O mistério a bordo e o pânico em terra
Depois de um voo da EasyJet ter sido forçado a fazer um desvio por uma powerbank, agora foi a vez da companhia aérea United Airlines (UA) regressar ao aeroporto de origem por causa de uma ligação Bluetooth. O voo 236 da UA estava a voar há uma hora — numa viagem prevista de até 9 horas — quando o piloto fez um anúncio inesperado: todos os passageiros deviam desligar seus dispositivos Bluetooth imediatamente, ou o avião retornaria à origem.
Sem entender a gravidade da situação, os passageiros não foram totalmente esclarecidos sobre o real motivo do regresso. Enquanto o avião regressava a Newark, alguns dos passageiros deste voo usavam o Wi-Fi de bordo para relatar a tensão nas redes sociais.
Em terra, entusiastas de aviação que monitorizavam o tráfego aéreo começaram a juntar as peças do quebra-cabeça. Um utilizador do Reddit relatou o susto ao ver a rota invulgar da aeronave da sua varanda: "Vi o vosso voo e pensei: Alguma coisa não está bem, nenhum voo passa por aqui'”
A revelação chegou do controlo aéreo
Mas o mistério foi esclarecido quando alguns curiosos começaram a seguir e a ouvir a frequência do Controlo de Tráfego Aéreo (ATC) de Newark. Numa transmissão ao vivo do controlo, a tripulação de outro voo foi informada sobre o motivo real do alerta.
Um passageiro estava a utilizar uma coluna de som Bluetooth portátil. O problema não estava na utilização do aparelho, mas sim no nome de identificação da rede, configurado com uma palavra que assusta qualquer piloto no ar. A palavra em questão era: bomba.
Intervenção federal e o culpado
Ao pousar de volta em Newark, cerca de duas horas após a decolagem, o avião foi recebido por agentes federais na pista. Os passageiros foram instruídos a desembarcar imediatamente, deixando suas bagagens de mão para trás, levando apenas consigo os passaportes e smartphones.
Após as investigações, as autoridades descobriram que o responsável pela rede Bluetooth com o nome assustador era um adolescente. Não ficou claro se a ação foi uma brincadeira deliberada ou um erro de distração.
Após uma busca completa ao avião, o voo foi finalmente libertado. Os passageiros receberam vouchers de refeição pelo transtorno e o avião pousou em segurança na Espanha, com várias horas de atraso.
Nova regra da United Airlines pode ter originado o caso
Curiosamente, uma mudança recente nas diretrizes da companhia aérea United Airlines pode ter contribuído indiretamente para este incidente. A empresa proibiu estritamente que passageiros assistam a vídeos ou ouçam áudio sem fones de ouvido. Como a maioria dos fones modernos utiliza tecnologia Bluetooth, o número de ligações ativas a bordo disparou.
Um histórico de nomes perigosos no Wi-Fi
Este não é o primeiro caso da United Airlines. Recentemente, outro piloto desta companhia ameaçou acionar o FBI e revistar os smartphones de todos os passageiros depois de ter identificado um ponto de acesso Wi-Fi (Hotspot) com um nome ofensivo e de teor político que visava o confronto entre a Palestina e Israel.
Neste caso, o piloto fez um ultimato de 30 segundos. Perante isto, o responsável apagou a rede a tempo e o voo seguiu para Miami sem mais interrupções.
Fica então o aviso para todos os passageiros, sobretudo com o aproximar da época de férias que implica viagens de avião ou outro tipo de transporte público. Cuidado com a escolha de palavras nas ligações ao Wi-Fi e/ou Bluetooth. É sempre preferível optar por palavras inofensivas como flores ou cupcakes que não assustam ninguém e não atrasam as viagens em várias horas.
