Durante anos, o segredo das plataformas chinesas foi simples: enviar encomendas pequenas diretamente para o consumidor final sem pagar taxas.
Nos Estados Unidos, a regra chamava-se de minimis e permitia que qualquer encomenda abaixo de 800 dólares entrasse sem impostos. Na União Europeia, o limite era 150 euros. Nenhuma loja portuguesa conseguia competir com isso.
O que já mudou nos Estados Unidos
Em abril de 2025, Donald Trump eliminou a isenção de minimis, uma regra que permitia a entrada nos Estados Unidos de encomendas até 800 dólares, cerca de 695 euros, sem pagamento de taxas de importação.
Com esta alteração, estas encomendas passaram a pagar uma taxa de 90% ou uma tarifa fixa de 75 dólares, cerca de 65 euros. Em junho, esse valor subiu para 150 dólares, cerca de 130 euros.
De acordo com dados da Sensor Tower fornecidos à Reuters, as vendas da Shein caíram 23% e as da Temu 17% na semana seguinte à entrada em vigor das novas tarifas. O preço médio dos produtos da Shein subiu entre 30% e 50%. Nos artigos de beleza e saúde, o aumento foi superior a 100%.
Com o mercado americano a fechar, as plataformas chinesas redirecionaram o investimento publicitário para a Europa. Segundo dados da Sensor Tower, a Shein aumentou o investimento em publicidade no Reino Unido e França em 35% em apenas um mês. A Temu fez o mesmo, com aumentos de 40% em França e 20% no Reino Unido.
O que muda em Portugal a partir de julho de 2026
A União Europeia decidiu seguir o mesmo caminho. A partir de 1 de julho de 2026, todas as encomendas com valor inferior a 150 euros vindas de fora da UE passam a pagar uma taxa fixa de 3 euros. A medida aplica-se diretamente a plataformas como a Temu, a Shein e o AliExpress.
Três euros pode parecer pouco. Mas num produto de 5 euros representa um aumento de 60% no custo real da compra. E os controlos aduaneiros mais rigorosos que acompanham a medida vão aumentar também os tempos de entrega.
Para os consumidores portugueses, a DECO Proteste alertou para o impacto concreto desta mudança nos hábitos de compra online, recomendando que se pese bem se a poupança ainda compensa face ao custo adicional e ao risco de esperar mais tempo pela encomenda.
A Temu tem mais problemas do que as tarifas
Para além das taxas, a Temu foi multada pela Comissão Europeia em 200 milhões de euros por falhar na deteção de produtos perigosos vendidos na plataforma. A empresa tem até agosto de 2026 para apresentar um plano de correção. Se não o fizer, arrisca novas sanções ao abrigo da Lei dos Serviços Digitais.
O que isto significa na prática é que a pressão sobre estas plataformas vem de vários lados ao mesmo tempo: tarifas, fiscalização de produtos e regulação digital. Não é um problema temporário, é uma mudança estrutural.
O que podes fazer
A alternativa mais direta é comprar em lojas sediadas na União Europeia, onde os produtos já incluem IVA e cumprem normas de segurança europeias. A Amazon tem vindo a posicionar-se para absorver parte destes compradores,com compras cada vez mais difíceis nas plataformas chinesas e novos programas de preços competitivos em produto selecionado.
O modelo das pechinchas sem impostos teve uma duração limitada. Quem perceber isso mais cedo tem mais tempo para adaptar os hábitos de compra antes que o impacto apareça na carteira.
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