A OpenAI quer que o ChatGPT deixe de ser uma ferramenta que utilizas apenas quando tens uma pergunta. A empresa apresentou os Dots, novos agentes de inteligência artificial capazes de assumir responsabilidades, acompanhar projetos e continuar a trabalhar mesmo depois de te afastares da conversa.
Segundo a Open IA, estes agentes são alimentados pelo GPT-6 Astra e utilizam o seu próprio computador para avançar com as tarefas que lhes entregas.
O Dot pode também recorrer ao Codex e às ferramentas que tens ligadas ao ChatGPT. És tu que escolhes as aplicações a que pode aceder, aquilo em que se deve concentrar e a forma como queres que o trabalho seja feito.
O que é que um Dot consegue fazer?
A principal diferença para uma conversa normal no ChatGPT está na continuidade.
Em vez de precisares de voltar constantemente à IA para indicar o próximo passo, podes entregar ao Dot uma responsabilidade. O agente tenta perceber sozinho o que precisa de fazer a seguir e continua a avançar entre conversas.
Quando chega a uma decisão que necessita da tua intervenção ou tem trabalho pronto para ser analisado, volta a contactar-te. É precisamente por isso que a OpenAI descreve estes agentes como “always-on”.
Um dos exemplos apresentados pela OpenAI envolve uma apresentação de resultados de uma empresa. O Dot consegue verificar os números mais recentes, compará-los com o feedback dos clientes e atualizar a apresentação à medida que chegam novos dados.
Outro exemplo passa pelo desenvolvimento de software. Quando determinado pedido começa a aparecer repetidamente entre os clientes, o Dot pode analisar os dados disponíveis, desenvolver uma pequena melhoria e testá-la antes de apresentar as alterações à equipa responsável.
Esta novidade reforça uma tendência cada vez mais evidente no ChatGPT, que tem vindo a ganhar ligações diretas a outras ferramentas. Um exemplo é a integração do ChatGPT com aplicações usadas no dia a dia, permitindo realizar tarefas sem sair da plataforma.
Os Dots entram diretamente na corrida com o Muse da Meta
A OpenAI não está sozinha nesta aposta. No início de setembro, a Meta apresentou o Muse, um agente pessoal de IA com uma proposta bastante semelhante à dos Dots: executar tarefas em nome do utilizador, acompanhar projetos durante mais tempo e recorrer a diferentes aplicações para cumprir objetivos.
De acordo com a Meta, o agente funciona através de uma máquina virtual dedicada, a Muse Secure VM, equipada com o seu próprio navegador. Isso permite-lhe atuar em diferentes serviços sem depender constantemente da intervenção do utilizador.
Na prática, o Muse pode tratar de tarefas como enviar emails, procurar e reservar viagens ou transformar um objetivo mais complexo num conjunto de ações. É precisamente aqui que a comparação com os Dots se torna mais evidente.
As duas empresas estão a disputar o mesmo espaço: criar agentes de IA que deixem de apenas responder a perguntas e passem a executar tarefas de forma mais autónoma e contínua. Entre os dispositivos apresentados esteve também o Muse Charm, um pequeno equipamento que faz lembrar um Tamagotchi e que foi pensado para manter o agente mais presente no dia a dia do utilizador.
O Dot continua a trabalhar depois de saíres
É uma das partes mais interessantes da novidade. Podes iniciar uma conversa com o Dot, explicar aquilo que pretendes e afastar-te. Segundo a OpenAI, o agente continua a fazer avançar o trabalho mesmo depois de saíres da conversa. Quando precisar da tua atenção, entra novamente em contacto contigo.
Também não tens de estar sempre no computador. A OpenAI confirma que podes comunicar com o Dot através do ChatGPT na web, telemóvel e aplicação para computador.
Está ainda prevista a utilização dos Dots em plataformas como Slack e Microsoft Teams. Num canal do Slack, por exemplo, o agente pode acompanhar questões pendentes e pegar nos próximos passos de um projeto.
És tu que decides aquilo a que pode aceder
Dar a um agente de IA capacidade para utilizar diferentes aplicações levanta naturalmente questões sobre privacidade e controlo. Neste ponto, a OpenAI diz que o utilizador escolhe quais as aplicações às quais o Dot pode ter acesso e aquilo em que o agente se deve concentrar.
O Dot começa ainda com contexto proveniente da memória do ChatGPT, caso esta esteja disponível, para perceber melhor a forma como trabalhas.
A lógica é semelhante à seguida pela Meta com o Muse. No caso da empresa de Mark Zuckerberg, o utilizador também decide quais os serviços que liga ao agente e qual o nível de acesso concedido a cada um. Para determinadas ações sensíveis, como enviar um email ou realizar uma compra, o Muse pede primeiro confirmação.
Quem pode utilizar os Dots?
Os Dots estão a começar a ser disponibilizados no ChatGPT Pro, Business Premium e Enterprise, mas apenas nos mercados elegíveis. Nas contas Enterprise, a utilização depende ainda da ativação da funcionalidade pelo administrador do espaço de trabalho.
A diferença fundamental está no que acontece depois de fechares a conversa: em vez de o trabalho ficar parado até voltares a escrever uma nova instrução, o objetivo dos Dots é continuar a avançar com aquilo que lhes deixaste para fazer.