Uma extensão do Google Chrome que já foi apanhada a roubar conversas do ChatGPT e DeepSeek voltou a circular, depois de ter sido removida da Chrome Web Store em janeiro de 2026.
Chamada “AI Sidebar with DeepSeek, ChatGPT, Claude and more”, a extensão apresenta-se como um assistente de inteligência artificial para o navegador. Antes de ser removida, acumulava mais de 300 mil instalações e uma avaliação de 4,6 estrelas.
Como observa o site Security Week, versões anteriores conseguiam recolher o conteúdo das conversas realizadas no ChatGPT e DeepSeek e enviá-lo para servidores externos sem o conhecimento dos utilizadores.
Extensão já roubou conversas com chatbots
O comportamento foi identificado originalmente no final de 2025. A extensão retirava o texto das conversas diretamente das páginas e enviava os dados para dois domínios externos.
As informações eram codificadas em Base64, que é apenas uma forma de transformar os dados para facilitar a transmissão e não uma verdadeira proteção por encriptação.
O código responsável por este comportamento acabou por ser removido e a extensão chegou a receber uma versão aparentemente legítima.
No entanto, a equipa de investigação em cibersegurança Netskope Threat Labs descobriu que, cerca de duas semanas depois, a versão 1.7.3.0 recebeu apenas 21 novas linhas de código com um novo comportamento suspeito.
A equipa de cibersegurança da Netskope reportou a situação à Google, mas até ao momento da publicação deste artigo, a extensão “AI Sidebar with Deepseek, ChatGPT, Claude and more” continua disponível na Chrome Web Store.
Uma versão limpa chegou antes de novo código suspeito
O Netskope Threat Labs identificou uma estratégia que descreve como “limpar e depois envenenar”. Entre 20 e 31 de julho, os responsáveis distribuíram a versão 1.7.2.0, aparentemente legítima e sem o código que roubava conversas. Cerca de duas semanas depois chegou a versão 1.7.3.0, com apenas 21 novas linhas de código adicionadas a um dos ficheiros.
Desta vez, o objetivo não era roubar conversas de IA, mas gerar dinheiro através de links de afiliados.
Sempre que o Chrome detetava uma atualização da extensão, o novo código abria automaticamente uma página num novo separador. O endereço passava por um encurtador de links antes de levar a um serviço de geração de vídeos por IA que possui um programa público de afiliados.
Isto significa que os responsáveis poderiam receber uma comissão caso o utilizador acabasse por aderir ao serviço.
Segundo o Netskope Threat Labs, centenas de utilizadores estavam a receber esta versão diariamente, incluindo computadores de empresas.
As atualizações eram ainda distribuídas através da própria CDN da Google, infraestrutura utilizada para entregar rapidamente os ficheiros das extensões aos navegadores.
Maior perigo pode estar numa próxima atualização
O esquema de afiliados atual é considerado menos grave do que o antigo roubo de conversas. O problema está na capacidade de os responsáveis continuarem a enviar novo código através das atualizações automáticas.
Como observam os investigadores, o mesmo mecanismo utilizado para adicionar estas 21 linhas poderia ser usado futuramente para distribuir outro tipo de código malicioso.
Por isso, a recomendação do Netskope Threat Labs é remover a extensão dos navegadores, especialmente em computadores empresariais.
O caso também serve de alerta para outro problema: uma extensão estar disponível numa loja oficial não significa necessariamente que todas as suas futuras atualizações sejam seguras.
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