Apple, Google e Samsung: as diferentes abordagens à IA

Mónica Marques
Mónica Marques
Tempo de leitura: 3 min.

A Inteligência Artificial (IA) já deixou o mundo do cinema e é agora uma realidade diária para uma grande parte da população mundial. Também o mundo dos smartphones está já a adotar esta tecnologia, apresentando novos atributos bastante sedutores.

Samsung e Google estão a ser pioneiras na adoção da tecnologia IA nos seus equipamentos móveis ao trazer para o mercado inovações bastante úteis e práticas para uma experiência mobile otimizada.

A Apple irá entrar na corrida IA só no mês de setembro, mostrando-se mais cautelosa com esta tecnologia. Neste artigo, vamos mostrar-te as três abordagens diferentes que estes gigantes tecnológicos fizeram à mais recente tecnologia sensação global.

Google aposta no código aberto

imagem alusiva à tecnologia de Inteligência Artificial
Google e Samsung estabeleceram uma parceria que já mostrou resultados práticos em novas funcionalidades baseadas em IA nos smartphones de topo das duas marcas Crédito@GerdAltmann/Pixabay

As três gigantes tecnológicas optaram por estratégias diferentes na adoção da tecnologia de Inteligência Artificial, com a Google a apostar os seus trunfos numa abordagem de código aberto, baseado em dados e independente da plataforma.

Esta empresa norte-americana conta com os modelos Gemini e LaMDA que dão prioridade a conjuntos de dados massivos e executam um processamento incrível todo baseado em nuvem.

Melhor: a Google está a integrar a tecnologia IA em todo o seu ecossistema, no qual se incluem os equipamentos Pixel, o sistema operativo Android e uma mão-cheia de aplicações.

A grande vantagem desta estratégia é que a Google consegue aumentar significativamente as suas capacidades nas áreas de pesquisa e desenvolvimento. Obtém também uma reserva de dados substancial que depois vão permitir que crie produtos baseados em IA, mais à medida dos utilizadores.

Pelo lado negativo, dois pontos. Em primeiro lugar, a Google poderá ter de lidar com algumas questões relacionadas com a privacidade, sobretudo no mercado da União Europeia, devido à legislação mais rígida.

Como segundo ponto, a potencial fragmentação da sua tecnologia IA integrada no sistema operativo Android. Isto porque, à exceção dos modelos Pixel, todos os smartphones das outras marcas colocam sempre uma interface sob o sistema operativo da Google que pode afastar algumas potencialidades.

Samsung foca-se na experiência do utilizador

Todas as dúvidas sobre a abordagem da Samsung a esta tecnologia foram esclarecidas com o lançamento da série de smartphones Galaxy S24. Os novos modelos refletem a aposta da marca no hardware, com a IA a ser integrada diretamente nos dispositivos.

A marca sul-coreana disponibilizou várias novas funcionalidades, na fotografia, pesquisa e produtividade, que se centram sobretudo em melhorar a experiência do utilizador, proporcionando mais conveniência e também mais personalização.

A grande vantagem é que este tipo de integração fornece uma sinergia bastante forte entre hardware e software que depois permite que a marca ofereça inovações rápidas.

No entanto, a Samsung atualmente está muito dependente de tecnologia proprietária, o que significa que vai avançar nesta área ao ritmo da capacidade do seu departamento de inovação e desenvolvimento. Esperemos que este tenha um ritmo acelerado.

Uma nota positiva ainda para a parceria entre a Google e a Samsung que pode também funcionar na área de tecnologia IA e produzir resultados que aliem o melhor das duas abordagens.

Apple privilegia a privacidade

Historicamente, a Apple já nos mostrou que dá prioridade à privacidade e a tecnologia de IA não é uma exceção. Aliás, o facto de a empresa de Tim Cook privilegiar este ponto, está a ditar uma entrada mais tardia da Apple no universo de IA.

De acordo com os rumores, será o iOS 18 que vai trazer as tão desejáveis funcionalidades IA com uma Siri renovada e alimentada a Inteligência Artificial. Será em junho deste ano que vamos conhecer estas novidades na edição da conferência WWDC.

A grande vantagem que a Apple fornece aos utilizadores é a prática sólida no que respeita à privacidade e segurança dos dados fornecidos. A empresa é também conhecida pelas suas interfaces com bom desempenho e intuitivas e parece que também aqui essa será uma premissa que vai ser cumprida.

Pelo lado menos positivo, à semelhança do que acontece com todas as outras tecnologias da marca, a Apple não trabalha em código aberto e está totalmente dependente do seu desenvolvimento interno.

Estas são as abordagens de três dos principais players globais do mercado mobile. Quando for a altura de substituíres o teu smartphone por um novo modelo com capacidades IA, tem estes pontos em consideração para fazeres a escolha mais adequada às tuas preferências e necessidades.

Mónica Marques
Mónica Marques
Ao longo de mais de 20 anos de carreira na área da comunicação assistiu à chegada do 3G e outros eventos igualmente inovadores no mundo hi-tech. Em 2020 juntou-se à equipa do 4gnews. monicamarques@4gnews.pt