
As previsões confirmaram-se e o preço dos combustíveis em Portugal aumentou esta segunda-feira, dia 6 de julho. O preço médio do litro de gasolina aumentou 1 cêntimo, enquanto o do gasóleo aumentou 3 cêntimos.
É uma situação contraditória, até porque, com o aliviar das tensões entre Estados Unidos e Irão, e com a reabertura do estreito de Ormuz, o suposto era o preço descer. No entanto, a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) explica porque é que isso não acontece.
A razão evocada pela ENSE
A ENSE esclarece que a descida dos preços dos combustíveis é mais lenta do que a queda da cotação do petróleo devido aos custos da refinação e à escassez de armazenagem na Europa (via SOL).
A justificação foi avançada à agência Lusa, após a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, ter anunciado que o Executivo pediu uma análise detalhada à evolução dos preços, por considerar que estes não estão a acompanhar a descida da cotação do petróleo ao mesmo ritmo a que aumentaram.
Questionada sobre a existência de uma investigação específica, a ENSE não confirmou um processo em curso, mas sublinhou que acompanha semanalmente os Preços de Venda ao Público (PVP) e os Preços de Referência (PR), servindo de apoio à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).
Segundo o regulador, a monitorização dos preços tem em conta vários fatores complexos:
- Evolução dos custos dos produtos refinados nos mercados internacionais.
- Preço CIF, que engloba o custo, seguro e frete da mercadoria.
- Custos do transporte marítimo e o impacto da incorporação de biocombustíveis.
- Carga fiscal, nomeadamente o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) e o IVA.
O impacto da crise internacional e da fiscalidade
A ENSE revelou ainda que, desde o início da crise relacionada com o Estreito de Ormuz, os custos dos produtos refinados aumentaram cerca de 25% no caso do gasóleo e 35% na gasolina.
Apesar desse agravamento, a entidade salienta que a carga fiscal se manteve "praticamente" inalterada durante esse período, o que ajudou a reduzir o impacto do aumento dos preços para os consumidores.
A expectativa é que os preços baixem novamente, mas mais perto do final do ano de 2026.
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