IPTV Pirata: Hacker ameaça enviar dados dos utilizadores à polícia

Rui Bacelar
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O IPTV Pirata é um flagelo que continua a assolar a Europa e o Mundo, sobretudo desde que grande parte da população deu por si confinada e procurando soluções de entretenimento, algo que aumentaria a corrida às listas de IPTV em todo o globo.

Perante o novo advento dos serviços de streaming ilegal de canais pagos, filmes e séries online, entre outros conteúdos, também estas empresas que operam no mercado negro se tornariam alvos tentadores para piratas informáticos, ou hackers.

A identidade dos utilizadores de IPTV Pirata podem estar em risco!

IPTV Pirata

Tal como aponta a TorrentFreak, esta conjuntura levou que as plataformas de distribuição de IPTV Pirata, pequenas empresas clandestinas, mas bastante lucrativas, se tornassem num alvo no radar de piratas informáticos.

Buscando o lucro rápido, um hacker colocou dois serviços de IPTV Pirata sob ameaça. Ou efetuam um pagamento em Bitcoin, na ordem dos 94 mil dólares, ou cerca de 77 mil euros, ou os dados dos utilizadores serão encaminhados para a polícia do Reino Unido.

Soma-se ainda a ameaça de exposição de vários dados pessoais e informações bancárias dos subscritores destas plataformas. A ameaça mantém-se, sem sinal de pagamento por parte das empresas de distribuição de IPTV pirata.

A quem podem recorrer os responsáveis pelas plataformas de IPTV?

Hacker Blackmails Pirate IPTV Services, Threatens To Send User Data To Police https://t.co/OtZ4tdfNkF

— TF (@torrentfreak) 9 de fevereiro de 2021

Em circunstâncias normais, no mercado regulado, tal ameaça de extorsão seria fundamento para acionar de imediato as forças de segurança. No entanto, sendo esta distribuição de listas de IPTV em si um ilícito, os responsáveis não têm a quem recorrer.

Em causa está um mercado negro, como tal, não podem usufruir da tutela das forças de segurança, ficando assim sujeitas a ataques como o mais recente caso de extorsão. Recordamos que esta não é a primeira instância em que tal tem lugar.

Pelo contrário, a tendência está em crescimento. O "negócio" de distribuição é bastante lucrativo, algo que não passa despercebido aos meliantes.

O caso mais recente tem lugar no Reino Unido

Segundo a fonte supracitada, o mais recente caso de extorsão teve lugar no Reino Unido. Envolve as plataformas SapphireSecure.net e a KS-Hosting.com, com subscritores distribuídos por vários pontos da Europa.

De acordo com os indícios, terá o mesmo hacker a ameaçar ambas as redes de IPTV pirata. Segundo o apurado, as redes terão o mesmo administrador, algo que ajudou o pirata informático a aceder a ambas as plataformas de IPTV.

Após obter acesso às redes, o hacker terá desativado temporariamente os serviços de ambas, um alerta para que o responsável não tivesse dúvidas quanto à veracidade da ameaça. Pouco depois começaram a aparecer mensagens similares nos domínios web, as páginas de Internet de cada uma destas redes.

Os sinais eram claros, ambas as plataformas foram comprometidas, com o hacker a controlar o seu funcionamento.

O hacker exige 2 Bitcoin como resgate das plataformas de IPTV

Bitcoin

Até ao momento o responsável pelas plataformas não pagou o resgate, tal como indica a listagem acima. Note-se que esta quantia - 2 Bitcoin - equivalerá sensivelmente às receitas obtidas pelas empresas em menos de duas semanas. A distribuição de IPTV pirata é particularmente lucrativa.

Alternativamente, o hacker coloca em cima da mesa uma opção que não envolve a extorsão. O responsável pelas plataformas terá que desativar e desmantelar ambos os serviços, sem a menor chance de os voltar a colocar online. Além disso, terá que devolver as quantias pendentes aos subscritores e desativar as redes sociais e presença online dos serviços por si geridos.

As condições aparentam ser um tanto contraditórias. Se, por um lado, é sugerida a compensação dos utilizadores sob a forma de devolução do dinheiros, por outro é feito uma ameaça dirigida a esses mesmos utilizadores.

O utilizador é a parte mais vulnerável

Caso o responsável pelas redes não pague o resgate, ou não desative os serviços, as forças de segurança receberão os dados pessoais dos assinantes. Adicionalmente, os dados bancários de quem usava estes serviços de IPTV pirata também serão expostos.

Em síntese, serve o presente caso para ilustrar os perigos do IPTV pirata. É um serviço clandestino, sem mecanismos de defesa do consumidor e, frequentemente, colocando os consumidores em risco.

O seu apelo reside nos preços baixos praticados por quem gere estas atividades.

A pirataria é um crime de usurpação de acordo com o disposto no artigo 195.º do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
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