Lente perfeitaA “lente perfeita” será capaz de ampliar o objecto orgânico até sermos capazes de discernir as células e os vírus, mantendo ao mesmo tempo o custo de produção relativamente baixo. Esta é uma utopia que acabou de ficar mais perto da realidade graças ao trabalho dos investigadores da Michigan Technological University (MTU) e aos seus parceiros da Washington University em St. Louis, EUA.

Aquele que é um dos sonhos de todos a ciência óptica, criar uma lente deste género tem sido impossível devido a inúmeras complicações desde que o conceito foi apresentado como uma mera teoria, há 15 anos atrás. Como termo de comparação pensem num microscópio capaz de chegar à escala dos manómetros, um dispositivo que actualmente custa perto de 1 milhão de dólares. Ora, esta “super-lente” seria capaz de proporcionar o mesmo nível de ampliação com resultados semelhantes mas com um custo incrivelmente reduzido.

Esta lente perfeita seria construída com “metamateriais” (materiais artificiais especialmente concebidos para interagir com a luz). Neste caso em concreto, o material base seria a prata, posteriormente trabalhada à nano-escala para se comportar como o vidro que todos conhecemos. Os raios luminosos seriam assim capazes de atravessar o metal em vez de serem reflectidos por ele, aumentando assim exponencialmente o poder óptico das lentes.

   

As lentes convencionais em vidro deparam-se com alguns problemas sempre que são utilizadas para ampliar objectos extremamente pequenos, algo na escala dos 200 nanómetros, a partir daí já não conseguem representar correctamente a imagem. Pensemos por exemplo nas imagens de Plutão que têm feito inúmeras manchetes e foram capturadas pela sonda Novos Horizontes que por lá perto passou. Até agora até um dos nossos telescópios ópticos mais poderosos, o Hubble, só conseguia representar este planeta anão como uma mescla de pixels mal definida porque simplesmente não tinha resolução suficiente.

Os investigadores conseguiram agora resolver um dos principais problemas no desenvolvimento desta lente perfeita, conseguiram com que os raios luminosos atravessassem uma destas lentes sem serem absorvidos por ela. Isto significa que objectos com menos de 200 nanómetros vão passar a ser observados com um microscópio óptico sem perder grande os detalhes essenciais na observação.

De acordo com o investigador chefe, Durdu Güney da MTU, teoricamente não há nenhum limite para o tamanho do objecto a ser observado pela dita “lente perfeita”. O único problema tem sido o processo de construção e produção desta lente, algo que envolve engenharia avançada e uma manipulação da prata à nano escala. Algo que requer métodos de produção extremamente sofisticados.

No entanto esta lente perfeita está mais perto de se tornar realidade e num futuro não muito longínquo as pessoas poderão ter o poder de ampliação de um microscópio óptico na lente dos seus smartphone, estes são a plataforma ideal para uma lente perfeita, de acordo com este investigador.

No grande plano, as possibilidades para uma tecnologia deste tipo são infinitas, desde o desenvolvimento de dispositivos médicos muito mais baratas à simples possibilidade de qualquer pessoa passar a conhecer uma realidade incrivelmente pequena, desde observar os objectos do dia-a-dia à escala dos manómetros até à investigação científica amadora.

Claro que ainda temos um longo caminho pela frente e uma série de obstáculos a serem ultrapassados pela ciência mas estes investigadores estão convencidos que, daqui a uns anos, o Apple iPhone 10 ou um seu semelhante poderá ter a santo gral da óptica.

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