A mobilidade urbana na capital portuguesa acaba de sofrer uma alteração. Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, decidiu suspender o serviço de trotinetes partilhadas na cidade, ao pôr um travão no que considera ser um cenário insustentável nas vias públicas. Isto numa legislação que muitas vezes confunde o utilizador.
Através de um vídeo publicado nas redes sociais, o autarca foi perentório ao classificar o atual estado do estacionamento indevido na capital, ao afirmar que este "é uma vergonha e vai acabar". A medida surge como resposta direta ao caos operacional provocado pelas empresas que exploram este mercado e ao aumento do risco para os peões.
Na mesma declaração, o responsável autárquico justificou a suspensão com a degradação da segurança e da organização do espaço público. Nas suas palavras, "o sistema como está não está a funcionar. São trotinetes em contramão, comportamentos perigosos, mais acidentes e trotinetes abandonadas no espaço público".
Autarquia recolhe mais de 1200 trotinetes abandonadas mensalmente
A dimensão do problema logístico reflete-se nos números operacionais da própria autarquia, que se vê obrigada a recolher mensalmente mais de 1200 trotinetes abandonadas nos passeios e ruas de Lisboa. Os dados mais recentes partilhados pela Guarda Nacional Republicana mostram um cenário preocupante para quem partilha a estrada com estes veículos.
Entre 2019 e 2025, as autoridades registaram 1900 acidentes que envolvem trotinetes elétricas na via pública. Deste volume de sinistros resultaram dez vítimas mortais, com um pico alarmante de cinco mortes apenas no ano de 2023.
A par da decisão camarária em Lisboa, o cerco aos utilizadores de trotinetes e bicicletas elétricas está a apertar a nível nacional. No dia 1 de outubro, a Assembleia da República aprovou na generalidade um projeto de lei do PSD, originalmente apresentado em maio, que pretende mudar as regras de circulação.
Capacete poderá ser obrigatório para condutores de trotinetes e bicicletas elétricas
O documento, que se encontra agora em fase de especialidade, vai tornar obrigatório o uso de capacete para todos os condutores de trotinetes e bicicletas com motor elétrico. Quem não cumprir a nova lei enfrentará coimas pesadas.
Para os utilizadores de trotinetes, as multas vão oscilar entre os 60 e os 300 euros. Já no caso das bicicletas com motor, as sanções previstas fixam-se entre os 30 e os 150 euros. O mesmo diploma exige ainda o uso de vestuário ou equipamento refletor sempre que circules entre o anoitecer e o amanhecer, ou em condições meteorológicas que limitem a visibilidade nas estradas.
