Já passámos por situações suficientes em Portugal para saber o que acontece quando o tempo fica agreste ou os incêndios apertam: as antenas das operadoras ficam sem energia, a rede cai e usar as telecomunicações torna-se quase impossível.
É precisamente para responder a este problema que o Exército Português e a MEO desenvolveram uma nova Rede Móvel Tática 4G/5G.
O sistema foi demonstrado no Campo Militar de Santa Margarida, durante os exercícios ARTEX26 e OPEX26-1, num teste que envolveu o Chefe do Estado-Maior do Exército, General Eduardo Mendes Ferrão.
Como funciona esta nova tecnologia?
Tal como explica o post de Facebook do Exército Português, a simulação colocou as equipas num cenário de tempestade, com cortes de luz e falha total das redes comerciais. Nesses cenários, as infraestruturas normais simplesmente deixam de responder.
Para contornar o problema, a equipa montou no terreno uma «Bolha Tática 4G/5G». Trata-se de uma rede privada móvel e autónoma, concebida com engenharia 100% nacional. Esta estrutura cria uma cobertura local, permitindo a troca de voz, dados e vídeo em tempo real e a localização de posições por geolocalização entre o centro de comando e as forças no terreno.
A vertente provavelmente mais importante desta tecnologia é a sua natureza de uso dual. Embora seja um projeto militar financiado pela Lei de Programação Militar — num investimento de cerca de 587 mil euros —, foi pensado para servir o Apoio Militar de Emergência em situações de catástrofe civil.
O valor além da tecnologia
Muitas vezes olhamos para o 5G apenas como uma forma de ter downloads mais rápidos no telemóvel. Mas em termos de infraestrutura, a tecnologia traz baixa latência e a capacidade de criar redes individuais que continuam a funcionar mesmo quando a internet ou as centrais de rede ficam inacessíveis.
A capacidade de operar de forma 100% autónoma ou de se ligar a outras redes de emergência assim que estas fiquem disponíveis garante que quem está no terreno a socorrer populações não fica às escuras.
A apresentação oficial e detalhada desta capacidade está marcada para 14 de outubro, no Campo Militar de Santa Margarida, durante o evento principal do exercício. É um passo importante na utilização de tecnologia desenvolvida dentro de portas para resolver problemas reais de proteção civil.