
O smartphone perfeito não existe. Mas existe seguramente o smartphone perfeito para cada utilizador. Podes gostar mais de Android, mais de iOS. Mais da Samsung ou da Apple. Mas quando se trata de querer um dobrável ainda há uma marca que vem sempre primeiro à conversa: Samsung.
E agora há mais uma razão para pensares se o teu próximo smartphone pode, ou não, ser um smartphone dobrável. Fomos a Londres, a convite da marca sul-coreana, para a apresentação dos novos dobráveis para 2026. E há um novo formato de dobrável, estilo passaporte, que resolve muitas das queixas de quem queria apostar num equipamento deste segmento.
Os dobráveis continuam a não ser para todos os bolsos
Se o Flip8 tem um preço base de 1349 € que podemos considerar normal para quem já compra equipamentos topo de gama, os novos Fold8 começam nos 2069 € para o modelo base e 2269 € para versão Ultra. Estes valores são o que trava muitos interessados.

Ter um tablet no bolso para qualquer ocasião à distância de uma "desdobradela" é algo que muitos acham atrativo. Mas nem todos podem despender o valor de um formato que, por todos os componentes que integra, não tem vindo a baixar preços (pelo contrário).
É um mito que os dobráveis não sejam robustos
É coisa do passado que os dobráveis dão problemas ou são pouco robustos. A Samsung já anda há 7 anos a desenvolver este formato e os Fold8, Fold8 Ultra e Flip8 são smartphones extremamente bem construídos e que transmitem uma grande sensação de segurança.
A usar qualquer um dos três modelos, o chamado vinco no ecrã é quase impercetível. Se formos querer ser picuinhas (e estamos cá é para isso), em certos ângulos conseguimos notar qualquer coisa e ao passar de dedo podemos sentir algo.

Mas nota-se claramente uma evolução e cada vez menos notamos e sentimos esse vinco ao toque e ao olhar. Aliás, fiquei extremamente surpreendido com o facto de, no Flip8, não notar de todo qualquer vinco em nenhum ângulo. O que mostra a evolução do formato.
O novo formato 'wide' abre espaço a novos usos
Como escrevi na review ao Galaxy Z Fold7, as barras pretas à volta do vídeo por conta do seu formato são uma realidade e esta também sucede no sucessor Z Fold8 Ultra. Aí, o foco é a produtividade, já que é um equipamento ideal para ter duas aplicações otimizadas lado a lado.
O que o novo Z Fold8 traz, com o formato 16:10 fechado ou 4:3 aberto, é um equipado focado em ser melhor para ver vídeo ou mesmo jogar. As barras pretas são muito menores (na medida certa do aceitável) e sentimos que temos um verdadeiro mini tablet em mãos.

A usabilidade com uma mão é uma das primeiras surpresas deste aparelho. Escrever ou chegar à zona superior do ecrã enquanto seguramos o equipamento com uma mão é mais simples que num smartphone normal e a espessura é bastante aceitável para parecer um smartphone normal fechado.
Há dúvidas que só vamos dissipar quando começarmos a testar o equipamento (começamos no dia em que sai este artigo). A primeira é quão bem otimizadas para este formato já estão as principais aplicações que usamos diariamente, como redes sociais.
A segunda é como se comporta este equipamento ao nível de autonomia, já que temos aqui 4800 mAh. No papel, não são números que impressionem. Mas a Samsung já provou no passado conseguir fazer mais com menos.

A terceira é se vamos sentir falta de uma teleobjetiva num smartphone que custa mais de 2000 €. Para quem vai a muitos concertos (como é o meu caso) e goste de ter essa possibilidade, aqui fica mais limitado. Veremos como se comporta no uso no dia a dia.
Fold8 Ultra mais fino e Flip8 mais leve
A primeira impressão sobre o Fold8 Ultra está na facilidade com que abrimos o equipamento. Uma das críticas que fiz ao Fold7 era a rigidez que a dobradiça apresentava na hora da abertura. Parece-me que a Samsung acertou nesta geração.
Também temos a introdução da tecnologia de silício neste smartphone, sendo esta a primeira vez que a Samsung a promove num equipamento. A questão é que está em apenas 20% da bateria. Ainda assim ficou mais fino e subiu para uma capacidade de 5000 mAh e o carregamento passa a ser de 45 W.

Já o Flip8 surpreendeu-me imediatamente pelo vinco no ecrã impercetível. É o modelo onde se nota que a marca já chegou a um ponto onde está cómoda no formato e não há mudanças de fundo, a não ser em mais funções disponíveis no ecrã exterior e o no modo de bloqueio horizontal da câmara que a marca estreou no Galaxy S26 Ultra.
Já há dobráveis para todos... se o orçamento permitir
Tirando o fator preço, que é um fator preponderante principalmente nesta grandeza de valores, já não há desculpa para não se apostar num smartphone dobrável. Com a adição do terceiro elemento, a Samsung já tem um dobrável para cada tipo de utilizador.

Quem quer um smartphone de formato tradicional que dobra e fica portátil para arrumar no bolso e ainda tem um ecrã exterior pequeno, compra o Flip8. Quem quer produtividade para ter duas aplicações lado a lado e quer a melhor experiência de câmaras, compra o Fold8 Ultra.
Quem quer o formato mais fora da caixa e que produz a melhor experiência para consumo de vídeo no ecrã interior, vai para o novo Fold8. Muito se falou e escreve sobre o primeiro iPhone dobrável, mas a Samsung vai assistir de cadeirão a esse lançamento com produtos consistentes e com provas dadas no mercado. Resta saber a resposta desse mesmo mercado.
