O mundo dos telemóveis não evolui de forma linear. Não é uma linha onde cada ideia nasce num sítio e fica lá. Na verdade, é mais como um jogo de observação em que cada sistema está sempre a olhar para o outro, a aprender com o que o outro faz e a tentar melhorar essas ideias à sua maneira.
Aqui vais encontrar 6 funcionalidades onde o Android acabou por seguir ideias que primeiro se tornaram populares no iPhone, e que encontramos até hoje.
1. Navegação por gestos no sistema
O iPhone X, lançado em 2017, marcou a transição para navegação totalmente por gestos, eliminando o botão físico "Home". O sistema baseava-se em deslizar a partir da parte inferior do ecrã para regressar ao início e gestos laterais para alternar apps.
No Android, já existiam tentativas de gestos em marcas como Samsung e LG, mas não havia um padrão entre sistemas.
A mudança mais importante chegou com o Android 9 Pie em 2018, onde a Google introduziu um sistema de gestos mais uniforme. Mais tarde, versões como o Android 10 refinam este modelo, aproximando a experiência daquilo que o iPhone já tinha popularizado.
2. Modo escuro global no sistema
O Android sempre teve elementos escuros em apps e menus, mas não era total. A Apple lançou o Dark Mode no iOS 13 em 2019, aplicado ao sistema inteiro e às apps compatíveis.
Poucos meses depois, o Android 10 introduziu um modo escuro global oficial. A diferença importante aqui foi a padronização. O Android passou a exigir um suporte mais consistente nas apps do sistema e incentivou developers a adotarem temas escuros automaticamente.
3. Privacidade com controlos mais visíveis
A Apple reforçou a privacidade de forma mais agressiva com o iOS 14.5 em 2021, através do App Tracking Transparency, que obriga apps a pedir autorização explicita do utilizador para ser rastreado entre aplicações e sites.
O Android respondeu com o Android 12 em 2021, introduzindo o Privacy Dashboard. Este painel mostra em detalhe quais foram as apps que acederam à localização, ao microfone ou à câmera nas últimas horas.
Além disso, o Android passou a permitir indicadores visuais no ecrã sempre que sensores estão ativos, como um ponto verde ou laranja.
4. Reconhecimento facial mais seguro
O Android tinha desbloqueio facial desde o Android 4.0 em 2011, mas era baseado apenas em imagem 2D, o que significa que era facilmente iludível.
A Apple lançou o Face ID com o iPhone X em 2017, usando sensores infravermelhos e mapeamento 3D do rosto com tecnologia TrueDepth.
Depois disso, os fabricantes Android começaram a investir em sistemas mais avançados. O Google Pixel e alguns dispositivos Samsung passaram a usar sensores adicionais ou algoritmos mais potentes, embora o nível de segurança varie bastante entre marcas.
5. Emoji uniformes
O Android sempre usou o padrão Unicode para emoji, mas durante anos cada fabricante aplicava o seu próprio design. No entanto, a Apple sempre manteve consistência visual nos emoji desde os primeiros iPhone, o que ajudou a criar a identidade que conhecemos hoje.
O Android mudou bastante com a adoção do Noto Emoji da Google, que começou a ser implementado de forma mais uniforme a partir do Android 8 Oreo. Isto reduziu as diferenças entre as marcas e tornou a experiência visualmente mais agradável e comum.
6. Ecossistema entre dispositivos
Se há algo que podemos dizer da maçã, é que a Apple foi pioneira na integração entre dispositivos com funções como AirDrop (2011) e Handoff (2014), o que permitiu continuar tarefas entre iPhone, iPad e Mac.
Já o Android começou a partir de pontas soltas, mas evoluiu com soluções como o Nearby Share lançado em 2020, que permite partilha rápida entre dispositivos Android e até Windows e, mais recentemente, o Quick Share.
Além disso, a integração entre Android, Chromebooks e Wear OS tem vindo a crescer, especialmente depois 2021, com melhorias na sincronização de notificações, apps e continuidade de tarefas.
Existe aqui um padrão
O que mostro com este exemplos não é uma cópia direta de uma marca para a outra, mas uma adoção de algumas funcionalidades desenvolvidas pelas Apple que funcionam muito bem para os utilizadores e para o seu dia-a-dia.
O iPhone muitas vezes define um padrão visual ou funcional. Entretanto, o Android observa, adapta e tenta melhorar para um ecossistema mais aberto e diverso.
No fim, o resultado são sistemas mobile que evoluem por influência mútua, onde a fronteira entre inspiração e inovação fica cada vez mais difusa.
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