária no Canadá

As queixas e acusações contra a Huawei incluíam diversos crimes de índole fiscal. Com efeito, desde fraude bancária, roubo de propriedade intelectual a empresas norte-americanas, bem como objeções à justiça. Tudo quanto foi refutado por Meng Wanzhou.

Não obstante, face às alegadas atividades da CFO da Huawei, as relações entre os EUA e a China atingiriam um ponto de rutura. Como resultado, o departamento de Comércio dos EUA colocaria a Huawei na sua lista negra de entidades barradas.

Em concordância, também a FCC norte-americana barraria a venda de novo equipamento de redes pela Huawei, aplicando-se o mesmo aos seus equipamentos de telecomunicações. Para a fabricante chinesa foi o início do seu desaire fora da China.

Por fim, de momento a equipa legal de Meng optou por não prestar declarações, seguindo a empresa o mesmo exemplo até ao momento. Em suma, não sendo ilibada pelos EUA, temos sim uma desistência das acusações.

U.S. judge dismisses indictment against Huawei CFO that strained U.S.-China relations https://t.co/wvqwc6FQnw pic.twitter.com/8VjOhFZAN5

— Reuters (@Reuters) 2 de dezembro de 2022

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
Na escrita e comunicação repousa o gosto, nas leis a formação. Ocupa-se com a atualidade tecnológica na 4gnews. Email: ruibacelar@4gnews.pt