OnePlus 3
OnePlus 3

Gostas de comparar os números dos Benchmarks e outros indicadores virtuais do desempenho/performance dos teus Android’s favoritos? Bom, talvez seja boa ideia pensar duas vezes agora que a OnePlus e a Meizu foram apanhadas a adulterar os resultados destes testes.

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De acordo com a venerável comunidade XDA-Developers (fonte), o OnePlus 3, OnePlus 3T (equipamentos que obterem das maiores pontuações na AnTuTu em 2016), para além do Meizu Pro 6 foram expostos por influenciar positivamente os números.

   

A equipa da XDA Developers, juntamente com o pessoal da Primate Labs, os criadores da GeekBench, descobriram que estes três smartphones estão programador para aumentar artificialmente o desempenho dos seus processadores quando detectam certas aplicações de testes e benchmarks.
Muito à semelhança do que a VolksWagen fez, ao utilizar um software que diminuía artificialmente os valores das emissões de óxidos de enxofre aqui, ainda que pela lógica inversa, temos duas construtoras chinesas a viciar os resultados dos testes ao obrigar os processadores a trabalhar “a todo o gás” (praticamente um over-clocking), sempre que detectavam um cenário de teste.

Esta adulteração pode ser notada quando se observa a atividade do CPU em aplicações normais como o Facebook, o Messenger, WhatsApp, Telegram, Instagram, SnapChat e outras que tais. Em seguida, basta abrir uma aplicação de testes como a  Geekbench, AnTuTu, Quadrant, Vellamo, GFXBench, entre outras, e ver o processador a disparar!

O plano da OnePlus estava a correr bem até que uma aplicação disfarçada de jogo, uma versão da Geekbench 4 com o nome “Bob’s Mini Golf Putt” escapou aos radares dos smartphones da marca e manteve a sua velocidade de processamento normal.

OnePlus
Note-se o ligeiro aumento, artificial, nos resultados

Desta forma, a OnePlus não pode alegar que era a pesada carga das aplicações de testes e benchmark que obrigavam o SoC a entrar em “overdrive”.

Em suma, uma versão sob disfarce da Geekbench 4 foi capaz de avaliar o desempenho desempenho do OnePlus 3T (gráficos acima) e do OnePlus 3, sem que os smartphones obrigassem o “motor” a trabalhar sob esforço para produzir melhores resultados e pontuações mais altas.

Em que consiste esta batota?

Já há vários anos que as construtoras Android se orgulham dos resultados de benchmarks dos seus smartphones, apesar de, quase por ironia, a Apple dominar muitas destas tabelas.

Para manter este logro, a OnePlus com os seus OnePlus 3 e 3T obriga o processador a manter uma velocidade de 1.29Ghz para os núcleos mais potentes e de 0.98Ghz para os núcleos menores, mesmo quando o SoC (processador) não está sob carga ou quando as aplicações de benchmark estão a avaliar o desempenho individual de cada núcleo.

Já quando estão na presença de aplicações normais, todos os núcleos mantêm uma velocidade de 0.31GHz quando estão em descanso.

OnePlus
Note-se o ligeiro aumento, artificial, nos resultados

No caso da Meizu a situação é diversa. O seu novo Meizu Pro 6 programa os núcleos maiores e mais poderosos para se ativarem na presença de uma aplicação de testes. A parte estranha é que na presença de aplicações normais estes núcleos não “acordam”, só quando reconhecem uma aplicação de testes é que funcionam como deviam.

Em suma, no caso do Meizu Pro 6, apesar de na lista de especificações ser impressionante. O seu processador MediaTek Helio X25 Deca-Core apenas utiliza os núcleos menos potentes no decurso da sua atividade normal. Portanto, só quando estás a fazer algum teste ou benchmark é que o poder real deste MediaTek se revela.

Para mais detalhes técnicos e informações sobre esta situação pouco honesta, consulta a fonte, indicado no final do artigo. Vejam que a margem de adulteração não é muito grande (para não levantar suspeitas). Contudo, é o suficiente para passarem à frente de tantos outros Android’s.

A OnePlus já respondeu:

Quando confrontada pela equipa da XDA, a OnePlus confirmou a existência de um comportamento reiterado com vista à adulteração dos resultados nos testes. A saber:

“Para proporcionar aos utilizadores uma experiência de utilização mais gratificante, tanto em aplicações pesadas como jogos, especialmente nas mais exigentes a nível gráfico, implementamos alguns mecanismos na comunidade e nas compilações de firmware Nougat que obrigam o processador a funcionar com maior intensidade. Este mecanismo que obriga o processador a funcionar no máximo dos seus limites na presença de aplicações de testes e benchmarks será removido nas próximas atualizações de software para o OnePlus 3 e OnePlus 3T”.

OnePlus
OnePlus 3

A OnePlus deu a entender que os seus smartphones estão programados para entrar em modo “Alta Performance” quando estão a correr algum jogo ou aplicação pesada e que isso não mudará. Algo que compreendo perfeitamente, a última coisa que queremos num jogo é o Lag.

Ah, e não deixa de ser uma boa desculpa para alargar o leque e catalogar todas as aplicações de testes como “jogos pesados” que precisam de todo o poder do CPU…

Não foi só a OnePlus…

Já em 2013 o Samsung Galaxy S4 foi apanhado pelo pessoal da AnandTech a fazer esta mesma batota. Seguindo-lhe o exemplo, a HTC, a ASUS, a HTC, entre outras, foram desmascaradas neste tipo de práticas. Desde então estas marcas de renome já mudaram de atitude e por isso não é de estranhar que as jovens construtoras façam a mesma coisa. Enquanto não forem apanhadas, o logro continua a funcionar.

Por último, a equipa da XDA revelou quais as marcas que NÃO estavam envolvidas neste tipo de práticas, a saber: Xiaomi, Huawei, Honor, Google, Sony e a HTC que já aprendeu com os erros.

Resta a questão, será que vale a pena arriscar-se a semelhante humilhação pública na esperança de arrecadar mais uns quantos pontos nestes testes?

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Viaengadget
Fontexda-developers
Quando não está a escrever um artigo ou a gravar algum vídeo, o Bacelar tem por hábito saborear um bom livro, descobrir novas bandas sonoras ou simplesmente desfrutar do sol, na companhia de quem mais gosta (MM).