Tim Cook afirma existir mais malware no Android que no iOS e aponta a causa

Rui Bacelar
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O CEO da Apple, Tim Cook, aponta o dedo acusatório à prática de side-load, a instalação paralela de aplicações. De acordo com Cook, tal prática "destruiria a segurança" do seu iOS e respetivos telefones, os iPhone.

O executivo vai mais além ao afirmar que o sistema operativo Android tem até 47 vezes mais malware (software malicioso) que o seu iOS. A matemática que permitiu a Cook avançar esta cifra não é, contudo, de domínio público.

A abertura do sistema Android é também um dos seus perigos aponta Tim Cook

Tim Cook, Apple CEO

Sabemos o quão gratificante pode ser a abertura do sistema operativo Android face ao iOS da Apple. Tome-se, por exemplo, a possibilidade de instalar aplicações fora da loja oficial de conteúdos, a Google Play Store. Para tal, basta ter o ficheiro .APK.

Este pacote de instalação (.APK) pode ser disponibilizado em repositórios de software como o GitHub, ou através de outras lojas de conteúdos como a AppToide, por exemplo. O utilizador pode, em seguida, instalar este mesmo ficheiro via side load, paralelamente.

Esta prática, a instalação paralela de aplicações, é um dos maiores trunfos do Android, abrindo portas para todo um leque de conteúdos que de outra forma seriam privados ao utilizador Android. É, também, uma responsabilidade acrescida para o mesmo utilizador.

O iOS prima pela integridade, segurança e privacidade para o iPhone

Cook, contudo, rejeita veementemente tal possibilidade no seu iOS. Em declarações à publicação Brut America, o CEO afirmou que tal seria pernicioso para os iPhone e para toda a comunidade de utilizadores iOS.

"Isso (o side-loading) destruiria a segurança do iPhone e de muitas iniciativas de fomento e garantia de privacidade em que estamos a trabalhar, entre outras que já aplicamos na App Store. Aí já temos as etiquetas de privacidade e de transparência das aplicações onde o utilizador é obrigado a conceder essas permissões, sendo devidamente informado sobre o seu teor e conteúdo".

"Estes trunfos não existiriam a não ser para as pessoas que aderem ao nosso ecossistema, portanto, preocupo-me profundamente com a privacidade e segurança", acrescenta Cook.

Até mais 47% de malware presente no Android face ao iOS da Apple

O CEO citou ainda que o sistema Android é responsável pela presença de até mais 47% de malware face ao seu iOS. Ainda que o executivo da Apple não tenha citado uma fonte para tal afirmação, recordamos o relatório da Nokia, remontando a 2019 no qual o Android era responsável por 47% de todo o malware detetado. O iOS, por outro lado, era responsável por apenas 1%.

Por outro lado, as infeções por malware terão caído para 26,6% no Android em 2020 de acordo com um novo estudo. Já os ataques registados em iOS terão aumentado para 1,7% afetando assim mais dispositivos iPhone nos últimos anos.

Em síntese, Cook terá usado métricas de um estudo já ultrapassado, mas com cifras mais significativas. Mesmo assim, não deixa de ser evidente a maior propensão do Android a infeções de malware, algo que se deve à conceção do próprio sistema.

"É porque nós concebems o iOS de tal forma que existe uma App App Store em que todas as aplicações são revistas e analisadas antes de figurarem publicamente", apontou Cook.

Por outro lado, é facilmente compreensível o apetite e preferência dos hackers pelas plataformas mais populares, tendo o Android mais utilizadores em todo o mundo. Desse modo, torna-se na plataforma mais visada pelos meliantes.

Resta, por fim, uma questão. Quão importante ou comum é para um utilizador Android instalar aplicações fora da Play Store?

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Rui Bacelar
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