O que muda na OnePlus agora que é (mais) uma submarca da OPPO?

Rui Bacelar
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A OnePlus passa a ser uma submarca da OPPO. O novo estatuto adquirido pela empresa de Pete Lau é agora aparentemente confirmado pela documentação interna destinada aos colaboradores, material revelado pelo leaker Evan Blass no perfil @evleaks.

Seria, com efeito, através da rede social Twitter que a documentação em questão chegou ao domínio público. É o mais recente desenvolvimento após o CEO da OnePlus ter confirmado a fusão com a chinesa OPPO no passado dia 16 de junho de 2021.

As conclusões baseadas na documentação revelada por Evan Blass

Just received these talking points on the new relationship between Oppo and OnePlus. Might help to clear up some confusion. pic.twitter.com/mIVyjcmeKD

— Evan Blass (@evleaks) 18 de junho de 2021

Entretanto, após o anúncio de tal decisão, a empresa terá obrigado os seus colaboradores a seguir um protocolo sempre que certas temáticas estivessem em causa, algo também noticiado pela 4gnews. Agora, da análise da mesma documentação surge o entendimento esperado e já antevisto pelos principais agentes no setor tecnológico.

Importa assim clarificar alguns pontos. A OnePlus e a OPPO eram empresas independentes e distintas, unidas apenas por uma mesma casa mãe, a multinacional BBK Eletronics. Desse modo, pelo menos no papel eram empresas "irmãs".

Por outro lado, a OPPO sempre foi a maior das duas empresas, posição que veria reforçada com o desaire da Huawei, ponto a partir do qual a OPPO veio a crescer substancialmente. Agora, a fabricante jade vem essencialmente absorver a OnePlus.

Tal como a Xiaomi tem a Redmi e a POCO, a OPPO tem OnePlus e a Realme

A documentação referida supra terá como objetivo o treino dos colaboradores para as circunstâncias que a empresa atravessa, nomeadamente, o processo de absorção pela OPPO. Os pontos-chave reiteram essencialmente o que já ficamos a saber através da pronúncia oficial de Pete Lau, responsável máximo da tecnológica.

Em síntese, quando questionados sobre este processo de fusão, a resposta deverá pautar-se pelas seguintes linhas "(...) com a integração, a OnePlus torna-se uma marca dentro da OPPO, contudo, continuará a funcionar como uma entidade independente".

Enquanto jornalista de tecnologia e, pessoalmente, utilizador de equipamentos OnePlus, esta documentação acaba por atestar o que já era expectável. À semelhança da Realme, a OnePlus assume agora o mesmo papel de submarca no seio da OPPO.

Esta medida não deve ter causado estranheza, tampouco surpresa, aos entusiastas da área, mas levanta novas questões.

A possivel desilusão? E que fim para a OxygenOS?

OPPO

A documentação sugere ainda que ambas as marcas continuarão a operar independentemente. Aliás, chegarão mesmo a competir nos mercados em que ambas estejam presentes. De igual modo, as cadeias de distribuição e demais aspetos logísticos deverão permanecer inalterados, pelo menos para já.

Por outro lado, ficamos a saber que o processo de fusão deve estar terminado até ao final do ano. O primeiro departamento a ser integrado será o de pesquisa e desenvolvimento (R&D), com o conhecimento a ser partilhado entre ambas as empresas.

Importa frisar que os dados dos utilizadores OnePlus continuarão a ser armazenados e tratados pela OnePlus, não sendo partilhados com a OPPO.

Noutra tónica, o destino da OxygenOS aparenta ser o da manutenção. Tal como demos a conhecer recentemente, a OxygenOS continuará a estar presente nos smartphones da OnePlus, com a Color OS reservada para os smartphones OPPO.

Numa nota pessoal, não vejo futuro para uma OnePlus ainda pautada pelo chavão "Never Settle", muito menos pelos "flagship killer" daqui em diante.

Vejo sim, uma fabricante que pode vir a vender volumes até então impensáveis para a sua escala, mas com grande probabilidade de se tornar mais uma marca genérica a povoar o mercado Android.

Só há espaço para uma grande marca e essa é a OPPO

A razão última reside na necessidade de crescimento, expansão e afirmação da OPPO nos mercados internacionais. Processo este que já está em curso desde o último ano com a entrada séria da fabricante em Portugal e reforço da presença na Europa.

Perante tal esforço, é provável que a OnePlus e respetivos elementos como a OxygenOS adquiram gradualmente um papel secundário face à nova casa-mãe. Aliás, os próprios smartphones da OnePlus já usam a ColorOS na China, em detrimento da OxygenOS desde o ano passado.

Veja-se também o que a Realme UI, a interface da Realme, mais não é que uma ColorOS com leves alterações. O mesmo pode estar reservado para a OxygenOS, sobretudo à medida que a OnePlus coloca mais smartphones no mercado.

Poderá, contudo, a OnePlus competir com a Realme, uma das fabricantes em maior crescimento com os seus produtos custo / benefício?

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
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