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Apple e Huawei travam batalha neste mercado e há um vencedor inesperado

O mercado global de smartwatches registou uma queda de 4% no segundo trimestre de 2026. Os dados são da Counterpoint Research e revelam uma mudança interessante: enquanto a Apple acelera, a Huawei continua a liderar as vendas globais.

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Huawei Watch D2

Apesar da quebra do mercado, os consumidores não parecem ter perdido o interesse pelos relógios inteligentes. O principal problema pode estar noutro lugar: os novos modelos estão a oferecer poucas razões para os utilizadores fazerem uma atualização.

Apple acelera em todo o mundo

De acordo com o novo relatório da Counterpoint Research, a Apple destacou-se com o crescimento anual mais rápido entre as cinco principais marcas do setor no segundo trimestre, impulsionada por um aumento de vendas em todas as regiões.

Mais de 80% das vendas da gigante de Cupertino vieram dos Apple Watch Series 11 e Watch SE 3, demonstrando que estes modelos conquistaram os utilizadores. A empresa registou ainda uma recuperação notável no mercado chinês, superando a queda verificada no mesmo período do ano passado.

Huawei lidera mercado global com apoio massivo da China

No topo do ranking global de remessas manteve-se a Huawei, sustentada por um número impressionante: cerca de 80% dos seus smartwatches foram enviados para o mercado chinês.

A dependência da Huawei em relação à China reflete a importância crescente do próprio país para toda a indústria tecnológica:

  • Recorde histórico: Os consumidores chineses representaram 38% das remessas globais no trimestre, a maior quota alguma vez registada pelo país;
  • Domínio local: Cerca de 4 em cada 10 smartwatches vendidos no mundo foram no mercado chinês;
  • Incentivos: O mercado chinês cresceu 7% em ritmo anual, alavancado pela preferência por marcas nacionais e por programas de subsídios governamentais ao consumo.

Por que razão as vendas caíram? O "paradoxo da qualidade"

A queda nas remessas não significa que o interesse pelos relógios inteligentes tenha desaparecido. Pelo contrário, o número de utilizadores no dia a dia continua a aumentar. O verdadeiro obstáculo é a falta de motivos para trocar de dispositivo, avança a Counterpoint.

Esta estagnação afeta o mercado em duas frentes:

  1. Smartwatches Básicos: O segmento de entrada está a encolher porque os modelos mais económicos não apresentam evoluções relevantes de monitorização de saúde que justifiquem a substituição;
  2. Segmento Premium: Os compradores de modelos topo de gama estão a manter os seus relógios durante mais tempo, sabendo que as melhorias de geração para geração se tornaram incrementais.

A indústria enfrenta assim um paradoxo: os smartwatches tornaram-se tão bons e duradouros que os utilizadores não sentem necessidade de comprar um novo. Para a totalidade do ano de 2026, a Counterpoint prevê um crescimento modesto de apenas 1% no mercado global.

No entanto, a próxima grande vaga de atualizações pode estar prestes a surgir. Tecnologias como inteligência artificial avançada integrada no dispositivo, medição contínua da pressão arterial e o aguardado rastreio não invasivo da glicemia são apontados como os únicos trunfos capazes de fazer os consumidores voltarem às lojas.

Mónica Marques
Mónica Marques
Mónica Marques é redatora no 4gnews e, ao longo de mais de duas décadas de experiência, já cobriu várias edições do Mobile World Congress e IFA. Assinou centenas de análises detalhadas a smartphones, smartwatches, ecossistemas de smart home e gadgets que podem melhorar a tua rotina.