A Apple pode estar prestes a promover a maior transformação da Siri desde o seu lançamento. Segundo um relatório de Mark Gurman, da Bloomberg — uma das fontes de informação mais confiáveis para assuntos da Apple —, a empresa planeia converter a assistente virtual num verdadeiro chatbot de inteligência artificial, aproximando a experiência do que hoje é oferecido por soluções como o ChatGPT.
A reformulação está prevista para chegar com o iOS 27 e pode tornar-se um dos principais destaques da WWDC, marcada para junho.
O projeto “Campos” e a nova estratégia de IA da Apple
De acordo com as fontes ouvidas por Gurman, o novo chatbot da Siri — internamente conhecido pelo nome de código “Campos” — funcionará tanto por comandos de voz como por texto, ampliando significativamente as formas de interação com o assistente (via MacRumors).
A mudança representa uma viragem importante na estratégia da Apple, especialmente se considerarmos declarações anteriores de Craig Federighi, vice-presidente sénior da empresa, que afirmava não querer transformar a Siri num chatbot, mas sim integrar recursos de IA de forma discreta e contextual. A crescente popularidade dos chatbots concorrentes, no entanto, parece ter forçado uma revisão desse posicionamento.
Infraestrutura de IA e parceria com a Google
O relatório também aponta que a Apple estuda uma alteração relevante na sua infraestrutura de processamento para viabilizar essa nova Siri. A empresa estará a negociar com a Google a possibilidade de executar o chatbot de próxima geração diretamente na nuvem da gigante das pesquisas, a utilizar servidores equipados com TPUs (Tensor Processing Units), chips especializados em cargas de trabalho de inteligência artificial em larga escala.
Ainda segundo Gurman, as melhorias mais imediatas da Siri, previstas para versões intermédias do iOS 26, continuarão a correr exclusivamente no Private Cloud Compute da Apple. Essa plataforma, apresentada em 2024, utiliza servidores próprios com chips de classe Mac e é promovida pela empresa como uma solução focada na privacidade, na qual os dados dos utilizadores são processados temporariamente e não ficam armazenados — nem mesmo acessíveis internamente.
Já o chatbot mais avançado, planeado para a próxima grande geração do sistema, deve utilizar um modelo de linguagem mais robusto, internamente chamado de Apple Foundation Models versão 11. Executar uma IA deste porte em escala global pode exceder os limites práticos da atual infraestrutura privada da Apple, o que explicaria a necessidade de recorrer à nuvem da Google.
