Entrevista 4gnews - José Correia, Diretor de Produto da Samsung: "A prioridade é manter a liderança de mercado"

Bruno Coelho
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A Samsung é líder incontestada do mercado mobile em Portugal há vários anos. Após a pandemia, e com marcas como a Xiaomi ou a Apple sempre à espreita, quisemos perceber como olha esta bem conhecida dos portugues para o nosso mercado.

Numa conversa que começa sobre as prioridades e expectativas da Samsung para os próximos anos no mercado português, falamos com José Correia, Diretor de Produto da Samsung Portugal. No ano em que a Samsung cumpre 40 anos de presença em Portugal, são revelados alguns números, ideias e estratégias da marca para continuar a liderar no futuro. Podes ler a entrevista exclusiva 4gnews na íntegra abaixo.

José Correia, Diretor de Produto da Samsung Portugal
José Correia, Diretor de Produto da Samsung Portugal

Qual é a grande prioridade da Samsung atualmente no mercado português?

A nossa grande prioridade é manter a liderança de mercado. Prevemos que este cresça entre 5% a 7% este ano, pelo que o objetivo é crescer acima deste valor, reforçando o nosso posicionamento no sentido de ganhar quota. Isso passará por um reforço no segmento premium, ao mesmo tempo que aumentamos o número de elementos do nosso ecossistema de produtos nas casas dos portugueses.

A interligação de smartphones, wearables, televisões e eletrodomésticos da marca traz grandes vantagens para os consumidores, pelo que existe aqui uma grande oportunidade de crescimento para a Samsung através do seu ecossistema aberto.

A pandemia veio alterar o comportamento do consumidor, que passou a dar mais valor à qualidade e a preferir equipamentos com maior valor acrescentado, que tragam benefícios claros para o dia a dia.

Quais são as expectativas da Samsung para o mercado português nos próximos cinco anos?

As nossas expectativas são muito animadoras. Nesta altura, em que já estamos a sair da pandemia, podemos dizer que reforçamos de forma clara a nossa presença no mercado e isso dá-nos razões para sorrir, sendo um indicador claro de que a estratégia definida para o nosso país é a mais correta.

Olhando também para os novos produtos e categorias que temos alinhadas para o futuro próximo, deixa-nos ainda mais confiantes. Também somos, de certo modo, alvo de um elevado grau de expetativa por parte dos nossos atuais e potenciais consumidores da Samsung.

Esperam de nós um compromisso constante com a inovação, estabelecendo novas referências tecnológicas e superando as expectativas através de uma experiência personalizada a cada utilizador. Isso dá-nos uma motivação extra para continuar a corresponder a todas estas expectativas.

Além dos smartphones, qual a categoria de produto que mais sucesso tem em Portugal?

Em Portugal, a área de mobilidade tem presente três grandes categorias: smartphones, tablets e wearables. A categoria de smartphones é claramente a maior, seguindo-se, ao nível de receita, a categoria de Tablets.

Mas se olharmos de um ponto de vista de dinamismo, a categoria de Wearables é aquela que regista maior crescimento, resultado da excelente integração com outros dispositivos com especial relevância para o smartphone.

Isto faz com que os consumidores fiquem cada vez mais confortáveis em expandir o seu universo de produtos Samsung, que funcionam e se relacionam entre eles de uma forma simples, personalizada e integrada.

Como estão a ser as vendas da série Galaxy S22 em Portugal?

As vendas estão excelentes e posso mesmo dizer que superaram em muito as nossas melhores expectativas. O consumidor português respondeu de forma muito positiva a estes novos equipamentos, sendo que o modelo Ultra é claramente o preferido dos portugueses.

Também pela integração da tão aclamada S Pen, que fez reativar em muito o interesse dos nossos leais consumidores da gama Note. O Galaxy S22 é sem dúvida uma aposta ganha e um grande sucesso de vendas.

Qual o smartphone mais vendido em Portugal? Qual a razão para ser esse equipamento em específico?

O mercado português é ainda um mercado com uma grande concentração de volumes abaixo dos 200 € e, nesse sentido, quando nos referimos a unidades vendidas, os modelos de entrada são forçosamente os que mais vendem. Em 2021, o smartphone que mais vendeu em Portugal foi o Galaxy A12.

O facto de oferecer toda a experiência Galaxy, aliado a um excelente compromisso de qualidade/preço, são as principais razões para este sucesso. Este é um equipamento que corresponde facilmente a todas as necessidades do típico utilizador de smartphone. Que na sua utilização normal, assegura com esta compra padrões de qualidade e segurança muito acima de ofertas concorrentes na mesma gama de preço.

Samsung
José Correia, Diretor de Produto da Samsung Portugal

Como avaliam a receção aos smartphones dobráveis em Portugal? Qual o modelo da linha Galaxy Z com maior sucesso junto dos consumidores?

Como é conhecido, em 2021 fizemos uma forte aposta numa nova gama de smartphones dobráveis. Focando toda a nossa estratégia no lançamento desta nova tipologia de produto. Não só do ponto de vista de demonstração de conceito, mas também com a ações de experimentação e ativações de produto cujo propósito foi gerar maior confiança e conhecimento sobre os benefícios deste novo formato de ecrã dobrável.

Esta decisão revelou-se a mais correta, com o consumidor português a receber muitíssimo bem esta nova categoria de produtos, em particular o Galaxy Z Flip3. Naturalmente, temos ainda muito trabalho pela frente, no que diz respeito a aumentar a notoriedade destes novos equipamentos. Assim como a necessidade de dissipar quaisquer dúvidas quanto à resistência e usabilidade destes novos formatos.

Os estudos que temos demonstram claramente que os utilizadores da série Galaxy Z são os seus principais recomendadores. Nesse sentido, estamos confiantes no caminho que temos percorrido e esperamos, numa futura geração, implementar algumas das aprendizagens que temos recolhido em lançamentos anteriores..

O que representa para a Samsung o segmento de smartphones dobráveis? Qual a visão de futuro para este nicho em aparente crescimento?

Para a Samsung este segmento representa o futuro. O seu “form factor” é sem dúvida o elemento diferenciador que vai, juntamente com a adoção do 5G, ditar o crescimento do mercado e a Samsung está claramente focada em liderar esta nova vaga de inovação da indústria.

Estamos a trabalhar diariamente no sentido de continuar a desenvolver esta categoria, seguros de que continuaremos a trazer ainda mais e melhores novidades para os nossos consumidores. Estamos sem dúvida empenhados em desafiar as barreiras do progresso.

A Samsung continuará a usar processadores Exynos nos seus produtos de referência na Europa? O que impede a utilização de modelos equiparáveis da Qualcomm, como fazem nos Estados Unidos?

A estratégia de utilização de processadores é definida mediante o equipamento em questão. Nada nos impede de utilizar processadores da Qualcomm, como se verifica até pelos processadores utilizados na nossa gama de Foldables e até no Galaxy S21 FE.

O nosso foco é continuar a oferecer a melhor experiência de utilização, independentemente do processador utilizado. Todos eles são submetidos a rigorosos testes e cenários de utilização para oferecer um desempenho consistente e ideal durante todo o ciclo de vida do dispositivo em questão.

Numa altura em que marcas como a Xiaomi crescem cada vez mais no nosso país, o que pode diferenciar a Samsung para continuar a ser a preferida dos portugueses?

Este ano a Samsung cumpre 40 anos em Portugal. Um longo histórico que nos deixa bastante orgulhosos e prontos para o futuro. Somos uma marca de confiança e muito querida pelos portugueses. Quando compram a nossa marca, os portugueses sabem que vão encontrar a melhor tecnologia de ecrãs, câmaras e processadores, que juntamente com a interface One UI oferecem uma experiência de utilização única.

Quarenta anos é sinónimo de fiabilidade e garantia na qualidade de produto, naquilo que é entregue face às expetativas que nos colocam. Seja pela indústria, pelo histórico que temos e por cada um nos nossos utilizadores em Portugal. Isto resulta de longas parcerias e agilidade nos processos. Em Portugal temos também implementada uma das maiores e mais robustas estruturas do segmento, o que nos permite um nível de resposta claramente superior.

Ao nível de produto temos também preocupações de privacidade e segurança, sendo que somos a única marca em Portugal certificada pelo Gabinete Nacional de Cibersegurança. O que num dispositivo onde transportamos cada vez mais a nossa informação confidencial é seguramente um elemento diferenciador.

De salientar que todos os equipamentos Samsung têm atualizações de software e segurança. O que garante uma maior longevidade e uma maior garantia que os utilizadores dos nossos produtos estão mais do que preparados para o presente e para o futuro.

Por último, importa referir que todo o nosso ecossistema de mobilidade e equipamentos para a casa, suportados pela plataforma SmartThings, permite-nos viver uma experiência segura e conectada que facilita o dia a dia dos nossos utilizadores.

Recentemente vários smartphones da Samsung passaram a oferecer quatro anos de atualizações Android, que nem a própria Google oferece. A Samsung quer com isto fortalecer a confiança dos consumidores?

Sem dúvida que sim! Além das atualizações de software, iremos também disponibilizar atualizações de segurança, que podem ir além dos quatro anos. Isto é importante porque os consumidores fazem escolhas cada vez mais informadas e conscientes, e a garantia de que um equipamento vai estar atualizado e seguro durante todo o seu período de vida útil é fundamental.

Somos uma marca próxima da nossa comunidade e damos muito valor a isso. Pelo que, mesmo depois da compra, a Samsung assegura que o produto está ajustado para utilizações futuras e estamos próximos da comunidade em detetar pontos de melhoria e sermos ativos em garantir esse mesmo serviço de apoio de software e segurança.

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Bruno Coelho
Bruno Coelho
Vive entre a paixão pela escrita, a música e a tecnologia. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade da Beira Interior em 2015, e fez parte da equipa que fundou o Jornal de Belmonte. Produziu vários podcasts independentes pelo caminho. Come especificações ao pequeno-almoço.