A maioria das pessoas troca de telemóvel quando ele já está a dar problemas há meses. E os sinais aparecem muito antes, só que costumamos ignorá-los ou arranjar um truque para os contornar, como, por exemplo, levar o carregador para todo o lado, apagar fotos para ganhar espaço ou apenas aceitar que as apps demoram a abrir.
Mas temos de aceitar a realidade e perceber o que cada sinal quer dizer.
A bateria é o primeiro sinal
Uma bateria nova aguenta bem os primeiros dois a quatro anos, dependendo muito do uso. Depois vai perdendo capacidade, e isso nota-se em coisas concretas: precisas de carregar mais do que uma vez por dia, a percentagem cai aos saltos ou o telemóvel desliga-se com 20 ou 30% de carga.
Só a bateria raramente justifica comprar um smartphone novo, embora eu perceba a tentação. A troca de bateria é uma das reparações mais baratas e dá uma segunda vida ao telemóvel. O caso muda quando a bateria incha: o ecrã levanta ou a traseira deforma. Se chegar a esse ponto, não uses mais o telemóvel e leva-o a uma assistência. Isto não é um problema de desempenho, é já uma questão de segurança.
O desempenho não engana
A lentidão não aparece de um dia para o outro; vai instalando-se aos poucos. As apps demoram mais a abrir, o teclado atrasa-se, a câmara bloqueia entre fotos.
Um reinício do sistema e uma limpeza de armazenamento resolvem durante uns dias. No entanto, se o problema acaba por voltar sempre, isto pode significar que o hardware já não acompanha o software.
O armazenamento também conta. Um telemóvel que está permanentemente cheio pode não conseguir instalar atualizações nem guardar ficheiros temporários, e isso piora tudo o resto.
Aquecer em tarefas simples, como ver um vídeo ou usá-lo para navegar, é outro aviso que não convém desvalorizar.
O sinal mais importante é o das atualizações
Este é, provavelmente, o ponto em que a grande maioria das pessoas falha, porque o telemóvel pode estar a funcionar perfeitamente e já ser um risco. Estranho, não é? Por que razão haverias de trocar de telemóvel quando este é velho, mas funciona bem?
Ora, quando a marca deixa de lançar atualizações de segurança, qualquer falha descoberta a partir daí fica por corrigir. E num aparelho onde tens o banco, o MB WAY, o e-mail e as redes sociais, esta situação pode ser um jogo perigoso.
As regras na Europa mudaram. Desde 20 de junho de 2025, a UE obriga os fabricantes a garantir pelo menos cinco anos de atualizações do sistema depois de deixarem de vender o modelo. Exige também peças de substituição disponíveis durante sete anos e baterias que mantenham 80% da capacidade ao fim de 800 ciclos de carga.
Estas regras só valem para os modelos lançados a partir dessa data, por isso um telemóvel mais antigo pode ter um calendário bem mais curto.
Há outro aviso que, quando aparece, é porque o teu telemóvel pode já estar a viver "com tempo emprestado", e este tu notas: algumas apps deixam de instalar ou de funcionar em versões antigas do sistema.
É comum acontecer com apps de bancos e de pagamentos, que pedem versões recentes por razões de segurança. Aí o problema já não é a lentidão, é deixares de conseguir fazer o que precisas.
Os danos físicos também contam
Um ecrã partido que ainda funciona consegue aguentar-se um tempo, mas as falhas de toque, as linhas e as manchas tendem a piorar.
O mesmo vale para a porta de carregamento solta, o microfone com ruído ou o altifalante que já não se ouve bem. Cada um destes problemas, sozinho, costuma ter reparação, mas tudo somado, deparamo-nos com o fim de vida.
Reparar ou trocar?
Como regra prática (não é nenhuma norma), a reparação compensa enquanto custar bem menos do que metade do preço de um telemóvel equivalente e o aparelho ainda tiver suporte de atualizações. Bateria gasta ou ecrã partido num telemóvel com poucos anos é quase sempre caso para reparar.
Trocar faz mais sentido quando se juntam vários sinais ao mesmo tempo, sobretudo se um deles for o fim das atualizações de segurança. Aí já não adianta investir num aparelho que vai continuar a ficar para trás.
O melhor é não esperar pelo dia em que o telemóvel deixa de ligar. Quem repara nos primeiros sinais tem tempo para comparar preços, vender o antigo e escolher com calma, em vez de comprar à pressa o primeiro que aparece.
Vê também: Ressuscita a autonomia do teu telemóvel: mais 5 dicas que evitam a troca da bateria.