Se há precisamente uma semana "A Confiança Cega: O Falso Profeta" dominava o top da Netflix a nível mundial, a verdade é que esta impressionante minissérie foi destronada.
Como mostram os dados mais recentes do FlixPatrol, a minissérie documental "Ronaldinho Gaúcho" – que estreou na passada quinta-feira, 16 de abril, é atualmente a mais vista tanto em Portugal como a nível global.
Esta minissérie de apenas três episódios (cada um com cerca de uma hora) acompanha a história de um dos melhores futebolistas (e fantasistas) de todos os tempos.
Ronaldo de Assis Moreira, é o único futebolista da história do desporto-rei a vencer um Campeonato do Mundo, uma Copa América, uma Taça das Confederações, uma Liga dos Campeões, uma Taça dos Libertadores e uma Bola de Ouro.
O mago brasileiro passou por alguns dos maiores clubes do mundo, como Paris Saint-Germain, Barcelona (onde atingiu o auge), Milan e Flamengo.
Qual o enredo?
Tudo começa no Rio Grande do Sul, no Brasil, onde um miúdo cresceu a ver o irmão mais velho, Assis, jogar no Grémio. O futebol era o ambiente, a família era o combustível, e o talento era inato.
A transferência para o PSG marcou a sua chegada à Europa, mas foi no Barcelona que se tornou lenda. Com a camisola 10 blaugrana, refundou um clube inteiro, conduziu-o à conquista da Champions League em 2006, tendo sido eleito melhor jogador do mundo em 2004 e 2005.
Numa noite histórica no Santiago Bernabéu, fez algo que mais nenhum conseguiu: foi aplaudido de pé pelos adeptos do Real Madrid após destruir os Galácticos com um futebol de outro planeta.
Mas a carreira de Ronaldinho nunca foi apenas futebol. As noitadas, as festas que duravam dias, as histórias que se tornaram lenda, como a tentativa de construir um túnel entre a sua casa no Flamengo e a discoteca em frente para evitar as câmeras, fazem parte do mesmo personagem. O declínio veio, o rendimento caiu, e as polémicas multiplicaram-se.
O final da história reservou um capítulo ainda mais chocante: uma detenção no Paraguai, durante a pandemia, por utilização de passaporte falso. Até aí, Ronaldinho conseguiu ser Ronaldinho, tornando-se campeão do torneio de futebol da prisão onde esteve vários meses.
A minha opinião
Sendo eu um amante do desporto-rei, não poderia deixar de ver este documentário sobre um dos meus jogadores preferidos de sempre.
A Netflix tinha nas mãos um dos personagens mais fascinantes da história do futebol... e desperdiçou boa parte do potencial.
A minissérie não é má. Tem momentos genuinamente bons, sobretudo no primeiro episódio, onde a infância e a relação familiar são retratadas com profundidade. O capítulo sobre o jogo entre Flamengo e Santos, o histórico 4×5 de 2011, também é tratado com o 'sumo' que merecia.
O problema é que tudo o resto parece acelerado, como se existisse um limite de tempo para a produção. A verdade é que há material para bem mais episódios. É pena que tenham sido comprimidos em apenas três.
A saída do Grémio para o PSG, um episódio marcante para o clube e para o jogador, é abordada como se fosse uma transferência banal.
A passagem pelo Barcelona, que poderia ser um documentário por si só, fica reduzida a depoimentos de Joan Laporta e a aparições breves de Messi e Puyol.
A prisão no Paraguai, que teria tudo para ser um episódio absolutamente extraordinário, recebe uns parcos quinze minutos.
Ronaldinho Gaúcho foi imprevisível, mágico e indomável. O documentário sobre a sua vida é, ironicamente, tudo aquilo que ele nunca foi: previsível, formatado e sem surpresas. Considero que fica aquém do ícone que retrata.
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