Ainda este ano, o Instagram não se mostrou envergonhado quando ofereceu a possibilidade de instalar a sua app numa televisão. Agora, surge ainda mais corajoso e testa uma nova funcionalidade: os “Features”, vídeos longos em formato horizontal. É a primeira vez que a rede social da Meta entra a sério neste território, e o alvo a atingir parece ser o YouTube.
A apresentação foi feita hoje, dia 26 de outubro, num vídeo de cerca de seis minutos, com Adam Mosseri, o responsável pelo Instagram, e Tessa Lyons, vice-presidente da empresa. O Instagram diz que está em fase de testes e que vai ouvir o feedback pelo caminho.
Como vai funcionar?
A lógica é simples: os Reels servem para atrair público e os Features ficam com o conteúdo mais longo. (tal como os Shorts, no YouTube). Um criador de podcasts, por exemplo, publica um excerto curto nos Reels e leva quem gostou para o episódio completo. Segundo a Hollywood Reporter, os testes envolvem vídeos de até 90 minutos.
Mosseri enquadrou o formato ao lado de Reels, Series, Live e TV, e disse que a ideia é dar aos criadores mais espaço para contarem histórias às comunidades que já têm na plataforma.
A mudança de opinião de Mosseri
O mais curioso é que o próprio Mosseri admitiu que era contra o vídeo longo no Instagram. O que o fez mudar foi o comportamento dos utilizadores, que cada vez mais veem Reels em grupo, até em aplicações de televisão. O Instagram já chegou ao Google TV em fevereiro, com os Reels no ecrã grande. Quem vê no sofá, com outras pessoas, aguenta mais do que 30 segundos.
O problema: falta o dinheiro?
O Instagram não anunciou nenhum programa de partilha de receitas publicitárias, algo que o YouTube tem há anos e que é uma das razões para tantos criadores trabalharem lá. Vão apenas manter-se os acordos publicitários que já existem com criadores.
De acordo com o 9to5google, os comentários ao anúncio foram quase todos sobre isto: porque é que alguém vai publicar vídeos longos no Instagram se o YouTube paga por isso? Tessa Lyons respondeu que vê uma grande oportunidade em apoiar criadores que ainda não têm infraestrutura nem um negócio por trás, mas não falou de qualquer sistema de pagamento comparável.
Será um "tiro certeiro"?
O Instagram tem o que muita gente quer: audiência e hábito de utilização. Falta-lhe aquilo que o YouTube já resolveu, que é dar aos criadores uma razão financeira para ficarem. Sem essa parte, os Features arriscam-se a ser um sítio onde se publicam vídeos longos por exposição e não por rendimento.
Por agora, o teste está limitado aos Estados Unidos e ainda não há data para chegar à Europa, por isso, em Portugal, vamos ter de esperar para ver o que isto vale na prática. Mas uma coisa é certa: se os testes se provarem úteis, podemos ter, muito em breve, uma nova forma de usar o Instagram e, possivelmente, uma concorrência ao YouTube.