
| Especificação | Detalhe |
|---|---|
| Ecrã | Super AMOLED 1,52", 5.000 nits |
| Processador | Snapdragon SW6100 Wear Elite |
| Sistema operativo | WearOS 7 com interface One UI Watch 9 |
| Bateria | 800 mAh |
| Certificações | IP69/IP69K, 10 ATM, MIL-STD-810H |
A Samsung esperou um ano para lançar o Galaxy Watch 2. No papel, essa espera traduziu-se em atualizações palpáveis face ao modelo anterior. Agora há um ecrã mais brilhante, uma bateria maior e um processador diferente. Estas são razões suficientes para qualquer adepto de smartwatches ficar curioso com novo Ultra 2. Durante as últimas semanas andou comigo no pulso e, (alerta spoiler) efetivamente, estas mudanças fazem a diferença.
Design, qualidade de construção e conforto na utilização

O Galaxy Watch Ultra2 mantém praticamente o mesmo visual do antecessor, incluindo o muito falado design “squirkle”, que combina um ecrã circular com uma caixa de formato mais quadrado e cantos arredondados. A grande evolução está na espessura: a caixa passou de 12,1 mm para 10,7 mm, tornando este smartwatch mais compacto no pulso, mesmo com um aumento de 35% na capacidade da bateria.
O peso também permanece próximo do modelo anterior, com 61,5 gramas, reforçando a aposta da Samsung em melhorar a ergonomia sem abrir mão da construção premium.

O novo Galaxy Watch Ultra2 também amplia a resistência, com certificações IP69, 10 ATM e agora IP69K, além de suportar mergulhos de até 40 metros segundo a norma EN13319 e manter a certificação militar MIL-STD-810H. Ainda assim, tamanho e volume continuam a ser pontos importantes: num pulso mais pequeno, de mulher, por exemplo, o relógio pode parecer grande e pouco discreto.
Apesar de estar mais fino, o seu peso e presença no pulso ainda são percetíveis, o que pode afastar quem procura um smartwatch realmente leve para usar 24 horas por dia. Aparentemente, ser Ultra pode significar menos discrição do que aquela fornecida por outros modelos, como o OPPO Watch X3.
Ecrã

O Galaxy Watch Ultra2 eleva a experiência visual com um ecrã AMOLED circular de 1,52 polegadas, protegido por vidro de cristal de safira. Mas o destaque vai para o brilho máximo de 5.000 nits, o que coloca o Ultra 2 entre os modelos mais brilhantes do mercado. O tamanho generoso também é particularmente útil para quem pratica desportos no exterior ou interior, permitindo consultar várias métricas e informações de uma só vez.
Na utilização diária, a diferença do brilho é ainda mais evidente. Mesmo sob luz solar intensa, o Galaxy Watch Ultra2 consegue elevar significativamente a luminosidade do ecrã, mantendo o conteúdo facilmente legível. Esta capacidade torna o relógio especialmente direcionado para atividades ao ar livre, onde a visibilidade do ecrã pode fazer toda a diferença. Em vez de depender de sombras ou de aproximar o pulso do rosto, é possível consultar dados e notificações com maior facilidade, mesmo durante as horas de maior exposição solar.
Bateria e carregamento

Uma das maiores evoluções do Galaxy Watch Ultra2 está na bateria. Com 800 mAh, o novo smartwatch apresenta um aumento de 35% face aos 590 mAh do Galaxy Watch Ultra original, passando a contar com a maior bateria de sempre num wearable da Samsung. Mas ainda assim, não supera a célula de 930 mAh do Xiaomi Watch 5. Na utilização real, a autonomia revelou-se bastante competitiva para um dispositivo com Wear OS: com o ecrã sempre ligado desativado, mas com monitorização de frequência cardíaca frequente, acompanhamento do sono, algumas sessões de treino e GPS ativo durante uma hora, conseguimos 4 dias com uma só carga.
O ponto menos positivo está no carregamento: uma carga completa, utilizando o carregador incluído, demora cerca de 1,5 a 2 horas quando a bateria está quase esgotada. Ou seja, o Ultra2 oferece uma autonomia bastante boa para um smartwatch WearOS, mas continua a exigir alguma paciência na hora de recarregar.
Desempenho e software

O Galaxy Watch Ultra2 está equipado com o Snapdragon Wear Elite, processador de topo que promete ganhos de 32% no desempenho da CPU e de 19% na GPU. O novo SoC também foi pensado para melhorar a precisão do GPS, mesmo em ambientes mais exigentes. A experiência é complementada pelo Wear OS 7, que dá acesso a uma seleção de aplicações bastante superior à da maioria dos relógios desportivos, incluindo WhatsApp, Google Maps e Gemini. A Samsung promete ainda cinco anos de atualizações importantes e patches de segurança para o sistema operativo.
A integração com o Gemini é uma das funcionalidades mais interessantes, permitindo iniciar o assistente através do comando de voz “OK Google” ou mantendo premido o botão superior na lateral direita. No entanto, a experiência ainda não é totalmente consistente: em alguns momentos, o Gemini abre normalmente, mas pode deixar de estar disponível poucos segundos depois.
Apesar desta limitação, o Galaxy Watch Ultra2 proporciona uma navegação fluida, intuitiva e bem organizada, com a vantagem de colocar todo o ecossistema Google diretamente no pulso. É uma combinação que torna o smartwatch particularmente versátil tanto para tarefas do dia a dia como para acompanhar atividades e informações em movimento.
Saúde e desporto

O Galaxy Watch Ultra2 tem um “mimo” especial para desportistas, apresentando métricas específicas para cada modalidade diretamente no relógio, sem obrigar o utilizador a consultar a app Samsung Health no smartphone. A aplicação continua disponível para análises mais detalhadas, mas há uma novidade particularmente interessante: orientações de hidratação em tempo real, baseadas na estimativa de perda de líquidos através do suor.

A funcionalidade exige pelo menos 70 calorias gastas durante 30 minutos de exercício e, embora não apresente uma recomendação direta de quantos líquidos beber após o treino, os dados ficam registados no relatório da atividade. O GPS também está mais preciso e agora não se baralha com os edifícios altos e em número elevado dos centros urbanos.
O sensor BioActive da Samsung continua a ser o centro da monitorização de saúde, mas o Galaxy Watch Ultra2 melhora a forma como estes dados são apresentados. Entre os recursos estão os Sinais vitais, que acompanham frequência respiratória, temperatura da pele, frequência cardíaca, variabilidade da frequência cardíaca e oxigenação do sangue, alertando para possíveis alterações fora dos padrões habituais.
Este modelo também conta com Saúde cardíaca e a Carga cardiovascular diária, que combina diferentes indicadores para ajudar a perceber quando é necessário reduzir ou aumentar a intensidade dos treinos. O acompanhamento do sono faz a monitorização dos diferentes estágios durante a noite, a duração de cada uma dessas fases, além de fornecer sugestões para melhorar a qualidade do descanso.

Toda esta informação é reunida na app Samsung Health, que recebeu uma atualização com recursos baseados em inteligência artificial e promete apresentar recomendações mais proativas e personalizadas. Na prática, contudo, os conselhos ainda parecem relativamente genéricos, indicando, por exemplo, se dormiu mais ou menos do que o habitual ou se deve aumentar a atividade física.
O Galaxy Watch Ultra2 oferece ainda funcionalidades como monitorização de antioxidantes e composição corporal, mas há uma limitação: ECG, pressão arterial e deteção de apneia do sono exigem ligação a um smartphone Samsung, deixando utilizadores de outras marcas Android sem acesso a estes recursos de saúde.
Para quem é o Samsung Galaxy Watch Ultra 2?
O Galaxy Watch Ultra 2 da Samsung é a escolha indicada para:
- Utilizadores que praticam modalidades de mergulho ou caminhada em trilho;
- Quem não consegue dispensar o universo Google e o respetivo acesso a todas estas aplicações;
- Utilizadores que querem um smartwatch WearOS com uma autonomia mais estendida;
- Quem gosta de consultar com frequência o assistente Gemini IA;
- Utilizadores que preferem praticar desporto ao ar livre;
- Quem gosta de ter uma visão geral dos parâmetros de saúde.
O Samsung Galaxy Watch Ultra 2 não é para quem tenha um iPhone, dada a falta de compatibilidade, nem para quem tem um orçamento abaixo dos quase 750 € que este smartwatch implica.
Conclusão

No final, o Galaxy Watch Ultra2 é uma evolução sólida e bastante completa, mesmo sem apresentar uma revolução no design. A construção mais fina, o ecrã AMOLED com brilho máximo de 5.000 nits, a autonomia de até 4 dias e o desempenho mais rápido fazem com este smartwatch seja um dos mais capazes para quem procura um modelo premium, sobretudo para desporto e atividades ao ar livre.
A monitorização de saúde também é um dos seus principais argumentos, enquanto o Wear OS 7 garante acesso a um ecossistema de aplicações que será sempre uma das grandes vantagens face a muitos relógios desportivos.
Ainda assim, o Ultra2 não é perfeito. O tamanho e o peso continuam a ser consideráveis, o carregamento poderia ser mais rápido e algumas funcionalidades de saúde permanecem limitadas aos smartphones Samsung. A integração com o Gemini também precisa de maior consistência.
Apesar destas limitações, a combinação de autonomia, resistência, qualidade do ecrã, funcionalidades desportivas e recursos de saúde faz do Galaxy Watch Ultra2 uma opção muito interessante para quem procura um smartwatch Android completo. Para quem já possui o modelo anterior, a atualização pode ser menos urgente; para novos compradores, porém, o Ultra2 apresenta argumentos fortes para se afirmar como um dos relógios mais completos da Samsung.
