“The Last Face”, a quinta longa-metragem de Sean Penn, conta a história de dois voluntários da Organização de Médicos do Mundo num campo de refugiados na Libéria, que vivem um amor em ambiente de guerra.

Sean Penn, considerado como um dos melhores actores do cinema actual e já reconhecido também, algumas vezes, como um realizador de excelência por filmes como “Into the wild” ou “The Promise”, mostra-nos a realidade sangrenta dum país em ambiente de guerra e em conflitos armados contra civis que se tornam refugiados, e que mesmo nos campos de concentração sofrem represálias, actos de violência vivendo em constante sobressalto com medo de ataques constantes.

   

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A personagem de Miguel (Javier Bardem), um médico espanhol que apenas se sente realizado profissionalmente a ajudar os refugiados directamente nos campos quando tudo está acontecer, é um homem com um sentido forte de humanidade e sensível (a cena em que chega ao hotel, prepara-se para tomar banho e desata a rir-se à gargalhada quando abre a torneira e vê a simplicidade que é ter acesso à água potável, num país sem guerra).

Miguel tem sempre esperança em salvar o máximo de vidas que pode, mesmo nas condições precárias dum campo de refugiados. Ao mesmo tempo é um homem muito realista quando confrontado com um ambiente violento e injusto.

Sabe que existem limitações que não pode ultrapassar. Revolta-se com as burocracias das organizações que falam dos problemas e não enfrentam as dificuldades hostis dos conflitos.

Quando se apaixona por Wren (Charlize Theron), uma médica que não exerce a actividade profissional há alguns anos voltando a fazê-lo quando conhece Miguel no campo de refugiados, vive num conflito interior entre o conseguir ultrapassar a dureza da violência dos campos e o desespero por não conseguir fazê-lo. Miguel vê-se dividido em viver o amor pleno com Wren ou continuar nos campos de refugiados.

The Last Face está longe de ser um grande filme

Sean Penn (vencedor de dois Óscares da Academia para melhor actor com os filmes “Milk” e “Mystic River”), sempre nos habituou à intensidade das suas personagens e a dramas bastante fortes, mas neste filme, por muitos já considerado o pior do Festival de Cannes, não se consegue perceber se a intenção é mostrar a dureza da realidade dos refugiados e todas as suas dificuldades, ou a incerteza de um amor com tantas diferenças.

Existem algumas cenas bastantes marcantes que acabam por colocar o espectador a suster a respiração, por exemplo, quando Miguel parte de helicóptero para outro cenário de guerra e uma mulher tenta que o seu filho seja levado por ele. Ou mesmo quando, todos esperam que um filho mate o seu pai e acaba por se matar.

No entanto, esses momentos acabam por não ser suficientes para que The Last Face seja considerado um grande filme. Sean Penn, que é também conhecido pelas suas posições políticas e o seu trabalho humanitário – sobretudo no Haiti, onde fundou uma ONG após o terramoto de 2010, acaba por colocar lado a lado a violência da guerra e uma história de amor, mas não consegue deixar de comparar o que é incomparável. Nem a banda sonora de Hans Zimmer que começa por ser promissora, acaba por salvar este filme.

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Sempre gostei da forma como uma história se pode transformar no grande ecrã! Desde que me lembro, sempre fui uma apaixonada por cinema, e procuro também fazer da minha vida um filme apaixonante!