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Estas boxes de TV vinham com malware de fábrica e usavam a tua Internet sem autorização

Mais de 1,3 milhões de boxes de TV vinham com malware de fábrica que permitia explorar os equipamentos e as ligações à Internet sem autorização dos utilizadores.

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Fonte: unsplash

Uma box ligada à televisão pode estar a ser utilizada para atividades criminosas sem que o proprietário tenha instalado uma aplicação suspeita. Foi isso que revelou uma operação contra a rede XCPE, anunciada a 2 de novembro, que envolveu equipamentos em mais de 200 países.

Segundo o comunicado divulgado pela Trend Micro, uma das entidades envolvidas, o software malicioso estava integrado no firmware, o software responsável pelo funcionamento básico das boxes, antes de estas chegarem aos compradores.

O problema já vinha dentro da box

Os equipamentos comprometidos davam acesso remoto aos operadores da rede e permitiam explorar as ligações domésticas à Internet. Tudo acontecia sem um pedido de consentimento, uma notificação ou uma opção para recusar.

Entre as atividades identificadas estavam a fraude publicitária e a utilização das boxes como intermediários para encaminhar tráfego de terceiros. Na prática, a ligação à Internet de uma casa podia servir de saída para atividades realizadas por outras pessoas.

Este tipo de ameaça tem antecedentes, incluindo a rede BadBox 2.0, que motivou um alerta do FBI. A novidade está na operação contra a XCPE e nas conclusões sobre a responsabilidade do fabricante.

Google acusa fabricante de instalar o acesso malicioso

Na sua investigação oficial, a Google afirma ter um elevado grau de confiança de que a Videostrong desenvolveu e operou deliberadamente esta rede para obter receitas, vendendo acesso a parceiros criminosos.

A empresa cortou relações com a fabricante e proibiu-a de produzir equipamentos com aplicações Google pré-instaladas. Também alterou os seus testes de segurança, depois de concluir que eram utilizadas técnicas para esconder o código e carregá-lo após o primeiro arranque.

Outro detalhe preocupante é a persistência: segundo a análise, remover o componente instalado não bastava, porque este podia voltar a ser instalado quando a box reiniciava.

A operação não significa que todas as boxes ficaram limpas

As entidades envolvidas interromperam infraestruturas usadas para controlar os equipamentos. Isso não equivale a confirmar a remoção do malware de cada box.

Também não se deve assumir que qualquer box Android está afetada. O relatório refere diferentes modelos e marcas, mas os dados aqui apresentados não permitem confirmar quantos equipamentos comprometidos existem em Portugal.

Para quem suspeite do seu equipamento, a medida prudente é desligá-lo da Internet enquanto procura esclarecimentos sobre o modelo e o firmware junto do vendedor ou fabricante.

Miguel Vieira
Miguel Vieira
Miguel Vieira é colaborador no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.