
Nos últimos tempos, temos assistido de poltrona a uma autêntica redefinição do que é uma bateria grande num telemóvel. Há bem pouco tempo, uma célula de 5.000 mAh parecia muito, ou aceitável pelo menos, hoje já começa a saber a pouco.
Isto, se a compararmos com os telemóveis de marcas chinesas como Realme, Xiaomi ou Honor, que já vão atingindo valores impensáveis de 8.000 mAh, 10.000 mAh ou até mesmo 15.000 mAh.
O "truque" por detrás deste enorme crescimento das baterias
Perante baterias com tantos mAh, a tendência é supor que o volume da bateria aumenta consideravelmente. Ora, não é isso que acontece e há uma razão muito simples para tal: marcas como a Honor (e companhia) usam tecnologia de silício-carbono.
Note-se que esta é uma alternativa face ao lítio, que estava presente em praticamente todas as baterias. O silício-carbono tem uma maior densidade energética, o que faz com que, na prática, para um mesmo tamanho de bateria, consigas ter mais do dobro dos mAh, se for preciso.
Por conseguinte, isto tende a significar mais autonomia. Já vamos vendo telemóveis com autonomia de cerca de 4 dias, o que há bem pouco tempo parecia mera ficção.
Samsung e Apple ficam para trás
O mais curioso nisto é que a Samsung e a Apple ficam para trás nesta corrida de quem oferece mais mAh na bateria. São as duas maiores marcas de smartphones, e as que mais vendem, mas continuam a apostar no lítio em detrimento do silício-carbono.
A verdade é que, em termos de vendas, não se têm ressentido. Ou seja, os relatórios recentes como top-10 de telemóveis mais vendidos continuam a mostrar-nos que a Apple e a Samsung são hegemónicas, com mais ou menos bateria.
É claro que a autonomia e a eficiência de um smartphone não depende apenas dos mAh. Um bom processador é chave, para além da forma como o próprio utilizador opera o telemóvel. Mesmo assim, é uma tendência evidente no mercado e que tem merecido a atenção de muitos.
Porque é que a Samsung e a Apple não se juntam à corrida?
Várias razões poderíamos encontrar para responder a esta pergunta. No entanto, é possível que a Samsung ainda carregue o "trauma" do Galaxy Note 7, em que os testes internos com células experimentais de alta capacidade revelaram problemas de inchamento das baterias.
Já no caso da Apple, diz-nos o histórico que o seu modelo de negócio assenta em controlar toda a experiência, o que exige que a tecnologia esteja completamente madura antes de entrar num iPhone. Talvez pelo facto da tecnologia silício-carbono estar numa fase embrionária, a Apple não aposte, para já, nesta tecnologia.