Ao comprar através dos nossos links, podemos receber uma comissão. Saiba como funciona.

Reino Unido recomenda provisões para emergência. Em Portugal já há kit de 45 euros à venda

O Reino Unido quer que as famílias tenham água e comida para três dias. A ideia não é nova em Portugal, onde a Cruz Vermelha vende um kit de 45 euros. Comparámos o que traz com a lista britânica.

enlatados
Foto de Calle Macarone

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, aconselhou os britânicos a terem em casa comida enlatada e água engarrafada para se prepararem para emergências. A justificação é que "os acontecimentos inesperados são cada vez mais comuns". Arrancou a semana com tempestades a deixar pessoas sem eletricidade na Cornualha e com a falha informática que afetou serviços online.

Segundo a BBC, o Governo do Reino Unido tem uma lista de recomendações para as famílias: três dias de água e comida em casa, para o caso de uma guerra, de um ataque informático ou de um desastre natural. Burnham fez questão de dizer que isto "não é sobre comprar em pânico", mas sobre ter o suficiente em casa para aguentar uma situação difícil.

E em Portugal?

A recomendação aplica-se a Portugal, e não é só uma ideia britânica. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), a Cruz Vermelha Portuguesa e a própria União Europeia aconselham que cada agregado familiar tenha um kit de emergência para 72 horas, ou seja, três dias de autonomia. O ministro das Finanças britânico James Murray lembrou, aliás, que países como a Irlanda, a França e os Países Baixos já dão este conselho há bastante tempo.

O que o Reino Unido está a fazer agora é, no fundo, chegar a uma conversa que já existe no resto da Europa. Em Portugal, o apagão de abril do ano passado deixou claro como é fácil ficar sem luz, sem rede móvel e sem multibanco ao mesmo tempo. Esse dia mostrou que a recomendação tem uma razão prática por trás.

O que diz a lista britânica?

O checklist do governo britânico é simples e dá para aplicar por cá:

  • 9 litros de água por pessoa (três dias);
  • Comida não perecível, como carne e legumes enlatados ou fruta seca;
  • Rádio FM, a pilhas ou a manivela, porque, em caso de falha de energia, é a forma mais fiável de receber informação;
  • Lanterna, cobertores e um power bank carregado;
  • Dinheiro em notas, para o caso de os sistemas de pagamento falharem;
  • Kit de primeiros socorros e cópias de documentos importantes;
  • Produtos de higiene, comida para animais e artigos para bebés, se for o teu caso.

O kit de emergência da Cruz Vermelha

Quem não quiser montar tudo à mão pode comprar um kit já feito. A Cruz Vermelha Portuguesa vende um kit de emergência por 45 euros. Inclui:

  • Saco impermeável e bolsa transparente impermeável;
  • Isqueiro e lanterna elétrica;
  • Rádio multifunções de emergência;
  • Canivete multifunções, pulseira paracord e apito;
  • Capa de chuva, colete refletor e pulseira refletora;
  • Bolsa de calor instantânea reutilizável e lightstick;
  • Garrafa de 600 ml e pastilhas purificadoras de água;
  • Cartão de alergias e emergência;
  • Kit de primeiros socorros, com manual, luvas de vinil, fita adesiva, tesoura, toalhetes de limpeza, pensos rápidos, ligadura triangular, manta de emergência, ligaduras compressivas e elásticas, compressas e máscaras faciais.

A nossa análise

Comparando o kit com a lista britânica, percebe-se o que ele resolve e o que fica de fora.

O que cobre bem: rádio, luz, primeiros socorros, proteção contra a chuva e o frio e forma de tornar a água potável. É a parte do equipamento que costuma ser mais chata de juntar, porque obriga a comprar vários artigos em sítios diferentes. Por 45 euros, ter tudo numa só mala é prático.

O que não cobre: o kit não traz comida e a garrafa tem só 600 ml, longe dos 9 litros por pessoa da lista. As pastilhas purificadoras ajudam, mas só se tiveres água para tratar. Também não inclui dinheiro, cópias de documentos, medicação pessoal, nem nada para animais ou bebés. Isto tens de ser tu a juntar.

Ou seja, o kit da Cruz Vermelha é um bom ponto de partida, mas para estares completamente preparado, precisas de juntar mais umas coisas, pois não substitui a reserva de água e comida em casa.

Deve-se olhar para este kit como a parte do equipamento e completar o resto com compras no supermercado. Se vives com mais pessoas, lembra-te de que o kit é um só e a lista de água e comida multiplica-se por cada pessoa da casa.

Por onde começar

Não é preciso comprar tudo logo de uma vez. O mais sensato é ir juntando aos poucos:

  1. Água e comida enlatada para três dias, com prazos de validade longos;
  2. Um rádio que funcione sem eletricidade;
  3. Uma lanterna e um power bank sempre carregado;
  4. Algum dinheiro em notas, guardado em casa;
  5. Cópias dos documentos e a medicação de que precisas;
  6. O kit da Cruz Vermelha, para teres equipamento já organizado e pronto a usar.

Burnham resumiu a ideia a dizer que ficava pelo básico: feijão, sopa e, já agora, Twiglets. Em Portugal, o equivalente a isto cabe no armário da cozinha e custa pouco. Estamos a falar de bolachas de água e sal, tostas integrais ou barras de cereais com frutos secos. O importante é estares preparado e ter tudo num sítio que toda a gente em casa saiba onde é.

O kit está à venda no site da Cruz Vermelha Portuguesa.

Vê também: O teu plano de emergência: Como preparar a casa para apagões.

Rodrigo Vieira
Rodrigo Vieira
O Rodrigo é colaborador na 4gnews e cobre assuntos como gadgets, telecomunicações e software. É licenciado em Comunicação e conta com 10 anos de experiência na criação de conteúdo escrito online.