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Xiaomi pode ativar remotamente o 'Modo Censura' nos smartphones, diz estudo

Rui Bacelar
Rui Bacelar
Tempo de leitura: 5 min.

A Xiaomi está provavelmente no seu ápice, usufruindo de uma excelente posição no mercado em 2021. Com efeito, a fabricante chinesa ultrapassou a Samsung, alcançando o número um, ao vender mais smartphones que a rival sul-coreana no passado mês de junho. No entanto, surge agora um novo relato governamental que nos deixa seriamente preocupados com a empresa de Lei Jun.

Em causa estão as conclusões apontadas pela agência de cibersegurança do governo da Lituânia com alegações graves. De acordo com esta fonte, alguns smartphones Xiaomi permitem a deteção remota e censura de determinados termos como palavras e expressões. Em síntese, entre os "segredos" dos smartphones Xiaomi estará a censura remota.

Será uma função exclusiva para a China, ou apareceu acidentalmente na ROM global?

Lithuania's Defense Ministry recommended that consumers avoid buying Chinese mobile phones and advised people to throw away the ones they have now after a government report found the devices had built-in censorship capabilities https://t.co/2OS4hvmqcO pic.twitter.com/SoZ39tz5ha

— Reuters (@Reuters) 22 de setembro de 2021

Esta é apenas uma das múltiplas questões levantadas pelo Ministério da Defesa da Lituânia cuja agência de cibersegurança divulgou recentemente um estudo preocupante. Nos telefones desta marca a censura estará à distância de um comando remoto.

Tal como avança igualmente a agência Reuters, as preocupações com a censura em vários modelos de smartphones Xiaomi são reais. A propósito, o governo da Lituânia desaconselha a compra e smartphones Xiaomi, indo ao ponto de recomendar que os atuais utilizadores deitem fora os dispositivos móveis e procurem um substituto. São, com efeito, alegações deveras preocupantes.

O relatório afirma que a filtragem de conteúdos (censura) não está ativa na União Europeia, mas pode ser remotamente ativada pela marca. Ademais, é também afirmado que os smartphones Xiaomi descarregam regularmente novas listas com "termos proibidos" de palavras e expressões a censurar na China.

A censura nos smartphones Xiaomi estará à distância de um comando

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A entidade que levou a cabo o estudo atentou também em smartphones como o Huawei P40 e OnePlus 8T, além do smartphone Xiaomi Mi 10T. Foi, assim, ao analisar o comportamento e comunicações dos vários dispositivos móveis que encontrou estes padrões de censura remota no dispositivo Xiaomi. A funcionalidade está "dormente" na Europa, mas existe e pode ser ativada.

O estudo afirma que várias aplicações de sistema da Xiaomi, pré-instaladas nos seus smartphones, como, por exemplo, o navegador Mi Browser, recebem periodicamente listas de novas palavras a bloquear. Este conteúdo é enviado pela Xiaomi para os seus dispositivos móveis ativos e variam de conteúdo.

Entre os termos "proibidos", a agência de cibersegurança refere temáticas como a independência de Taiwan, bem como a libertação do Tibete, entre outras temáticas. Em síntese, temas vetados pelo Partido Comunista da China (PCC).

De acordo com a fonte, os dispositivos são capazes de bloquear qualquer conteúdo que contenha referências a estas palavras-chave e expressões alvo de censura governamental.

Censura não estará ativa na Europa, aponta o estudo em questão

Ainda de acordo com a fonte esta censura não está ativa nos dispositivos vendidos na Europa. Está, contudo, presente, mas adormecida nos dispositivos móveis, sem que isso obste à possibilidade de a Xiaomi a ativar remotamente.

Entre os detalhes mais peculiares está o facto de esta suposta lista de palavras e expressões censuradas ter o nome de MiAdBlocklist. O ficheiro está presente no armazenamento interno dos dispositivos Xiaomi.

De acordo com a fonte, esta função é aplicada a algumas apps de sistema como a Cleaner, instaladora de aplicações e ferramentas de segurança. Há, contudo mais aplicações pré-instaladas onde a sua presença foi detetada.

Por conseguinte, é possível que esta lista de censura esteja mais relacionada com o tipo de publicidade do que com as comunicações propriamente ditas. É, para já uma das explicações avançadas pela agência de cibersegurança da Letónia.

Existem dados recolhidos pela Xiaomi e enviados para os seus servidores

Xiaomi Cloud

Por fim, o estudo aponta ainda que existe um considerável acervo de informação que a Xiaomi recolhe dos seus dispositivos. A agência atentou nas SMS enviadas de forma encriptada a partir do telefone de cada utilizador para os servidores da Xiaomi sempre que um equipamento é ativado.

A agência alerta ainda para o risco de fuga de dados e informações dos utilizadores uma vez que não há maneira de confirmar o que é exatamente enviado nas SMS encriptadas para os servidores da Xiaomi. Como tal, o risco de exposição é real e atual.

O estudo surge em pleno clima de crispação de tensões entre a Lituânia e a China após a nação europeia ter autorizado Taiwan a proceder com o seu programa diplomático. Em resposta a esta abertura, a China ordenou o regresso do seu embaixador, além de colocar a tónica em mais ações de retaliação contra a Lituânia.

Smartphones Huawei e OnePlus são mais seguros

Tendo também analisado um smartphone Huawei P40, a agência encontrou um risco de segurança. Mais concretamente, na aplicação App Gallery da Huawei que encaminha os utilizadores para repositórios de terceiros, possivelmente inseguros.

Isto acontece sempre que uma app não está presente na alternativa à Google Play Store da Huawei.

Por fim, no OnePlus 8T a agência de segurança não encontrou nenhum risco significativo. No entanto, a entidade mantém a sua forte recomendação para não comprarem smartphones oriundos da China.

Aguardamos agora pelo comentário da Xiaomi à situação exposta.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
O Rui ajudou a fundar o 4gnews em 2014 e desde então tornou-se especialista em Android. Para além de já contar com mais de 12 mil conteúdos escritos, também espalhou o seu conhecimento em mais de 300 podcasts e dezenas de vídeos e reviews no canal do YouTube.