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ChatGPT acaba de roubar um dos melhores truques da Google, mas as pessoas estão preocupadas

O ChatGPT já te deixa experimentar roupa com uma selfie ou uma foto de corpo inteiro, graças ao Images 2.5. Podes até pedir peças parecidas às de uma foto que tenhas. Mas há limites e cuidados que convém conhecer.

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Foto de Solen Feyissa na Unsplash

Numa altura em que foram lançados os Dots, um agente que trabalha para ti 24 horas, o ChatGPT acaba de ganhar uma nova funcionalidade que já devias conhecer das lojas online: um provador virtual. A OpenAI não inventou nada de novo aqui, porque o Google Shopping já faz algo parecido há algum tempo, mas é a primeira vez que a experiência chega ao chat de uma forma tão integrada.

Basta uma selfie ou uma fotografia de corpo inteiro tua, e a IA mostra-te como uma determinada peça fica no teu corpo. Por trás está o ChatGPT Images 2.5, o modelo de imagem mais recente da empresa. Quem já o experimentou, destaca três melhorias em relação aos modelos anteriores: a iluminação parece mais natural, as texturas têm mais riqueza e os detalhes da pessoa mantêm-se melhor.

Em conjunto, são essas diferenças que ajudam a que o resultado se pareça menos com uma montagem e mais com uma fotografia real.

A ideia não é nova. É uma das áreas em que o Google Shopping já se destaca, e a OpenAI limita-se a trazê-la para dentro do chat.

Como funciona

Sempre que o ChatGPT te mostrar peças de roupa, por exemplo, quando lhe pedes recomendações, aparece um botão "Try on" ao lado de cada uma. Na primeira vez, surge uma janela a sugerir que tires uma selfie ou escolhas uma da galeria. Depois, o ChatGPT pede-te também uma imagem de corpo inteiro. A partir daí, é só carregar no botão.

Não ficas limitado ao que a IA te sugere. Se partilhares o link de um sobretudo, por exemplo, a ferramenta mostra-o vestido. Também podes enviar a fotografia de um conjunto de que gostes e pedir ao ChatGPT para encontrar produtos parecidos que possas comprar — e experimentar virtualmente. Recebes as duas coisas.

Parece, mas isto não é apenas uma forma engraçada de experimentar roupa. Serve, na verdade, para encontrar estilos, ver opções de compra e perceber como ficam em ti, tudo na mesma conversa. Para quem costuma guardar fotos de roupa que viu por aí, esta ferramenta pode tornar-se muito útil.

Favoritos e pastas

A OpenAI acrescentou ainda a possibilidade de guardar produtos de que gostas numa lista de Favoritos ou numa pasta própria.

Ambas as novidades já estão disponíveis no Canadá, na aplicação móvel e na web, e deverão alastrar-se para o resto dos países. Embora ainda não haja uma data sobre quando chegam a Portugal, deve ser uma questão de tempo até surgir num update.

O contexto: compras com altos e baixos

O ChatGPT ganhou funcionalidades básicas de compras em abril do ano passado. Desde então, as recomendações nem sempre foram fiáveis. Houve notícias recentes de que a ferramenta chegou a apresentar lojas falsas e montras fraudulentas. Ainda assim, a OpenAI continua a investir nesta área.

Há outro dado a ter em conta. A novidade chega pouco depois da empresa ter decidido abandonar o Instant Checkout, a funcionalidade que permitia pagar sem sair do chat. O que parece ter acontecido é que a OpenAI quer que o ChatGPT seja o sítio onde descobres e escolhes produtos, mas deixa a compra propriamente dita para as lojas. O provador encaixa bem nessa estratégia: ajuda-te a decidir, e é isso que faz vender.

O que ainda não resolve

O provador virtual tem limites, e a própria OpenAI admite-os. As imagens podem não representar com exatidão o produto nem o teu aspeto. E não te dizem se determinado tamanho te serve. É justamente o que mais pesa quando compras roupa online, e continua por tua conta.

A página de apoio da OpenAI recomenda que, antes de comprares, confirmes as medidas do comerciante, os detalhes do produto e a política de devoluções. Se fores comprar algo que o ChatGPT recomendou, verifica também quem é o vendedor. Com o historial de lojas falsas, este cuidado é importante.

E onde vão parar as tuas fotos que partilhas no chat?

Há também a questão da privacidade. As fotos de referência que partilhas ficam guardadas para o ChatGPT gerar mais aventuras destas no futuro. Se não quiseres que fiquem lá, podes apagá-las em Definições > Personalização > Reference photos.

Recentemente, a OpenAI identificou 53 casos em que imagens enviadas por utilizadores ao ChatGPT foram publicadas em serviços externos de alojamento de imagens.

Convém pensar nisto antes de carregares uma fotografia de corpo inteiro. A comodidade de não voltares a enviar a imagem tem como contrapartida teres uma foto tua guardada numa conta de IA, num servidor algures no mundo. É uma troca que cada pessoa tem de avaliar por si.

É uma ferramenta interessante, mas tem "senãos"

O provador do ChatGPT é útil sobretudo pela combinação: encontras peças, vês como ficam e guardas as que te interessam, sem mudar de app. Mas não substitui as medidas e as devoluções da loja, e a fiabilidade das recomendações ainda levanta dúvidas. Serve para ter uma ideia, não para decidir sozinho.

Rodrigo Vieira
Rodrigo Vieira
O Rodrigo é colaborador na 4gnews e cobre assuntos como gadgets, telecomunicações e software. É licenciado em Comunicação e conta com 10 anos de experiência na criação de conteúdo escrito online.