Xiaomi: Dos oito aos oitenta. O futuro problema da marca chinesa

Filipe Alves

Vou começar por dizer que sou um fã da Xiaomi. Adoro o Xiaomi Mi Mix 2S e é um dos meus smartphones Android preferidos. Adorei os computadores da fabricante chinesa, fiquei fã da Mi Band 3 e sou um entusiasta pelos seus produtos IOT (Internet of Things).

Ou seja, gosto verdadeiramente da marca. Contudo, acredito que a Xiaomi se está, aos poucos, a meter num buraco negro que dificilmente conseguirá sair.

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Antes de me julgares e começares a contra argumentar enquanto lês, observa a minha teoria e lê o artigo até ao final. Já há muito que venho a pensar nisto e a conclusão é sempre a mesma. A Xiaomi não está a crescer de uma forma sustentável. Está sim a mandar tecnologia descartável para o mercado. E nada pior do que desvalorizar algo que o utilizador acabou de investir.

Xiaomi está-se a meter num buraco negro

Primeiramente comecemos pela forma de atualizações do seus hardware. Se no passado tínhamos um smartphone de ano a ano, agora temos sucessores 6 meses depois. O Black Shark e Mi Mix são exemplos disso mesmo. Os terminais não evoluirão a nível de processador isto porque no espaço de lançamento entre ambos nenhum novo processador foi revelado. Ou seja, é um novo hardware com o mesmo coração.

Ademais, daqui a uns meses teremos os tais novos processadores da Qualcomm, ou seja, vamos ter "mais justificações" para ver a evolução do Mi Mix 3 e Black Shark 2 que chegam agora ao mercado. A Xiaomi está a lançar smartphones neste momento já com prazo de vida reduzido.

Se a marca lançasse um terminal por ano (nesse segmento) e escolhesse estas datas conseguia compreender, contudo, tal não acontece. Ou seja, já sabemos que em fevereiro vamos ter o modelo "S" que nos vai dar ainda mais.

Contudo, não me quero ficar por aqui. Isto porque acredito que o problema não é apenas o prazo de atualização do hardware do smartphone.

Um dos topos de gama lançados este ano

Este ano (2018) a Xiaomi lançou até ao momento 18 smartphones (gsmarena) e prepara-se para lançar já nos próximos 5 dias mais dois. Para um total de 20 smartphones em 10 meses do ano. No ano passado a marca lançou 13 smartphones para o mercado. Isto sem contar com as variantes de memória de cada um deles.

O The Next Web referiu "A Xiaomi está a lançar mais smartphones que nunca e está a ser difícil acompanhar". Não é só complicado para um amante de tecnologia (como eu) acompanhar o que a marca lança, como também perco a vontade de saber mais. É sempre a mesma coisa. Muda um risco e é um novo smartphone.

Mas o pior está para vir. A Xiaomi começou a empresa como uma marca de software. A conhecida MIUI. Até que ponto é que a fabricante continuará a dar o suporte a nível de atualizações a lançar mais de 20 smartphones ao ano?

A marca necessita seriamente de apaixonados que façam o trabalho de borla - literalmente - até que ponto é que continuarão a conseguir manter esta paixão com tantos smartphones no mercado? Isto porque a maior parte dos "desenvolvedores" que melhoram e traduzem as ROM's são em trabalho voluntário.

Isto faz-me lembrar aquela anedota "Isto vai ser bom não foi?" Os equipamentos batem na caixa do correio do cliente e já estamos a escrever sobre o próximo. Pior ainda. O próximo já está quase pronto. Aliás, acabou de ser lançado. Entendes?

Por exemplo, a marca lança o Xiaomi Mi 8, Mi 8SE e Explorer Edition. Um mês depois dá-nos o Mi 8 Pro e semanas depois o Mi 8 Lite. WTF?

Xiaomi Mi A2 Lite, Android One e um preço agradável

Olhemos para os modelos com Android One. Os Nokia com o mesmo sistema já estão a receber o Android Pie, porque é que demora tanto nos Xiaomi? Porque a marca tem mil e um dispositivos para atualizar! Tão simples quanto isso!

Todavia, ainda há mais para falar. A Xiaomi não só está a fazer isto nos smartphones como no IOT.

Nas televisões está a acontecer o mesmo, nós é que não temos a percepção

Xiaomi Mi TV 4A televisão

Nas televisões, por exemplo, está acontecer o mesmo. Se bem que as televisões não existe tanto impacto no mercado ocidental porque é muito mais complicado de importar.

Em conclusão, o presente da Xiaomi deixa-me com questões na sustentabilidade do seu futuro. Prova disso mesmo são as ações que vão baixando à medida que um novo gama-média sai para o mercado. Por muito que goste da marca, existe sempre a dúvida sobre o seu futuro.

Isto faz-me lembrar a Samsung nos seus anos loucos. Onde tínhamos um Gio, Ace, Galaxy Y... Era uma festa.

Em suma, adoro os produtos da Xiaomi, realmente adoro. Mas como cliente tenho sempre receio em investir porque o próximo está sempre aqui à porta. Não me entendas mal, este é apenas um desabafo de um fã preocupado que uma das melhores marcas da história com uma visão "Pro-consumidor" desaparecerá pelo excesso de produtos.

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Filipe Alves
Filipe Alves
Fundador do projeto 4gnews e desde cedo apaixonado pela tecnologia. A trabalhar na área desde 2009 com passagens pela MEO, Fnac e CarphoneWarehouse (UK). Foi aí ganhou a experiência que necessitava para entender as necessidades tecnológicas dos utilizadores.