O combate à distribuição ilegal de sinal de televisão e às listas de IPTV pirata voltou a subir de tom durante o Portugal Football Summit. Em debate integrado no SIGA Football Integrity Forum 2026, Nuno Ferreira Pires, CEO da Sport TV, não poupou nas palavras ao abordar a tolerância que ainda existe em torno do consumo de transmissões não autorizadas de futebol em território português.
O executivo apontou o dedo diretamente à passividade das entidades oficiais e ao comportamento dos utilizadores finais. O líder do principal canal de desporto em Portugal classificou a realidade nacional como lamentável e alertou para a normalização social do furto de conteúdos digitais.
Estamos perante uma "geração de criminosos, que acha que roubar no digital é normal", diz CEO da Sport TV
Nas palavras de Nuno Ferreira Pires, estamos perante uma "geração de criminosos, que acha que roubar no digital é normal. Os nossos filhos estão a crescer nesta geração. A tutela, os reguladores e as autoridades aparentemente estão sem fazer nada ou a fazer pouco".
Esta postura dá continuidade à pressão pública que o executivo já vinha a exercer sobre o poder político e as autoridades policiais. O responsável da estação continua a defender uma alteração profunda na legislação que não se limite a fechar servidores ou a deter os operadores das redes ilegais.
Para o canal, o caminho tem de passar pela divulgação pública das listas de clientes apreendidas e pela aplicação de coimas diretas a quem subscreve ou assiste. Algo que siga os modelos sancionatórios já adotados em países como Itália.
O discurso encontra eco nas contas apresentadas pela Liga Portugal. Presente no mesmo painel de discussão, o Diretor Executivo da Liga Portugal, André Mosqueira do Amaral, vincou que a pirataria é um dos maiores obstáculos no processo de centralização dos direitos televisivos.
- As estimativas da Liga apontam para um prejuízo global entre 250 e 350 milhões de euros para o futebol profissional;
- A quebra representa uma perda direta na ordem dos 80 milhões de euros em receitas de impostos para o Estado;
- O dirigente sublinha que Portugal dispõe de ferramentas tecnológicas suficientes para atuar e combater o problema;
- André Mosqueira do Amaral admite também a necessidade de reforçar procedimentos de notificações para cessação e de tornar a oferta legal mais acessível e apelativa para o público.
O cerco ao utilizador ganha contornos mais apertados à medida que a Polícia Judiciária enquadra as redes clandestinas de sinal nos crimes de criminalidade organizada e branqueamento de capitais. Já na esfera parlamentar continua sobre a mesa o debate em torno de notificações diretas e multas financeiras para os cerca de 300 mil lares que acedem habitualmente a emissões piratas em Portugal.