Telemóveis novos todos os anos: é mesmo preciso?

Todos os anos, vemos as marcas lançarem novas gerações de telemóveis. No entanto, fará sentido, atendendo ao panorama atual e aos desafios do setor?

Telemóveis

Todos os anos, as principais marcas de smartphones lançam uma nova geração, que se desdobra em dois, três ou mais modelos. Há até quem, por vezes, lance duas gerações por ano, como já vimos a OPPO fazer, com a série Reno.

Do ponto de vista das marcas, entende-se o motivo: chama-se marketing. E continua a acontecer porque há quem continue a comprar, o que é compreensível. Mas a questão é: objetivamente, nos dias de hoje, é assim tão relevante pensar em atualizar o telemóvel todos os anos?

Upgrades? Sim. Fazem a diferença? Eis a questão...

Não estou com isto a dizer que as novas gerações da Apple, Samsung e companhia não tragam melhorias. A questão aqui é colocar nos pratos da balança aquilo que oferecem e o valor que está a ser exigido por algo que, se calhar, nem precisamos tanto.

A ideia não é particularizar marcas, mas olhemos, por exemplo, para o Galaxy S26 Ultra da Samsung. Veio com o recurso de privacidade de ecrã, além de outras melhorias. Tirando isso e algumas novas funcionalidades de Inteligência Artificial (IA), que são impressionantes, mas não muito necessárias no dia a dia da maioria, há algo de substancial que melhore muito a experiência de quem já tem um S25 Ultra?

Depende do ponto de vista e da forma de usar, claro. Sempre fui mais voltado para os gama-média, por duas razões: faço um uso do smartphone bastante convencional e os preços muito altos assustam.

Depois, é possível que vejas a marca X, Y ou Z a dizer que o novo processador aumenta a velocidade em 10%, que a câmara tem mais megapíxeis ou que o sensor é ligeiramente melhor. Na prática, faz diferença? Para alguns, claro que sim. Para a esmagadora maioria? Acredito que não.

No fundo, penso que uma coisa é um telemóvel ser tecnicamente melhor do que o seu antecessor. Outra é essa diferença ser suficientemente relevante para quem o utiliza todos os dias. Se só usas o smartphone para trocar mensagens, redes sociais, vídeos e fotografias ocasionais, é provável que nem notes grande diferença entre dois modelos de gerações consecutivas.

E é precisamente aqui que acho que devemos parar para pensar: será que precisamos mesmo de ter sempre o modelo mais recente, ou estamos simplesmente a acompanhar o ritmo a que as marcas nos apresentam novidades?

Crise de memória: o "elefante" na sala

Esta questão agrava-se quando penso nos dias de hoje, em que se vive uma grande crise nos componentes de memória RAM e armazenamento. Várias fontes da indústria têm avançado a possibilidade de os fabricantes reduzirem a memória e outros componentes para controlar os custos.

A crescente procura por memória, também impulsionada pela expansão da Inteligência Artificial, tem contribuído para pressionar o mercado. E, com os custos dos componentes a aumentar, é legítimo questionar se os preços e as especificações dos próximos smartphones vão continuar a evoluir da forma a que nos habituámos.

Quando assim é, ao vermos novos lançamentos, podemos sequer falar automaticamente em "upgrade"? Não quer isto dizer que os novos modelos vão ser piores do que os anteriores. Mas, se pagamos mais por um equipamento que traz poucas melhorias, ou até perde algumas características, a decisão de compra torna-se ainda mais difícil de justificar.

As empresas têm de lidar com estes custos e a tendência deverá manter-se, pelo menos, até 2027, segundo as previsões mais recentes.

Conclusão...

Com isto, não estou a dizer que o consumidor comum renova o seu smartphone todos os anos. Obviamente que isso não acontece com a maioria das pessoas. A minha questão é: será que faz sentido, na prática, haver atualizações tão constantes?

Acredito que, hoje em dia, facilmente compras um telemóvel do ano passado ou até de há dois anos e está tudo igual para ti enquanto utilizador. Claro que depende do modelo e daquilo que valorizas, mas a idade de um smartphone, por si só, não significa que esteja na altura de o trocar.

Impressionar é diferente de servir e é isso que sinto, muitas vezes, quando assisto de perto aos novos lançamentos. Independentemente de ser da marca A, B ou C.

Não digo também que não haja melhorias que importam. Mas acho que, antes de surfar a onda do marketing, devíamos pensar sempre: preciso realmente disto? Isto vai melhorar o meu uso da tecnologia no dia a dia? E a diferença justifica o dinheiro que vou gastar?

Na maior parte dos casos, tenho um palpite de qual deverá ser a resposta.

Luís Guedes
Luís Guedes
O Luís é redator no 4gnews e traz-te as novidades mais recentes sobre as melhores séries e filmes do momento, bem como sobre smartphones.