A troca de smartphone é aquele momento em que quase todos nós caímos nas mesmas armadilhas. Entre o marketing, que já por si é muito agressivo, as promoções com letras pequeninas e a vontade de ter o modelo mais recente nas nossas mãos, é muito fácil tomar uma má decisão e gastar mais dinheiro do que realmente seria preciso.
Se queres evitar os gastos a mais na tua próxima compra, estes são os erros mais comuns que os portugueses cometem ao escolher um telemóvel novo — e o que deves fazer em vez disso.
1. Aceitar a fidelização da operadora para "pagar às prestações"
Este é um clássico nacional. ir à loja da MEO, NOS ou Vodafone e sair de lá com um telemóvel novo a pagar em 24 meses associado ao pacote da TV lá de casa.
A ideia de pagar 15€ ou 20€ por mês parece apelativa, mas as contas raramente batem certo. O preço final do telemóvel fica quase sempre mais caro do que se o comprasses numa loja ou online. Para piorar a situação, ficas preso à operadora com uma nova fidelização, o que te tira qualquer abertura para renegociar o contrato e baixar a fatura da televisão e da internet.
2. Comprar a versão com menos armazenamento para poupar mais um pouco
Embora não considere que seja um "erro fatal", "a verdade é que é fácil escolher o modelo base de 128 GB para poupar 100€. O problema é que a utilização do smartphone em Portugal tem uma particularidade: o uso (e abuso) do WhatsApp.
Entre os grupos de família, amigos e trabalho, a quantidade de fotos, vídeos e áudios que entram diariamente no telemóvel é gigantesca. Junta a isto os ficheiros do sistema e a câmara do próprio telemóvel a tirar fotos de alta resolução, e em menos de um ano tens a memória cheia.
Ou seja, o telemóvel fica lento, és obrigado a apagar ficheiros e apps constantemente ou acabas por pagar mensalidades de armazenamento na nuvem. 256 GB deve ser o teu ponto de partida.
No entanto, a maioria dos telemóveis mais recentes já tem como modelo base os 265 GB de memória. Mas no caso de comprares um telemóvel mais antigo (novo ou recondicionado), tem isto em mente. Outra hipótese é desativar a opção que guarda automaticamente os ficheiros do WhatsApp (e de outras apps).
3. Olhar apenas para os megapixels da câmara
O número de megapíxeis continua a ser a métrica favorita das equipas de marketing, mas diz muito pouco sobre a qualidade verdadeira das fotos. Um sensor de 200 MP num telemóvel barato não vai fazer milagres se a lente for fraca e o processamento de imagem não ajudar.
Além disso, muitas marcas continuam a colocar três ou quatro câmaras na traseira por uma questão de estética funcional. Na prática, a terceira e a quarta lente costumam ser sensores macro ou de profundidade de 2 MP que não são o fator principal das tuas fotos. Vale mais ter duas câmaras realmente boas do que um conjunto de quatro lentes medíocres.
4. Pagar por potência que nunca vais usar
Gastar 1200+€ num modelo Pro Max ou Ultra para depois passar o dia a ver vídeos no TikTok, mandar mensagens no WhatsApp, usar a app do banco e fazer pagamentos no MB WAY é o equivalente a comprar um carro de corrida para ir ao supermercado.
A menos que faças edição de vídeo pesada no telemóvel ou jogues títulos de última geração, não precisas do processador mais rápido do mercado. Hoje em dia, os telemóveis na faixa dos 500€ oferecem um desempenho excelente e uma fluidez que dura vários anos sem problemas.
5. Ignorar os anos de atualizações de software
Muitos consumidores olham para o design, para o ecrã e para a bateria, mas esquecem-se do detalhe que vai ditar a vida útil do telemóvel: as atualizações do sistema.
Um telemóvel que deixa de receber atualizações de segurança fica vulnerável a falhas e, com o tempo, deixa de ser compatível com aplicações essenciais, como as bancárias.
Marcas como a Samsung e a Google oferecem agora até 7 anos de suporte, enquanto outras marcas mais baratas abandonam os seus modelos ao fim de poucos anos. Saber quantos anos de suporte o telemóvel tem deve ser um fator decisivo de compra.
A melhor escolha é a certa
No fundo, escolher um telemóvel novo resume-se a comprar com a cabeça e não com o impulso. A indústria vive de nos convencer de que precisamos sempre do ecrã mais brilhante, da câmara com mais megapixels e do processador mais rápido, quando a verdade é bem mais simples: o melhor telemóvel para ti é aquele que faz tudo o que precisas no teu dia a dia sem limpar a tua conta do banco.
Antes de comprar um novo telemóvel, olha para o que realmente usas e pergunta a ti próprio se estás a pagar por utilidade ou apenas por marketing.