O mercado de venda de carros em Portugal continua em crescimento e cada vez mais condutores sentem o cheiro a novo no veículo. Mas ainda que a sensação seja boa para a maioria das pessoas, um estudo realizado na Alemanha chama a atenção para problemas.
A pesquisa concluiu que vários automóveis novos libertam substâncias químicas para o habitáculo, especialmente quando expostos ao calor e à luz solar direta. Em alguns casos, os níveis detetados ultrapassaram os futuros limites europeus previstos para substâncias consideradas potencialmente cancerígenas.
Estudo analisou químicos presentes no interior de carros novos
A investigação foi conduzida pelo ADAC em parceria com o Instituto Fraunhofer para a Física de Construção e teve como foco os chamados compostos orgânicos voláteis (VOC).
Estas substâncias são libertadas para o ar à temperatura ambiente e estão frequentemente presentes em plásticos, adesivos, tintas, espumas dos bancos, produtos de limpeza e revestimentos têxteis.
Segundo os investigadores, é possível encontrar mais de 150 compostos químicos diferentes dentro de um carro novo. O estudo alerta que concentrações elevadas destes compostos podem afetar o bem-estar dos ocupantes. Entre os sintomas associados estão: dores de cabeça, irritação das mucosas e desconforto respiratório.
Os investigadores deram especial atenção ao formaldeído, benzeno e outros hidrocarbonetos aromáticos. Substâncias estas que podem apresentar potencial cancerígeno.
A investigação incidiu sobre quatro modelos novos: BYD Seal 6 DM-i Touring, Dacia Spring, Hyundai Kauai Hybrid e Volkswagen Golf eTSI. Os testes foram também realizados em cenários diferentes, mais especificamente com a temperatura ambiente a 23ºC, com veículos estacionados ao Sol e ainda com o ar condicionado e ventilação ativos.
Calor faz mal, ar condicionado melhora
Os resultados mostram que os níveis de poluentes aumentam bastante quando os carros ficam estacionados ao calor. No modo estacionado todos os modelos excederam os futuros limites de formaldeído. O BYD e o Volkswagen Golf analisados aos 39 dias apresentaram valores cerca de cinco vezes acima dos limites previstos. Já o Hyundai e o Volkswagen reavaliados após 200 dias obtiveram os melhores resultados.
Uma das conclusões mais relevantes do estudo é que o ar condicionado pode ajudar significativamente a reduzir os níveis de químicos no interior do carro. Segundo o ADAC, a recirculação de ar mostrou-se especialmente eficaz na redução de, benzeno, formaldeído e outros VOCs. Ainda assim, apenas o Volkswagen Golf após 200 dias conseguiu cumprir os valores recomendados para VOCs totais com o ar condicionado ativo.
De uma forma geral, o Dacia Spring e o Hyundai Kauai Hybrid foram os modelos com melhores resultados globais, mantendo-se frequentemente abaixo ou próximos dos futuros limites europeus. Já o modelo da BYD registou níveis elevados de xilenos em diferentes cenários.
União Europeia vai apertar regras a partir de 2027
A partir de agosto de 2027, a União Europeia vai impor limites mais rigorosos para a presença de formaldeído em automóveis novos. O composto, classificado como carcinogénico, só poderá estar presente em concentrações muito reduzidas no interior dos veículos vendidos na Europa.
O ADAC defende que os fabricantes de automóveis devem adotar medidas mais rigorosas, sobretudo para proteger os grupos mais vulneráveis, como crianças e pessoas com problemas respiratórios.
