
Encontrar o melhor par de auriculares com cancelamento de ruído é uma tarefa mais difícil do que se pensa. Para quem usa um telemóvel da Apple, provavelmente os AirPods Pro 3 são a escolha mais óbvia e simples dentro do ecossistema. Mas para um utilizador que procura outra via, principalmente os que usam sistemas Android ou Windows no dia a dia, os Sony WF-1000XM6 e os Bose QuietComfort Ultra 2 estão no topo das recomendações.
Neste artigo tentamos ajudar te a escolher a opção mais acertada para a tua rotina entre estes dois fones sem fios. No final do dia, é a minha opinião após vários testes, devendo enquanto leitor ter em conta que cada pessoa tem o seu canal auditivo único e o seu tipo de auricular de eleição.

Design, construção e conforto nos ouvidos
O aspeto estético de um equipamento é sempre um campo altamente subjetivo e pessoal. Ambos os modelos estão longe de ter o design mais discreto e invisível do mercado, visto que ficam bastante pronunciados na orelha e chamam à atenção de quem passa por nós na rua.


Além deste pormenor, ambos possuem estojos de carregamento volumosos, o que pode incomodar num bolso das calças mais apertado durante as deslocações. No que toca ao conforto físico, os Bose fazem inteiramente jus ao seu nome e levam o troféu para casa.

Consigo usar ambos os equipamentos por longos períodos enquanto trabalho no computador, mas os auriculares americanos acabam por ter um encaixe mais natural e adequado ao meu canal auditivo. Esta perceção manteve-se inalterada após passar vários dias a experimentar as diferentes pontas de isolamento fornecidas nas respetivas caixas.
Qualidade de áudio e imersão musical
No campo da fidelidade sonora, a decisão final torna-se bastante difícil de tomar. Ambos possuem um áudio bastante equilibrado e limpo, que navega de forma bastante agradável entre as várias frequências. Os auriculares da Sony proporcionam aquilo que considero ser um maior sentido de imersão geral no palco sonoro, já que criam uma atmosfera densa que te envolve nas faixas musicais.

Em contrapartida, os Bose apresentam um áudio com uma maior predominância vincada dos graves e dos agudos, criando uma assinatura sonora muito energética que capta a tua atenção logo nos primeiros segundos de reprodução. Vais ficar bem servido com ambas as propostas a nível de áudio. Se procuras imersão, vai para os Sony; se queres energia, vai para os Bose.
Cancelamento de ruído e modo de transparência
A capacidade de silenciar o mundo exterior é o grande motivo que leva os consumidores a investir nestes equipamentos de topo. Considero o isolamento dos Bose superior em situações práticas e rotineiras. Levei-os em várias viagens de avião e nas deslocações de autocarro, além de os testar fisicamente ao lado de um aspirador robô a realizar a sua aspiração diária.

O algoritmo da marca americana consegue anular as frequências graves e constantes dos motores de forma bastante efetiva. Nenhum destes dois auscultadores é perfeito a suprimir o som de vozes de pessoas a conversar ao nosso lado, algo que já era inteiramente esperado dadas as limitações tecnológicas da atualidade. Os Sony fazem um ótimo trabalho global de redução de som ambiente, mas ainda acho os Bose uns furos superiores nos meus ouvidos.
No modo de transparência, a história repete se com ligeiras nuances. Nenhum dos dois fica ao nível dos AirPods da Apple na clareza com que deixam entrar o som da rua, mas as vozes ao nosso redor ouvem-se consideravelmente menos robóticas e metálicas no caso dos Bose.

Desempenho em chamadas e baterias
Fazer chamadas na rua é uma experiência sólida em qualquer um dos lados, mas o equipamento da Sony está um passo à frente neste departamento específico. O algoritmo da Sony consegue isolar com muito mais precisão a tua voz quando o vento sopra forte ou o trânsito citadino aperta ao teu redor, fazendo com que o interlocutor te ouça de forma mais clara.
A autonomia também é superior no caso da fabricante japonesa no uso real do dia a dia. Nos meus testes práticos com o sistema de redução de ruído ativado, os Sony garantem facilmente as oito horas de reprodução contínua. Os Bose acabam por pedir o regresso ao estojo de transporte sensivelmente duas horas mais cedo.

Ambos contam com tecnologias de carregamento sem fios, suporte para Bluetooth multiponto e aplicações de telemóvel repletas de funções de equalização. O grande calcanhar de Aquiles dos Sony neste campo da interação física é não terem controlos de volume por gestos de deslizar na superfície tátil, o que complica desnecessariamente esta ação básica na rua.
O fator preço e a quem se destinam
Olhando para o mercado atual em Portugal, a diferença de valores praticados nas lojas pode ser o fator de desempate decisivo para a tua carteira. À data em que escrevo este artigo, os Bose já andam na casa dos 240 euros, fruto do seu maior tempo de mercado. Os Sony acabaram de sair do forno e exigem um investimento fixado nos 299 euros. Os preços poderão ser diferentes quando chegares a este artigo e estar mais a par.
Não existe uma resposta definitiva de quais os melhores auriculares em tudo. Por isso, abaixo deixo alguns pontos onde considero que os auriculares se destacam e que pode ajudar na tua decisão de compra.

Para quem são os Sony WF-1000XM6
- Utilizadores que priorizam autonomia superior para longas jornadas fora de casa;
- Pessoas que fazem bastantes chamadas telefónicas em ambientes abertos e muito ruidosos;
- Amantes de um som altamente imersivo com muitas opções de equalização na aplicação oficial.
Para quem são os Bose QuietComfort Ultra 2
- Viajantes frequentes que necessitam do melhor e mais potente cancelamento de ruído possível em transportes;
- Utilizadores que colocam o conforto físico nos ouvidos acima de qualquer outra métrica de avaliação;
- Consumidores que valorizam a praticidade de regular o volume do som diretamente por gestos táteis nas hastes.
Confere a nossa análise completa aos Bose QuietComfort Ultra 2 e aos Sony WF-1000XM6.

