
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Formato e Construção | Design over-ear circumaural dobrável, almofadas em pele sintética amovíveis |
| Conetividade | Bluetooth 6.0; codecs SBC, AAC e LDAC, ligação multiponto; entrada de 3,5 mm |
| Cancelamento de ruído | Cancelamento Ativo de Ruído (ANC) híbrido melhorado e modo som ambiente (transparência) com controlo de voz |
| Bateria e autonomia | Até 27 horas com ANC ligado e até 34 horas com ANC desligado; USB-C |
| Áudio e Software | DSEE Extreme, 360 Reality Audio; app Sound Connect; equalizador de 10 bandas |
No mercado da tecnologia de consumo existe uma tendência para fazer tudo de raiz de tempos a tempos, muitas vezes abandonando detalhes práticos que os utilizadores adoravam. A Sony percebeu isso a tempo e horas.
Em vez de obrigar todos os clientes a migrarem para modelos mais caros ou a pagarem mais de 500 euros por novos modelos de topo, a marca japonesa decidiu recuperar o seu produto mais aclamado no segmento do som pessoal. Com um histórico de mais de 10 milhões de unidades vendidas à escala global, nascem assim os Sony WH-1000XM4C.
É uma atualização pensada para manter vivo um produto muito adorado. Em Portugal, o preço fixa-se nos 279,99 euros, mas já é possível encontrá-los em promoção por valores em torno dos 200 euros. Por este valor, a Sony volta a ter nas mãos um autêntico campeão de vendas, talhado para quem quer auscultadores sem fios premium de marca consolidada por um preço mais atrativo.

Design, conforto e ergonomia
À primeira vista, os WH-1000XM4C parecem iguais ao modelo original, e isso é precisamente o que muitos fãs pretendiam (incluo-me nesta lista). A estrutura plástica com toque suave e acabamento mate mantém-se intacta e dá uma boa solidez de construção.
A grande bênção está no mecanismo das hastes. Ao contrário do que aconteceu com outros modelos recentes do mercado que apenas giram as conchas, estes auscultadores dobram-se completamente sobre si próprios, para encaixar na perfeição dentro de um estojo de transporte rígido e compacto que cabe em qualquer mochila ou mala de viagem.
O conforto permite-nos sessões de trabalho ou viagens de quatro horas seguidas sem desconforto na zona superior da cabeça. O facto de pesarem 253g e serem bastante ergonómicos, ajuda. As almofadas em pele sintética oferecem um contacto suave com a pele e trazem agora uma novidade bem-vinda.

São mais fáceis de desencaixar com as mãos para efeitos de higienização ou eventual troca quando houver desgaste natural. O único aspeto a considerar é que continuam a reter algum calor em redor das orelhas nos dias mais quentes, algo que aconteceu durante os nossos testes.
O controlo divide-se entre dois botões físicos na concha esquerda (para ligar, emparelhar e alternar entre modos de cancelamento de som) e uma superfície tátil capacitiva na concha direita. Basta deslizar o dedo para ajustar o volume, avançar faixas ou tocar duas vezes para pausar a reprodução e atender chamadas com total naturalidade.
Cancelamento de ruído e modo de transparência
Se o cancelamento de som já era bom no modelo de origem, nesta versão com a assinatura C a Sony conseguiu extrair um isolamento acústico um pouco mais apurado. No dia a dia, viajar de comboio, avião, andar no metro de Lisboa ou trabalhar numa redação barulhenta torna-se numa experiência de silêncio quase absoluto.

O sistema consegue absorver e anular os ruídos graves e contínuos de rolamento e motores com grande facilidade e ajuda a criar uma bolha protetora imediata para quem precisa de concentração ou descanso para ouvir aquela série ou playlist favorita.
Quando ativamos o modo de som ambiente, encontramos uma das principais falhas. Para os padrões exigentes de 2026, o modo de transparência dos WH-1000XM4C revela-se um dos pontos mais fracos do conjunto.
A voz humana e os sons da rua chegam ao ouvido com um processamento artificial, metálico e algo comprimido, sem aquela sensação natural e aberta de estares a ouvir o mundo exterior como se não tivesses auscultadores colocados. Serve para ouvir o anúncio de uma estação ou responder a uma pergunta rápida, mas fica longe da qualidade alcançada por propostas mais recentes.

Qualidade de áudio e conetividade
A sonoridade mantém o carácter familiar da Sony, orientado para o grande público que aprecia graves presentes e com corpo. No entanto, na afinação de fábrica, algumas frequências médias e agudas soam ligeiramente recuadas, o que pode retirar algum brilho a cordas de guitarra ou detalhes em músicas com muita produção acústica. Mas há uma solução.
Na renovada aplicação móvel Sony Sound Connect, que agora disponibiliza um equalizador gráfico de 10 bandas bastante mais competente do que o antigo equalizador de 5 bandas, podes subir a presença das vozes e ajustar a curva de som ao teu gosto pessoal. O som fica bem equilibrado e mais ao teu gosto.
Na conetividade, a grande evolução técnica está na adoção do protocolo Bluetooth 6.0, que melhora a estabilidade de ligação e reduz a latência no emparelhamento. Mantém-se a compatibilidade com os codecs SBC, AAC e LDAC para áudio sem perdas em dispositivos Android compatíveis. Isto além da ligação multiponto a dois aparelhos em simultâneo (embora não combinável com LDAC).

Se ficares sem carga, podes continuar a ouvir música ao ligar o cabo analógico tradicional de 3,5 mm incluído na caixa. De referir, no entanto, que a porta USB-C serve exclusivamente para recarregar a bateria e não para transporte de som digital a partir do computador ou smartphone.
Bateria e chamadas de voz
A gestão de bateria continua a figurar entre os pontos mais fortes do produto. Em utilização real com o cancelamento ativo sempre ligado e volume moderado, a bateria pode chegar a cerca de 27 horas de reprodução contínua.
Além disso, pode estender-se até às 34 horas se optares por desligar o cancelamento de som. Para quem faz uma viagem longa ou usa os auscultadores durante o horário de expediente, isto significa carregar o dispositivo apenas uma vez por semana. Embora seja menos que os XM4 que começavam nas 30 horas com ANC.

No que toca a chamadas telefónicas e reuniões de trabalho, o desempenho dos microfones integrados situa-se num plano apenas razoável. O algoritmo filtra conversas laterais de forma aceitável em divisões fechadas, mas debate-se com vento forte na rua ou barulho urbano elevado, onde a tua voz pode soar um pouco mais artificial junto do interlocutor.
Para quem são os Sony WH-1000XM4C
- Viajantes frequentes e trabalhadores diários que procuram um cancelamento de ruído muito forte;
- Quem não dispensa uns auscultadores com mecanismo dobrável que ocupem pouco espaço na bagagem;
- Utilizadores que pretendem um equipamento fiável com bateria para aguentar dias a fio sem ir à tomada;
- Consumidores que procuram qualidade de marca de topo sem ultrapassar a fasquia dos 250 euros
Não são para... quem faz questão de um modo de transparência super realista para manter conversas normais com os auscultadores postos, utilizadores que procuram auscultadores com resistência à água e poeiras para treinos intensos de ginásio, audiófilos exigentes que recusam o recurso a equalizadores de software para obter um perfil sonoro totalmente plano ou quem faz muitas reuniões em ambientes com ruído constante de vento e exige microfones com isolamento de estúdio.

Conclusão
A Sony jogou com mestria comercial ao relançar os WH-1000XM4C em 2026. Em vez de inventar modas desnecessárias, manteve a portabilidade invejável da dobradiça, melhorou o processador sem fios e afinou o cancelamento de ruído que tornou esta família famosa em todo o mundo.
O modo de transparência pede uma modernização mais evidente e os microfones em chamada cumprem apenas o básico, mas perante os 200-280 euros praticados em Portugal, este renascer mostra que os bons clássicos continuam a ser a compra mais sensata para a esmagadora maioria dos ouvidos.
