Streaming ilegal e IPTV pirata. Qual é a opinião dos utilizadores?

Rui Bacelar
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Após terem sido avisados dos "riscos muito reais" a que estavam sujeitos, 62% dos consumidores continuam mal-informados sobre os riscos subjacentes ao streaming ilegal e ao IPTV pirata. Estas são as conclusões avançadas por um recente inquérito realizado no Reino Unido e publicado pela Federation Against Copyright Thef (FACT).

A realidade, contudo, apresenta divergências face aos resultados apontados pelo inquérito. Após apurar algumas das questões efetivamente colocadas aos mais de 1000 inquiridos, a Torrent Freak expõe algumas incongruências na publicação da FACT.

A opinião do público sobre o IPTV pirata e streaming ilegal

Streaming ilegal

As entidades que promovem o combate aos conteúdos piratas como a IPTV usada para streaming ilegal de canais pagos e outros conteúdos como jogos de futebol e transmissão de canais de antena fechada estarão agora a usar uma "campanha" de marketing.

A dita campanha visa associar o streaming ilegal ao perigo real para o utilizador. Por outras palavras, associar este fenómeno a perigos escondidos como a fraude, usurpação de identidade, malware e associação criminosa e atividade de gangues.

Este terá sido o contexto em que o inquérito foi feito no Reino Unido, durante os dias 4 a 5 de janeiro do presente ano, a um total de 1003 consumidores. Desde universo, 62% foi apontado como ignorante face aos riscos do streaming ilegal e IPTV pirata.

A opinião condicionada sobre o IPTV pirata

Os inquiridos terão recebido "informação adicional" sobre os perigos do IPTV pirata e do streaming ilegal. Informação providenciada após a resposta inicial dos participantes, algo que, naturalmente, fez com que alguns mudassem a sua opinião.

Perante esta prática, a fonte supracitada quis apurar exatamente o que terá sido informado aos inquiridos. Em especial, o contexto e detalhe das informações relacionadas com a usurpação de identidade, roubo de dados bancários e risco de malware.

Após vários dias de investigação e pedidos de acesso às questões feitas durante o inquérito à FACT, publicação que o deu a conhecer, que terá afirmado não o poder partilhar. Perante esta recusa, a Torrent Freak resolveu questionar diretamente a empresa de estatística e análise de mercado, Opinium, a responsável pelo inquérito.

Intimando-a com os princípio ESOMAR que pautam o setor das pesquisas sociais, só então é que a Opinium, através da FACT, veio divulgar mais informações sobre o estudo de mercado efetuado.

Inquérito

Apurou-se então que o inquérito tinha vários cenários, alguns sem conexão com o país onde foi efetuada a pesquisa, criados para, pelo menos em parte, influenciar a opinião do entrevistado. Ou seja, conduzi-lo a uma determinada resposta.

Inquérito com questões criadas para obter as respostas desejadas

Entre os 1003 inquiridos, 333 terão confessado já ter consumido conteúdo pirata, tanto o streaming ilegal como o IPTV pirata. A estes foi apresentada, em seguida, uma lista com os supostos riscos da utilização destes serviços ilícitos com o intuito de apurar uma mudança de opinião.

Em primeiro lugar foi-lhes apresentado o risco de malware, o software malicioso. Em seguida a fraude bancária, usurpação de identidade e roubo de dados, com a intenção de provocar o medo ao envolver as credenciais bancárias.

Estes foram os riscos apresentados aos inquiridos que admitiram já ter usado as plataformas de streaming ilegal. Por outro lado, quando questionada sobre se alguma destas ameaças já se materializou, se há casos registados de que tal tenha acontecido, a FACT não soube responder.

Infere-se daqui que tal cenário apresentado serviu apenas para provocar uma resposta (a pretendida) nos inquiridos.

Aos inquiridos foi ainda questionado se já se imaginaram a receber uma coima (vulgo multa) por parte da política ou entidades reguladoras. Sem providenciar o contexto necessário, apesar de no Reino Unido a polícia ter tomado uma iniciativa parecida.

Mais uma ação de sensibilização que inquérito sobre IPTV

Os responsáveis pelo inquérito foram mais além. Aos inquiridos apresentaram o cenário hipotético em que a operadora - prestadora de serviços de telecomunicações - pudesse cancelar o seu contrato. Isto caso fossem "apanhados" a ver transmissões ilegais.

Não obstante, chegaram ao ponto de pedir ao inquirido para imaginar um cenário em que as operadoras o colocariam numa lista negra, impedindo-o de contratar outra entidade. Essencialmente privando-o do acesso à Internet caso a sua conexão fosse detetada a aceder aos serviços de IPTV pirata. Algo que não é praticado no Reino Unido, nem em Portugal.

Cenários hipotéticos que, naturalmente, fizeram com que diversos inquiridos passassem a repudiar este tipo de meios ilícitos. Não pela ilicitude em si, mas pelo medo das consequências, reais ou fictícias.

O inquérito terminou com uma simples questão. "Será que ao conhecer estes riscos a sua opinião sobre conteúdo pirata, como, por exemplo, jogos de futebol, filmes e séries, muda?". Dos 1003 inquiridos, 390 afirmaram que daí em diante aconselhariam a sua família e amigos a deixar de usar estes meios.

Por outro lado, 62% dos inquiridos apresentou sérias dúvidas sobre pelo menos um dos vários riscos apresentados. Esta percentagem significativa foi classificada como "ignorando os riscos" e retratada como mal informada.

Ora, é um tanto falacioso classificar quem duvida de pelo menos um dos vários ricos apresentados como ignorante.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
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