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Por favor, evita estes carregadores se queres que o teu telemóvel dure

Um carregador de 2 ou 3 euros parece uma boa decisão, mas o que poupas no preço costuma faltar nos circuitos de proteção. Sem eles, o risco vai além do carregador e pode chegar ao telemóvel, à ficha e à tua casa.

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O teu carregador original deixou de funcionar, ou ficou esquecido em casa de alguém. Abres uma loja online, vês um carregador USB a 2 ou 3 euros, com entrega grátis, e compras. Parece uma decisão sensata para um acessório que, no fundo, é "só uma ficha com um cabo".

Não é. E o problema está precisamente no que não consegues ver.

O que é que um carregador faz, na prática?

Um carregador não passa apenas a eletricidade da tomada para o telemóvel. A corrente que sai da parede é alternada e a 230 volts. O que o telemóvel aceita é corrente contínua, a 5 volts ou pouco mais. Todo o trabalho de converter e baixar essa tensão acontece dentro desta caixinha de plástico.

Num carregador bem feito, essa conversão vem acompanhada de proteções: contra picos de tensão, contra curto-circuitos, contra sobreaquecimento e contra sobrecarga. Há ainda isolamento entre o lado da tomada e o lado do telemóvel, para que os 230 volts nunca cheguem a quem está a tocar no aparelho.

Tudo isto custa dinheiro a projetar, a testar e a produzir. E é aqui que a conta de 2 euros não bate certo.

Onde é que o preço se poupa?

Quando um carregador custa 2 ou 3 euros, depois de descontados o transporte, a plataforma, a margem do vendedor e o próprio fabrico, sobra muito pouco para os componentes. O que se corta é, quase sempre, o que não se vê à primeira:

  • Os componentes de proteção, que simplesmente não existem ou são substituídos por peças de qualidade inferior;
  • A distância de isolamento entre os circuitos, que em carregadores de marca é cuidadosamente medida e nos falsos pode ser mínima;
  • A qualidade do plástico, que em alguns casos amolece ou deforma com o calor;
  • Os testes, porque a certificação tem custos e prazos que estes produtos não cumprem.

Por fora, o resultado pode ser quase igual. Há cópias que reproduzem o aspeto de carregadores de marcas conhecidas ao pormenor, incluindo logótipos e inscrições. Por dentro, é outra história.

O que pode correr mal?

Os registos de incidentes com este tipo de equipamento em Portugal repetem-se, e os problemas seguem um padrão:

  • Aquecimento excessivo, com o carregador demasiado quente ao toque;
  • Danos no telemóvel, porque uma tensão instável pode afetar a placa e a bateria, o que muitas vezes custa mais do que o carregador original;
  • A ficha a derreter ou a deformar-se dentro da tomada;
  • Choques elétricos, quando o isolamento falha e a tensão da rede chega ao lado do cabo;
  • Pequenos incêndios, que são o caso menos frequente, mas o mais grave.

É importante perceber uma coisa: quando algo corre mal com um carregador, quase nunca acontece quando estás a olhar para ele. Acontece de noite, a carregar ao lado da cama, ou durante o dia, sem ninguém por perto. É isso que torna o risco tão desproporcional face à poupança.

A poupança é menor do que parece

Um carregador de uma marca conhecida, ou um modelo certificado de uma marca de acessórios com reputação, custa tipicamente entre 10 e 20 euros (às vezes mais). A diferença para o de 3 euros é de uns 10 ou 15 euros, uma vez, para um objeto que vais usar todos os dias durante anos.

Do outro lado da balança, tens um telemóvel que custa centenas de euros e que pode ficar danificado, para além do risco para a tua casa e para quem lá vive. Não é uma troca equilibrada.

Há ainda um ponto que raramente se discute: o carregador não é o sítio certo para poupar. Podes poupar numa capa, numa película ou num suporte. Um carregador é um equipamento ligado à eletricidade, durante horas, muitas vezes sem ninguém por perto.

Como reconhecer um carregador de confiança

Não precisas de ser técnico para fazer uma escolha melhor. Há sinais simples que ajudam:

  • A marcação CE (Conformidade Europeia), que tem de estar visível no carregador. Atenção: existem cópias dessa marcação, por isso não chega por si só, mas a sua ausência é um mau sinal;
  • Informação clara e completa no corpo do carregador: tensão, corrente, potência, nome do fabricante ou importador. Se a inscrição está apagada, mal impressa ou em falta, desconfia;
  • O peso: um carregador demasiado leve costuma ter menos componentes lá dentro, incluindo os de proteção;
  • O vendedor: compra em lojas com morada, contacto e política de devolução claros, e não em anúncios anónimos;
  • O preço: se o valor é muito inferior ao da concorrência para as mesmas características, a diferença está em algum sítio e, normalmente, é dentro da caixa.

Se já tens um carregador de origem duvidosa em casa, deixa de o usar quando notares que aquece muito, que cheira a queimado, que zumbe de forma estranha ou que a ficha ficou com marcas de calor. Não esperes que o problema piore.

A opção mais simples

Se o original se avariou, o melhor caminho é comprar o carregador oficial do fabricante ou um modelo de uma marca de acessórios conhecida, que vende em lojas físicas e online com garantia. Se te serve, um carregador de maior potência e com várias entradas pode até substituir dois ou três que tens espalhados pela casa.

Um carregador é um daqueles objetos em que o preço baixo tem sempre um motivo. Neste caso, o motivo está lá dentro, onde não consegues ver, e é por isso mesmo que vale a pena gastar mais uns euros e comprar bem à primeira.

Vê também: Se vais carregar o telemóvel, nunca faças isto.

Rodrigo Vieira
Rodrigo Vieira
O Rodrigo é colaborador na 4gnews e cobre assuntos como gadgets, telecomunicações e software. É licenciado em Comunicação e conta com 10 anos de experiência na criação de conteúdo escrito online.