
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Ecrã | 6,9", AMOLED LTPO, 1-120 Hz, 3500 nits |
| Processador | Snapdragon 8 Elite Gen 5 |
| Câmaras | 50 MP (principal) + 50 MP (ultra angular) + 200 MP (teleobjetiva) |
| Bateria e carregamento | 6000 mAh, 90 W (com fios) e 50 W (sem fios) |
| Certificação e peso | IP68/IP69, 230g |
A Xiaomi há muito que deixou de ser uma só uma marca de telemóveis com boa qualidade-preço. O Xiaomi 15 Ultra foi considerado o melhor smartphone de 2025 pelo júri dos Prémios 4gnews e, por isso, o Xiaomi 17 Ultra carrega ainda mais pressão num ano em que a Xiaomi se quer afirmar de vez no segmento premium.
Fomos à China propositadamente para fazer uma tour fotográfica com o equipamento que tem nas capacidades fotográficas a grande arma. Mas nem todas as melhorias face à geração anterior podem ser notadas à primeira vista. Testei-o ao longo de três semanas em que foi o meu smartphone principal e neste artigo conto-te o que achei. O preço em Portugal é de 1499 € (ou 1299 € durante a pré-venda).

Design e construção
O design mostra maturidade. A marca manteve o módulo de câmaras circular na traseira que já se tornou imagem de marca e que faz lembrar as lentes clássicas da Leica. Mas a grande novidade, e que para mim faz toda a diferença no uso diário, é que a Xiaomi finalmente adota um design plano.
Tanto a traseira como o ecrã de 6,9 polegadas são totalmente planos, o que, a meu ver, faz o equipamento parecer ainda mais premium e a sensação de que temos um ecrã bem mais agradável de usar é notória. Acabaram-se os toques acidentais nas arestas curvas e o conteúdo multimédia é exibido de ponta a ponta, visto que as margens são bastante reduzidas.

Uma curiosidade de design que vais notar de imediato são os botões de volume. Estes passam a ter um formato circular, o que facilita imenso a sua diferenciação tátil face ao botão de ligar/desligar retangular. É um pequeno detalhe, mas que melhora a ergonomia diária.
Não há como ignorar que é um smartphone de grandes dimensões e o peso de sensivelmente 230g faz-se sentir. Como aliás, qualquer um dos concorrentes diretos não escapa a isto. Contudo, tem uma excelente ergonomia e é um equipamento muito polido em design e resistência, pois conta com certificação IP68/IP69 e o novo vidro Xiaomi Shield Glass 3.0.

Por fim, uma nota para o sensor de impressões digitais ultrassónico embutido no ecrã. É rápido, seguro e, durante as minhas três semanas de testes, não falhou uma única vez.
Câmaras
Vamos ao que realmente interessa. Este é provavelmente o smartphone que mais gostei de usar para tirar fotografias. A Xiaomi não brincou em serviço e trouxe especificações de topo, em que até acaba por simplificar as coisas face ao antecessor. Na tour fotográfica na China tirei mais de 500 fotografias e fiz imensos vídeos.

O sensor principal de 50MP é de 1 polegada (Light Fusion 1050L). Mas o segredo aqui chama-se LOFIC HDR. Para não te maçar com algo muito técnico, imagina que os píxeis são baldes de água (luz). Quando enchem, a imagem "queima". A tecnologia LOFIC adiciona um "reservatório extra" a cada píxel para guardar o excesso de luz.
Na prática, isto significa que as fotos em cenários de alto contraste, como pores-do-sol ou luzes de cidade à noite, têm um alcance dinâmico incrível, sem aquelas áreas brancas estouradas. E como tirámos imensas fotografias à noite (com todas as câmaras), os resultados não podiam corresponder mais ao que era prometido. Tanto na principal como na ultra angular, há ótimos resultados cheios de contraste e cores vivas.







Mas a joia da coroa é a teleobjetiva de 200 MP com zoom ótico mecânico de 75-100mm. Ao contrário de outros telemóveis que usam "crop" digital entre lentes fixas, aqui as lentes movem-se fisicamente dentro do telemóvel. Isto significa que que desde que tenham o zoom entre 3.2x e 4.3x, a qualidade é ótica e sem perdas. Depois, o zoom digital vai até 120x.





Pelo meu uso fotográfico, as fotos têm um aspeto orgânico, "crocante", sem aquele aspeto de aguarela artificial. A capacidade de ir dos 75mm aos 100mm sem perder qualidade permite enquadramentos perfeitos em retrato ou fotografia de rua. É ótimo para retratos com um desfoque natural do fundo e o processamento de cores é muito agradável.




Mas nem tudo é perfeito. Em vídeo, a focagem por vezes podia ser mais subtil, especialmente em baixa luz. Além disso, quando fazes zoom durante a gravação, a transição entre os diferentes sensores ainda é notória, com ligeiros saltos de cor ou exposição. Algo que acontece noutros Android concorrentes. Dá perfeitamente para o meu gasto de criação de conteúdo e a qualidade a 4K 60fps é muito boa, mas para vídeo ainda fica atrás do iPhone 17 Pro Max.
Bateria e carregamento
A Xiaomi ouviu as críticas. A bateria de 6000 mAh (tecnologia de silício-carbono) é, num uso normal, mais que suficiente para um dia intenso. Tendo em conta que a autonomia não era um ponto forte no Xiaomi 15 Ultra, agora é. Não é o campeão absoluto neste campo, pois luta com "monstros" como o OPPO Find X9 Pro que conseguiu colocar uma bateria de 7500 mAh, mas ficas muito bem servido.
Se precisares de carga rápida, tens 90 W com fios e 50 W sem fios, o que é mais do que suficiente para recuperar energia enquanto tomas um café. Tirando nos dias em que andei sempre a filmar e fotografar, só carreguei à noite e cheguei ainda com mais de 40% de autonomia ao final do dia.
Ecrã e áudio
O ecrã Xiaomi HyperRGB OLED de 6,9 polegadas é um regalo para os olhos. Como referi, o facto de ser plano é um adicional de conveniência no meu uso face ao Xiaomi 15 Ultra. Parece que temos bem mais ecrã útil, sem distorções nas bordas.
Está mais brilhante, pois atinge picos de 3500 nits, pelo que sob luz solar direta vês tudo perfeitamente (ainda que o antecessor já fosse ótimo). A taxa de atualização variável de 1-120Hz LTPO transmite grande fluidez em jogos e poupança de bateria em leitura. Para quem gosta de ver vídeos, como séries ou filmes no telemóvel, é praticamente perfeito.

No som, temos colunas estéreo duplas. Embora não tenha um som ao nível do POCO F8 Ultra (que tem é uma coluna portátil disfarçada), o Xiaomi 17 Ultra tem provavelmente a melhor qualidade de áudio num topo de gama Android "convencional", com som espacial e boa definição de graves.
Desempenho e software
No interior do Xiaomi 17 Ultra temos o Snapdragon 8 Elite Gen 5 emparelhado com 16GB de RAM LPDDR5X. No desempenho, está ao nível dos melhores. Nunca notei lentidão, soluços ou quaisquer limitações. Corre tudo o que quiseres, mesmo os jogos mais pesados com gráficos no máximo como o Genshin Impact.
Pontuação do Xiaomi 17 Ultra no Geekbench 6
- CPU: Single-core - 3567 pontos; Multi-core: 10275 pontos
- GPU: 23061 pontos

Vem com o Xiaomi HyperOS 3, que está cada vez mais polido e integrado no ecossistema da marca. É um equipamento preparado para durar muitos anos sem perder velocidade. Continua a haver alguma inspiração desnecessária no iOS na Central de Controlo ou HyperIsland (que acho bastante útil), mas é um sistema cada vez mais estável. Fica atrás das rivais ao promete 5 anos de atualizações de Android e 6 de segurança (contra 7 anos de marcas como a Samsung, Google ou Honor).
Para quem é o Xiaomi 17 Ultra?
- Fotógrafos amadores e entusiastas. O zoom mecânico e o sensor de 1 polegada são ferramentas criativas poderosas;
- Fãs de ecrãs planos. Se não gostavas das curvas dos modelos anteriores, este é para ti;
- Power users. Tem desempenho de topo e bateria para dar e vender.
Para quem não é o Xiaomi 17 Ultra
- Videógrafos exigentes. As transições de zoom ainda precisam de afinação;
- Orçamentos apertados, já que 1499 € é um investimento considerável.
Conclusão
O foco deste telemóvel são as câmaras, é certo. Mas a Xiaomi tentou ao máximo conceber um equipamento para conquistar qualquer utilizador. Ecrã e bateria melhorados, ótimo áudio, desempenho aprimorado e câmaras do melhor que a indústria tem para fotografia (embora em vídeo não seja o melhor).
O Xiaomi 17 Ultra consegue fugir com mestria às atualizações aborrecidas e anuais que temos visto noutros concorrentes. O zoom ótico mecânico de 75-100mm é uma daquelas funcionalidades que, depois de usar, custa a largar. Se tens 1499 € e queres a melhor experiência fotográfica em Android, a tua procura acaba aqui.
Confere a lista de melhores telemóveis para comprar em 2026 e a nossa review ao irmão mais novo, o Xiaomi 17.

